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QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

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QUANDO O ENCANTO DO ENGANO SE QUEBRA NO INFERNO

 




C. J. Jacinto

 

 

Em Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, Jesus apresenta a parábola do rico e de Lázaro. Esta passagem bíblica, de grande importância, expõe de maneira clara a condição pós-morte, tanto para os justos quanto para os injustos. O texto, freqüentemente objeto de debate entre crentes e críticos, revela, nas próprias palavras de Jesus, o significado e a relevância da doutrina da vida após a morte, conforme ensinada por Ele, nos evangelhos e em todo o Novo Testamento. A narrativa oferece profundas lições a serem compreendidas. Minha reflexão se concentra no homem rico anônimo retratado por Jesus, que desfruta de uma existência opulenta e luxuosa, entregue a uma satisfação plena. Seduzido pelo encanto do materialismo, ele se entrega a uma vida de esplendor e conforto, permanecendo alheio às questões da vida após a morte. Este homem secular, iludido, encontra-se cativado pela ilusão do brilho material, pela busca incessante do conforto e pela satisfação do ego. Contudo, a vida chega ao fim abruptamente. Esta é a lei estabelecida pelo Senhor desde o princípio, após a queda: "Tu és pó, e ao pó retornarás." (Genesis 3:19) Para o homem secular, contudo, a morte parece um evento distante, algo que sempre acontece aos outros, mas nunca a ele. Chega, porém, a sua hora.

No capítulo 16, versículo 23, Jesus descreve que o homem rico, após a morte, despertou em sofrimento. Encontrava-se no Hades, atormentado. A punição era a consequência de sua incredulidade e de uma vida sem arrependimento. Anteriormente, havia se deixado iludir pela sedução do engano; contudo, o encantamento se desfez. Ali, naquele lugar de tormento, onde seria julgado pelos seus pecados, experimentava a doutrina da danação eterna, o lugar dos ímpios após a morte. Nas Escrituras Sagradas, o seu destino é o lago de fogo eterno, conforme descrito nos últimos capítulos do livro do Apocalipse. (Apocalipse 19:10, 20:10 e 15)

 Nos primeiros capítulos de Gênesis, observa-se que Eva foi seduzida pela persuasão sutil da serpente, que a induziu ao pecado da desobediência. “A mulher sendo enganada caiu em transgressão” (I Timóteo 2:14) O discurso da serpente, carregado de encanto, cativou Eva e, por conseqüência, Adão, levando-os a consumir o fruto proibido. A fala da serpente, dotada de um poder mágico, encantou-os com grande astucia (II Coríntios 11:3). Desde então, percebe-se a grande força sedutora do engano. ( Leia atentamente II Tessalonicenses 2:9 e 10 para ver a eficácia do poder sedutor e encantador de satanás)

  A falsidade e o erro têm a capacidade de iludir as pessoas, que se tornam presas dessa ilusão. (Apocalipse 13:14) Essa fascinação se desfaz, seja por meio da pregação profunda e verdadeira do Evangelho, seja pela morte, quando a pessoa percebe a realidade da sua condição se estiver miseravelmente perdida. É nesse momento que o encanto do engano se rompe, revelando a verdade real, como ocorreu com o homem rico. “Porque estou atormentado nesta chama” (Lucas 16:25 compare o uso punitivo do tormento em Apocalipse 20:10)

É notável, com certa ironia, como frequentemente nos recordamos dos encantadores de serpentes do Oriente Médio, que, ao som de uma flauta, conseguem hipnotizar e controlar esses répteis. Contudo, na Bíblia Sagrada, a situação se inverte: é a serpente que encanta os seres humanos, induzindo-os a um estado de fascínio profundo e duradouro. (Apocalipse 12:9) Reafirmo, portanto, de maneira clara, que esse encantamento somente se desfaz mediante a atuação de pregadores cheios do Espírito Santo, que utilizam a Palavra de Deus como instrumento de transformação e purificação. A pessoa, do início ao fim de seu engano, permanece cativa de uma visão distorcida da realidade, conduzindo-se a um entorpecimento contínuo. Grande parte da humanidade encontra-se sob o efeito desse terrível encantamento, o encantamento da serpente, o encantamento do engano, o encantamento da mentira.

O outrora abastado agora se vê em desespero. A verdade, antes negligenciada, revela-se em sua totalidade. Suas ilusões desvaneceram-se, e o encanto que o envolvia se dissipou. Desiludido, confronta a realidade. As palavras que outrora ridicularizara e desacreditara ressoam agora em sua mente. Após uma vida de descrença, suponho que, jamais imaginou a existência de um inferno, uma punição eterna, um lugar de tormento perpétuo. Considerava tal conceito impossível