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A Controvérsia da Teosofia

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A Controvérsia da Teosofia

Uma Análise Teológica e Apologética Cristã

"Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar." — 1 Pedro 5:8

 

I. Introdução: O Engodo Revestido de Sabedoria

Há uma tendência recorrente na história da humanidade: o erro não se apresenta sob as vestes da mentira crua e evidente, mas sob o manto sedutor da sabedoria, da iluminação e da busca espiritual. A Teosofia — palavra derivada do grego theos (Deus) e sophia (sabedoria), significando literalmente "sabedoria divina" — é um exemplo notável desse fenômeno. À primeira vista, o movimento parece oferecer algo nobre: a busca pelo conhecimento espiritual, a fraternidade universal, a harmonia entre as religiões. Entretanto, quando examinada à luz rigorosa das Escrituras Sagradas e da sã doutrina cristã, revela-se como um sistema de pensamento que, longe de conduzir o ser humano a Deus, o afasta deliberadamente do único caminho de salvação: Jesus Cristo.

Este artigo propõe-se a examinar as origens, os fundamentos doutrinários, as implicações teológicas e os perigos espirituais da Teosofia, sempre com o firme propósito de alertar o crente e equipá-lo para a defesa da fé que uma vez foi entregue aos santos (Judas 1:3). Não se trata de um exercício de intolerância intelectual, mas de fidelidade à verdade revelada por Deus em Sua Palavra.

 

II. As Origens Históricas: De Pseudo-Dionísio a Helena Blavatsky

2.1 As Raízes Antigas do Pensamento Teosófico

O termo "teosofia" tem uma longa história que antecede o movimento moderno. Estudiosos apontam que o filósofo neoplatônico do século VI, Pseudo-Dionísio, o Areopagita, foi um dos primeiros a quem o conceito foi associado. Durante o Renascimento, pensadores como Cornelius Agrippa, Paracelso, Robert Fludd e, especialmente, Jacob Boehme cultivaram correntes de pensamento místico-esotérico que viriam a influenciar profundamente o que mais tarde seria sistematizado como Teosofia. O teólogo iluminista Emanuel Swedenborg (1688–1772), que se dizia ter recebido revelações divinas para "reformar o Cristianismo", foi mais um elo desta cadeia de especulação mística que conduziria às formulações do século XIX.

É fundamental que o cristão compreenda que o pensamento esotérico não é uma novidade; é, antes, uma tentação antiquíssima. Desde os gnósticos dos primeiros séculos, que procuravam sobrepor um "conhecimento superior" (gnosis) à simples fé em Cristo, até os místicos medievais e os filósofos herméticos do Renascimento, a tentativa de acessar verdades espirituais por vias alternativas à Palavra de Deus é um padrão que se repete com consistência alarmante.

2.2 Helena Petrovna Blavatsky e a Fundação da Sociedade Teosófica

O capítulo mais relevante para a compreensão da Teosofia moderna, porém, é aquele protagonizado por Helena Petrovna Blavatsky (1831–1891). Nascida na Ucrânia, Blavatsky fundou a Sociedade Teosófica em Nova York no ano de 1875, ao lado de Henry Steel Olcott e William Quan Judge. A organização afirma hoje contar com 25.000 membros em 60 países, mas sua influência transcende em muito os limites de seus próprios quadros, ramificando-se profundamente no Movimento da Nova Era, nos Rosacruzes, na Sociedade Antroposófica, no movimento "Eu Sou" dos Mestres Ascensos, no Novo Pensamento e em inúmeras outras vertentes do esoterismo contemporâneo.

Blavatsky era declaradamente uma Co-Maçom de 32º grau, e seus vínculos com a Maçonaria, o ocultismo e as tradições herméticas são bem documentados. Suas obras mais influentes — Isis Unveiled (1877) e The Secret Doctrine (1888) — são consideradas pela Maçonaria e por diversas ordens ocultistas como obras de valor quase canônico. O célebre ocultista Manly P. Hall, maçom do 33º grau, referiu-se a The Secret Doctrine como assumindo "a dignidade de uma escritura".

"The Secret Doctrine e Isis Unveiled são os dons de Madame Blavatsky à humanidade... Não se pode mais comparar essas obras com outros livros do que comparar a luz do sol com a chama de um pirilampo. The Secret Doctrine assume a dignidade de uma escritura..."

— Manly P. Hall, 33º grau, The Phoenix: An Illustrated Review of Occultism and Philosophy, 1960, p. 122

 

III. Os Fundamentos Doutrinários da Teosofia

3.1 Uma Amálgama Sincrética

A doutrina da Sociedade Teosófica, conforme exposta por Blavatsky em seus escritos, é essencialmente uma mescla de hinduísmo, budismo, espiritualismo, Cristianismo gnóstico e rituais maçônicos — tudo fundamentado nas visões e revelações que Blavatsky afirmava ter recebido dos "Mahatnas" (Grandes Mestres) do Tibete, também chamados de "Mestres Ascensos" ou a "Grande Fraternidade Branca". Entre estes "mestres" desencarnados estariam, segundo a doutrina teosófica, nomes como Buda, Krishna e até o próprio Jesus — equiparados uns aos outros como figuras de iluminação equivalente.

Os três objetivos declarados da Sociedade Teosófica apresentam-se de forma suficientemente vaga para atrair pessoas de boa vontade: promover a fraternidade universal sem distinção de raça, credo ou cor; estudar comparativamente as religiões, a filosofia e a ciência; e investigar os poderes místicos latentes no homem e as leis inexplicadas da Natureza. À superfície, nada parece alarmante. Mas é precisamente nesta superfície plácida que reside o perigo maior: a aparência de nobreza que dissimula um conteúdo radicalmente incompatível com o Evangelho de Jesus Cristo.

3.2 A Exaltação de Lúcifer

É impossível analisar a Teosofia com honestidade intelectual e teológica sem confrontar uma de suas afirmações mais chocantes: a identificação de Lúcifer como divindade benevolente. Em The Secret Doctrine, Blavatsky escreve com toda a clareza:

"Lúcifer representa... Vida... Pensamento... Progresso... Civilização... Liberdade... Independência... Lúcifer é o Logos... a Serpente, o Salvador."

— Helena Blavatsky, The Secret Doctrine, Vol. II, pp. 171, 225, 255

"É Satanás quem é o Deus deste planeta e o único Deus."

— Helena Blavatsky, The Secret Doctrine, Vol. VI, pp. 215, 216, 220, 245, 255, 533

Para o cristão familiarizado com as Escrituras, tais afirmações não deveriam causar surpresa quanto à sua natureza — elas são a expressão mais crua da apostasia que a Palavra de Deus já havia profetizado. Em Isaías 14:12–15, Lúcifer é descrito como aquele que caiu por seu orgulho e rebelião contra o Senhor. Em João 8:44, o Senhor Jesus o chama de "homicida desde o princípio" e "pai da mentira". Em Apocalipse 12:9, é chamado de "a grande serpente antiga, que se chama diabo e Satanás, o enganador de todo o mundo". Não há, à luz da Bíblia, nenhuma possibilidade de reconciliar a exaltação de Lúcifer com a fé cristã ortodoxa.

É notável, ademais, que Alice Bailey — discípula de Blavatsky e fundadora da Lucis Trust (originalmente chamada de Lucifer Publishing Company) — tenha continuado e expandido o projeto teosófico ao longo do século XX. Bailey trabalhou incansavelmente para o que ela chamava de "a Nova Religião Mundial", articulando os objetivos da Teosofia com os da Maçonaria numa visão de unificação espiritual global que, na perspectiva bíblica, aponta diretamente para o sistema da Besta descrito no Apocalipse.

 

IV. Teosofia, Nova Era e a Agenda da Nova Ordem Mundial

A Teosofia não é um fenômeno isolado; é a matriz ideológica de uma vasta constelação de movimentos espirituais que hoje conhecemos coletivamente como Movimento da Nova Era. A influência de Blavatsky e de seus sucessores sobre o esoterismo ocidental moderno é impossível de ser exagerada. Em 1907, Annie Besant assumiu a presidência da Sociedade Teosófica e, junto com o maçom de 33º grau C.W. Leadbeater, promoveu o jovem Jiddu Krishnamurti como o "novo messias" esperado — um evento que demonstra com clareza o apetite teosófico por substitutos ao verdadeiro Cristo.

A chamada Tradição Ocidental dos Mistérios, que inclui correntes como a Maçonaria e a Ordem Rosacruz, experimentou na segunda metade do século XIX uma divergência significativa que culminou exatamente no surgimento da espiritualidade da Nova Era — o que os historiadores da religião registram como o momento em que o esoterismo hermético das ordens maçônicas e rosacruzes se fundiu com os ensinamentos teosóficos. Teosofia, adoração de Satanás, Nova Era, Maçonaria e ocultismo são, portanto, partes de um mesmo tecido.

Para o cristão que lê as profecias bíblicas com atenção, o projeto de uma "Nova Ordem Mundial" — sustentado por uma espiritualidade sincrética que dissolve as fronteiras das religiões históricas em nome de uma unidade superior — não pode ser compreendido senão como aquilo que o Apocalipse descreve: a preparação do caminho para o sistema do Anticristo. Não é coincidência que Blavatsky tenha declarado abertamente que o propósito central da Teosofia era promover a Nova Ordem Mundial.

 

V. Emanuel Swedenborg e a Questão do Misticismo Cristão

5.1 Swedenborg: O Herege que Distorceu o Evangelho

Um dos personagens mais relevantes na trajetória que conduz à Teosofia moderna é Emanuel Swedenborg (1688–1772), o cientista e filósofo sueco que, aos 56 anos de idade, afirmou ter experienciado um despertar espiritual no qual teria sido designado pelo próprio Senhor para escrever uma doutrina celestial e reformar o Cristianismo. Swedenborg rejeitou a doutrina protestante fundamental da justificação pela fé somente (sola fide), sustentando que tanto a fé quanto as obras seriam necessárias para a salvação.

Do ponto de vista bíblico e teológico, esta posição é uma negação direta das Escrituras. Paulo afirma em Romanos 3:20 que "pelas obras da lei nenhuma carne será justificada". Em Efésios 2:8–9, com toda a clareza: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie." Em Tito 3:5, o apóstolo confirma: "[Deus] nos salvou, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia." A teologia de Swedenborg constitui, portanto, um caminho direto ao inferno — por mais nobres que pareçam suas intenções.

Swedenborg se identificava como um "iniciado" (do grego mystikos), e fontes como a Encyclopædia Britannica e a Encyclopedia of Religion o descrevem como um cientista e místico. Aqui é necessário ser firme na posição bíblica: não existe algo como o "misticismo cristão". O Senhor Jesus declarou em João 18:20: "Tenho falado abertamente ao mundo... nada tenho dito em segredo." A Bíblia em 2 Pedro 1:20 estabelece que "nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação". O Evangelho não tem segredos reservados a uma elite espiritual de iniciados. O Cristianismo é uma fé pública, revelada, transparente — e qualquer sistema que pretenda oferecer "verdades ocultas" que a Palavra de Deus supostamente esconderia está, por definição, contradizendo o próprio caráter do Deus que Se revelou na Bíblia.

5.2 Helen Keller e a Influência Teosófica

Um exemplo particularmente revelador da penetração do pensamento teosófico em figuras admiradas pelo grande público é o de Helen Keller (1880–1968). A notável escritora e ativista, célebre por ter superado a cegueira e a surdez para se tornar uma voz pública de grande influência, era uma devota teosofista e discípula de Swedenborg. Em 1927, Keller publicou sua autobiografia espiritual — originalmente intitulada My Religion, posteriormente reeditada como Light in My Darkness — na qual declarava que "os ensinamentos de Emanuel Swedenborg têm sido a minha luz, e um cajado na minha mão".

Keller é até hoje celebrada pela Sociedade Teosófica como um ícone do misticismo e da influência ocultista. Este fato não deve levar a uma depreciação do sofrimento ou da tenacidade de Keller como ser humano, mas serve como importante lembrete de que a inteligência, a nobreza de caráter e a conquista pessoal não imunizam ninguém contra o erro doutrinário. O que salva não é a iluminação intelectual, a superação pessoal ou a prática de valores elevados — o que salva é a fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador (Atos 4:12; João 14:6).

 

VI. A Incompatibilidade Radical entre Teosofia e Cristianismo

6.1 A Natureza de Deus

O Deus da Teosofia é fundamentalmente diferente do Deus revelado nas Escrituras. Na cosmologia teosófica, Deus é descrito como "energia" — uma força impessoal que permeia o universo. A doutrina teosófica sustenta que cada ser humano é, em última análise, "Deus" — destinado, através de sucessivas reencarnações, a reconhecer e realizar sua própria divindade. O Deus das Escrituras, ao contrário, é o Ser Pessoal, Santo, Transcendente, que Se revelou progressivamente na história da redenção e plenamente em Seu Filho Jesus Cristo (Hebreus 1:1–2). Ele é o Criador que se distingue ontologicamente de Sua criação — jamais se confunde com ela (Romanos 1:25).

6.2 A Pessoa e a Obra de Cristo

Para a Teosofia, Jesus Cristo é "divino apenas no mesmo sentido em que você e eu somos divinos" — isto é, Cristo é apenas mais um iluminado em uma longa série de "Mestres", ao lado de Buda, Krishna e outros. Esta concepção é uma heresia explícita que o Novo Testamento condena com força. João 1:1 afirma que "no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." Colossenses 2:9 declara que "nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." Filipes 2:6 o descreve como aquele que "sendo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que se agarrar". Jesus não é um entre muitos iluminados — Ele é o unigênito Filho de Deus, único Salvador do mundo (João 3:16–18).

A Teosofia, ao nivelar Cristo com figuras religiosas de outras tradições, está destruindo precisamente o que é único no Evangelho: a encarnação do Deus eterno, a expiação substitutiva na Cruz, a ressurreição corporal e a salvação gratuita pela graça mediante a fé. Sem esses elementos, não há Evangelho — há apenas mais uma filosofia religiosa humana (Gálatas 1:6–9).

6.3 A Reencarnação versus a Ressurreição

A Teosofia abraça a doutrina da reencarnação como um dos seus pilares: através de múltiplas existências, a alma evolui progressivamente até realizar sua própria divindade. Esta crença é diametralmente oposta ao ensino bíblico. Hebreus 9:27 é cristalino: "é reservado aos homens morrerem uma vez, sendo depois disso o juízo." A Bíblia ensina que após a morte há julgamento — não reencarnação. A esperança cristã não é a de uma evolução espiritual infinita, mas a da ressurreição dos mortos e da vida eterna em comunhão com o Deus pessoal e trino (1 Coríntios 15; João 11:25–26).

6.4 A Revelação Especial versus o Conhecimento Esotérico

Talvez a incompatibilidade mais fundamental entre Teosofia e Cristianismo esteja na questão epistemológica: como conhecemos a verdade espiritual? A Teosofia sustenta que existe um conhecimento esotérico superior, acessível apenas a iniciados, revelado por mestres espirituais desencarnados ou transmitido por canais místicos privilegiados. O Cristianismo bíblico afirma que Deus Se revelou completa e suficientemente nas Escrituras Sagradas — a Bíblia é a norma final e suficiente de toda doutrina, fé e prática (2 Timóteo 3:16–17; 2 Pedro 1:3).

Em Hebreus 1:1–2, o autor sagrado declara: "havendo Deus antigamente falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho." Deus já falou. Sua Palavra está completa. Qualquer sistema que afirme oferecer revelação adicional, reservada a um grupo de iniciados, contradiz diretamente o testemunho das Escrituras e deve ser rejeitado com firmeza.

 

VII. O Tempo de Vigiar: Um Apelo à Igreja

O apóstolo Paulo, escrevendo à Igreja de Éfeso, antecipou com precisão profética o cenário que a Igreja cristã enfrenta nos dias atuais: "Eu sei que depois da minha partida entrarão no meio de vós lobos cruéis, que não pouparão o rebanho. E que do meio de vós mesmos se levantarão homens falando coisas pervertidas, para atrair os discípulos após si." (Atos 20:29–30). A Teosofia, o esoterismo New Age e os movimentos correlatos são expressões modernas desses "lobos" que vestiam pele de ovelha já nos dias apostólicos.

O crente cristão dos dias atuais não tem o luxo de ser espiritualmente ingênuo. Vivemos em uma era de sincretismo galopante, de relativismo religioso e de abertura entusiasmada a experiências espirituais de qualquer origem — tudo em nome de uma "espiritualidade" sem dogmas, sem Cruz e sem a pessoa histórica e única de Jesus Cristo. A Teosofia é, precisamente, um dos vetores mais sofisticados desta dissolução da fé cristã.

O apelo que as Escrituras dirigem à Igreja é claro: "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge, procurando alguém para devorar." (1 Pedro 5:8). E também: "Vede que ninguém vos engane por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo." (Colossenses 2:8).

A resposta da Igreja ao desafio da Teosofia não deve ser o medo nem a ignorância, mas a solidez doutrinária, o conhecimento das Escrituras, a prática da apologética cristã e o amor pela verdade que liberta. Pois, como o Senhor Jesus prometeu: "Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará." (João 8:32) — e essa verdade tem nome, tem rosto e tem história: chama-se Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e para sempre.

 

VIII. Conclusão

A Teosofia é, em sua essência, mais uma encarnação do antigo projeto de substituir o Deus da Bíblia por uma divindade mais flexível, mais sincrética e menos exigente em termos morais e soteriológicos. Desde o Éden, quando a serpente propôs a Eva que ela poderia "ser como Deus" por meios distintos daqueles estabelecidos pelo Criador (Gênesis 3:5), o ser humano tem sido tentado pela ilusão de que pode alcançar a divindade por seu próprio esforço, por conhecimentos esotéricos ou por múltiplas encarnações evolutivas.

Helena Blavatsky, com toda a sua erudição e habilidade literária, não inventou nada de novo. Ela apenas reembrulhou uma mentira antiquíssima em novas roupagens intelectuais, suficientemente sofisticadas para atrair mentes cultas e espiritualmente ávidas. O resultado, porém, é o mesmo de sempre: o afastamento do único caminho de salvação e a perpetuação da escravidão espiritual que Cristo veio quebrar.

Que os cristãos permaneçam firmes na fé que foi entregue aos santos, amando a verdade acima de qualquer outra consideração, e que possam, com mansidão e reverência, dar razão da esperança que há neles (1 Pedro 3:15) a todos os que, seduzidos por filosofias vãs, ainda não encontraram no Senhor Jesus Cristo — e somente nEle — a sabedoria verdadeira, a vida eterna e a paz que excede todo o entendimento.

"Jesus lhe disse: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim."

— João 14:6

 

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Escrito por IA com base em anotações escritas e arquivadas por C. J. Jacinto

 

O Impacto Esotérico e a Conspiração Aquariana

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A Conspiração Aquariana?

 

C. J. Jacinto

 

Marilyn Ferguson, em “A Conspiração Aquariana*”, no início de 1980 afirmou estar em curso uma profunda transformação cultural e espiritual nas sociedades ocidentais, caracterizada como uma “revolução silenciosa” ou “revolução da consciência”. Ela identificava sinais de crise no modelo racionalista, materialista e excessivamente científico predominante, e apontou o surgimento de uma nova espiritualidade baseada na busca de experiências místicas e no entendimento de que o verdadeiro conhecimento é de ordem interna, subjetiva e intuitiva. De fato, Ferguson acertou, pois, nas décadas seguintes, o mundo viu surgir um movimento emergente de síntese, chamado de New Age ou Nova Era, que influenciou profundamente a cultura e a sociedade ocidental. O reavivamento do esoterismo, paganismo, bruxaria, panteísmo, feitiçaria, ocultismo, gnosticismo, ufologia, espiritualismo e enfim, as religiões orientais e seus gurus ganharam um enorme espaço e desde então sua influência pode ser percebida em todas as camadas sociais, pois essa conspiração ė antes de tudo, de caráter anticristão. A influência neoplatônica, gnóstica, pagã e espiritualista afetou posteriormente as igrejas cristãs.

Essa aspiração tem como base um reino de paz pela harmonia entre ciência e as religiões, Ken Wilber em “A União da Alma e dos Sentidos” explica que se não conseguirmos encontrar a essência comum de todas as religiões da humanidade, jamais conseguiremos a integração entre ciência e religião”

 Esse anseio pela unidade, já tinha sido proposta por Aldous Huxley, autor de “Admirável Mundo Novo” ele propôs a teoria da “filosofia" Perene em 1945, antecendendo as aspirações de Fergunson, a filosofia perene é a ideia de que existe uma verdade espiritual universal presente em todas as grandes tradições religiosas do mundo. Huxley acaba cedendo a ideia da antiga serpente no Eden, pois ele sustentava uma metafísica que reconhecia uma realidade divina real por trás das coisas visíveis, e uma alma humana que tinha uma semelhança com essa realidade. Huxley apontava que todas as religiões possuem verdades comuns e as diferenças são superficiais, nesse caso, devem ser ignoradas para que a essência seja reconhecida. Aqui temos a velha antiga doutrina da divindade do homem e uma das raízes da crença de uma religião universal, essa ideia é muito parecida com as ideias de Helena Petrovna Blavastki fundadora do movimento teosófico que propôs uma sabedoria divina que buscava integrar ciência, filosofia e religião, defendia a fraternidade universal e uma evolução espiritual cármica, durante toda a sua vida, Blavastki criticou o dogmatismo e a religião institucionalizada propondo uma fraternidade universal na compreensão e integração física e espiritual de todos os seres, mais uma vez encontramos as raízes de um universalismo, as velhas ideias da Torre de Babel e um reino universal centrado no homem, a síntese de opostos nada mais é do que o relativismo tão forte em nossos dias, como um braço ideológico que se opõe com todas as forças ao cristianismo bíblico. Esses são os efeitos de todas essas ideias, o que foi vaticinado por Marilyn Ferguson, ocorreu de fato, e os efeitos podem ser vistos, ainda que imperceptível para a maioria dos cristãos que não conseguem ver as mudanças radicais que sofreu a sociedade após a virada do milênio. A doutrina da antiga serpente, o Diabo e Satanás que engana todo o mundo (Apocalipse 12:9 e 20:2) simplesmente está por trás dessa conspiração aquariana, trata-se de um reavivamento do esoterismo nas suas nuances neoplatônicas e gnósticas, no clássico “Historia do Esoterismo Mundial” de Hans-Dieter Leuenberger, lemos: “Os neoplatônicos ensinavam como os gnósticos, que a alma humana havia se separado de Deus ou do divino e, em simultâneo, seguindo a lei da gravidade, caíra das esferas divinas, ficando presa no âmbito material. Portanto, a tarefa da alma é soltar-se da prisão material e, finalmente, unir-se outra vez com o divino” (Pagina 91) Outra tendência, a visão emanacionista vinculada ao panteísmo, ganhou a estima de cientistas como Carl Sagan, que escreveu praticamente na mesma época em que Fergunson, o famoso Livro “Cosmos” e posteriormente outro livro se seguiu a mesma tendência; contato, nesse período outro cientista, Fred Hoyle, escrevia também o livro “O universo Inteligente”, que seguia a mesma tendência panteísta/emanacionista de Sagan. Desde então vários cientistas e intelectuais trilham pela mesma senda, principalmente com o desenvolvimento da física quântica, tentando reconciliar esoterismo, misticismo neoplatônico e ciência. Essa síntese é necessária para que os fins justifiquem os meios, a religião universal segue a política de tolerar todos os que seguem a cartilha ecumenista global, uma super-religião mundial, o fim dos conflitos e uma intolerância com relação a qualquer tipo de elemento contrario, a fé cristã bíblica não encontra lugar dentro dessa torre de Babel, embora muitos evangélicos estejam entrando nela.

Ferguson descreveu essa “conspiração” não como um complô secreto, mas como uma rede aberta, descentralizada e sem líderes, formada por indivíduos de diferentes áreas que promovem mudanças paradigmáticas em direção a uma sociedade mais autônoma, colaborativa, sustentável e conectada à natureza. Essa rede, segundo a autora, está empenhada em romper com antigos padrões de pensamento, propondo um novo estado mental capaz de transformar o indivíduo e a coletividade.

 

 Mas todo o sincretismo desse esoterismo universal, promove amplamente técnicas e o uso de métodos não somente proibido pelas escrituras, mas que provoca uma enorme devassidão espiritual, possessão demoníaca, contato com seres demoníacos disfarçados de anjo de luz, outro evangelho e mentiras, técnicas de visualizações mantras que alteram o estado da consciência, êxtases místicos com abertura para o mundo espiritual caído, poções e beberagens com drogas e psicodélicos que provocam distúrbios no âmbito espiritual, mediunidade e canalização, hipnose, estados alterados de consciência, esvaziamento da mente, perda de controle psicológico, desligamento da razão, anjos de luz desceram ao mundo aos milhões pregando outro evangelho (Gálatas 1:8 e 9) e o anátema é recebido como bênçãos vindo dos céus! Essa é uma descrição bíblica da Conspiração Aquariana.

O quanto foi a sociedade impactada por essa abertura ao mundo espiritual caído? Não está hoje em dia, o uso recreativo de drogas psicodélicas popularizado? Poucos sabem que o uso de poções mágicas e plantas alucinógenas eram usados pelos povos primitivos na escuridão espiritual para o contato com seres espirituais, contato com demônios e espíritos imundos, por esse motivo, os convertidos em Atos 19:19 resolveram destruir suas fórmulas, encantos e invocações. Havia um perigo real cujos laços deveriam ser desfeitos imediatamente.

 

Com relação à Ioga? Não é uma prática aceitável até mesmo por instituições governamentais? Até mesmo igrejas e lideres cristãos não tem apoiado essa prática? Desejo citar novamente o Livro “Historia do Esoterismo Mundial” na página 210, o autor afirma categoricamente: “A Ioga é o local de contato das pessoas com um plano transcendental (do além)”. Em outras palavras, a prática da Ioga é um tipo de mediunidade, é um portal de abertura para o mundo dos espíritos.

 Acaso não se popularizou na cristandade, a prática de seguir uma religião pelos sentimentos? As emoções e as experiências subjetivas de êxtases, visões, locuções interiores, visualizações, sentimentos agradáveis é a forma como milhões de pessoas ditam a sua fé, por meras experiências e não por fé, Alexander Seibel em “A Sutil Sedução da Igreja” afirmou com toda a razão: “As verdades espirituais nos são trazidas á consciência através da razão ou do intelecto e não pelos sentimentos e pelas emoções” Peter Jones também escreveu: “Para muitos cristãos, a moda é a experiência espiritual. Observe que a verdade é ‘experimentada’, e não processada pela mente”

 Intencionalmente ou não, o que Ferguson quis dizer com mudanças de pensamentos e paradigmas, seria antes de tudo, uma oposição aberta aos valores judaico-cristãos e ao cristianismo bíblico. E isso se dá por causa da maneira como veem o mundo, segundo um escritor critico ao movimento, Ralph Rath, os adeptos da Nova Era não viam senão subjetividade e ambiguidades em conceitos que na fé cristã são absolutos, bom ou mau, seriam conceitos meramente relativos e culturais. Não é isso que percebemos de forma tão forte hoje em dia?

O livro de Marilyn Ferguson também sugeriu que essa transformação não é política, mas sim uma mudança de consciência, onde cada pessoa pode ser agente de mudança e contribuir para um mundo melhor, mais justo e integrado. Ferguson enfatizou que a humanidade precisava superar o papel de espectadora e assumir responsabilidade ativa na construção desse novo paradigma, promovendo paz, sustentabilidade e uma nova relação com o planeta e consigo mesma. Muitas décadas antes de Ferguson escrever A Conspiração Aquariana, G H Pember escreveu em “As Eras Mais Primitivas da Terra” que nos últimos tempos, haveria um renascimento do espiritualismo, o que de fato ocorreu e ainda continua em progresso em nossa sociedade. Com o surgimento de movimentos cristãos pós modernos como a igreja emergente e movimentos neo-carismáticos, uma abertura para práticas místicas oriundas dos cultos de mistérios, ocultismo, misticismo neoplatônico e esoterismo se infiltraram nesses segmentos da igreja, o pentecostalismo tem sido seriamente afetado por essa infiltração esotérica, por manter uma porta aberta para experiências místicas subjetivas sem ter um efetivo permanente do teste dos espíritos descrito em I João 4:1 a 6. E o que falar da psicologia junguiana, não é tão popular em nossos dias, não foi a psicologia, um sistema teórico que foi integrado ao ministério cristão? Peter Jones, na Introdução do excelente livro “Bruxaria Global — Técnicas da espiritualidade pagã e a Resposta Cristã” (Editora Cultura Cristã) escreveu: “A psicologia junguiana é agora, uma fonte inesgotável de ocultismo” e esse ocultismo entra disfarçado de psicologia aceita como ciência pela pós-modernidade.

Em A Sedução do Cristianismo, o apologista cristão Dave Hunt advertiu que o espiritualismo e o ocultismo estão invadindo a igreja cristã moderna, (ele escreveu isso na década de 1990!) promovendo uma apostásia generalizada que preparará o caminho para o engano final dos últimos dias. Ele criticou a influência dos ensinamentos do movimento Nova Era, como pensamento positivo, visualização e psicoterapia, que substituem a verdadeira fé em Deus por um poder interno ou "fé" que manipula a realidade. Hunt alertou que essa infiltração espiritual levará muitos cristãos a aceitar a mentira de que o homem pode se tornar deus, o que enfraquece a doutrina bíblica e abre espaço para o Anticristo operar sinais e prodígios enganosos. Essa apostasia é vista como parte do grande engano que antecede a volta de Cristo, por isso ele chamou os cristãos à vigilância e discernimento espiritual.

Em resumo, Ferguson sustentava que a “Conspiração Aquariana” era um movimento coletivo, aberto e positivo, que buscava uma renovação profunda da consciência humana, inspirando esperança, reflexão e ação para enfrentar os desafios contemporâneos e criar uma nova era de possibilidades. Sua visão ambígua e relativa acerca da verdade moldou todo seu otimismo pragmático.

O ocultismo é falível e oposto a obra, autoridade e poder de Deus (Daniel 4:7 Êxodo 8 I Timóteo 4:1 e Malaquias 3:5). É uma contaminação espiritual e está associada a rebelião contra Deus, rebelião é a principal característica dos anjos caídos (I Samuel 15:22, Judas 1:6 Apocalipse 12:4) associado ao engano ímpio (Apocalipse 9:21 e 18:23) está vinculado a apostásia moral e espiritual (Isaías 19:3) associado e vinculado ao processo de abominações (II Reis 23:24) Associado ao engano e ao ilusionismo e aos falsos profetas (Atos 8:11 e 13:6)

 

Fontes de Consultas:



 https://dialnet.unirioja.es/descarga/articulo/5262451.pdf


https://www.youtube.com/watch?v=mh-SXvUk5NI


https://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Conspira%C3%A7%C3%A3o-Aquariana/932830.html


https://proximolivro.net/conspiracao-aquariana-a/303108


https://www.podomatic.com/podcasts/momentosdepaz/episodes/2011-09-11T00_46_27-07_00.

 

https://www.academia.edu/12585077/Conspira%C3%A7%C3%A3o_aquariana_revisitada_correla%C3%A7%C3%B5es_com_as_filosofias_de_Henri_Bergson_e_William_James

 

Livros indicados (que foram consultados) :

Bruxaria Global- Técnicas da Espiritualidade Pagã e a Resposta Cristã – Organizado por Peter Jones- Diversos autores- Editora Cultura Cristã

A Sutil Sedução da Igreja – Alexander Seibel – Editora União Cristã

O Mito da Nova Era – Pablo Capana – Editora Ave Maria

História do Esoterismo Mundial – Hans- Dieter Leueberger – Editora Pensamento

A Sedução do Cristianismo – Dave Hunt e T. A. McMahon – Obra Missionária Chamada da Meia Noite

A Conspiração Aquariana – Marilyn Fergunson- Editora Nova Era

 

Sugestão de website para um aprofundamento do tema:

 

https://www.lighthousetrailsresearch.com/

 

Teosofia: Uma Religião sem Deus.

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 Teosofia: Uma Religião sem Deus.

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Jacob Boehme (Pai do Teosofismo Primitivo)

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Jacob Boehme (1575-1624) foi um Sapateiro e escritor, desenvolveu um sistema teosófico abrangente ( teosofia ) baseado em experiências visionárias ("visão central" mística no mistério de Deus e de todas as criaturas) , que está ligado às Sagradas Escrituras, mas vai muito além delas e contém muitos conceitos esotéricos e uma grande influência de do gnosticismo e neoplatonismo por exemplo:

·         Alquimia,

·         Espiritualismo,

·         desenvolvimento evolutivo de Deus e do mundo,

·         Divisão do céu e do inferno em níveis e hierarquias de espíritos.

Böhme nega a justificação por meio da morte sacrificial de Jesus Cristo e, em vez disso, ensina um novo nascimento no sentido de uma transformação espiritual por meio da luz da natureza e do Espírito Santo. Muitos pietistas seguiram Böehme sem, é claro, adotar seu sistema como um todo.  A influência de Boehme no pietismo radical e também no pietismo mais moderado não deve ser subestimada. O historiador da igreja Armin Sierszyn diz:

"A influência de Boehme na história das idéias é enorme. A ortodoxia o combate, pietistas radicais, panteístas, maçons e esoteristas se sentem ligados a ele ... O quieto Jakob Böhme, que aderiu à igreja luterana por toda a vida, torna-se ... o pai do pietismo radical ou entusiasta. "

( L. Gassmann, Pietismus woin?, 2003.)

A teosofia desenvolvida por Boehme é mais inclinada aos conceitos cristãos (por influencia da teologia luterana) é pois o único místico de linha protestante a ter uma influência que ultrapassa o tempo. Boehme negou o sacrifício por expiação e a redenção pelo sangue de Cristo, embora não tenha negado de certa forma, a sua divindade e a sua encarnação como o Verbo de Deus, por esse motivo, o sistema de Boehme é mais perigoso e sutil, embora de certa forma, como Madame Guyon, há muitas idéias que podem ser verdadeiras, outras são apenas interpretações alternativas a temas complexos como a teodiceia. A teosofia de Boehme é diferente da teosofia de Blavatski, que mergulha no paganismo para buscar respostas espirituais, a reação contra isso veio de Rudolf Steiner, criador da  antroposofia que abandonou a visão de Blavatski e adotou uma visão cristã, o sistema da antroposofia é mais inclinado a fé cristã, embora Steiner ainda seja um esotérico. Esses movimentos sincréticos apenas adotam as velhas abordagens do neoplatonismo e do gnosticismo, devemos tomar cuidado com esse movimentos heterodoxos, pois são fontes em ebulição que espiritual que promovem heresias perigosas.

 

C. J. Jacinto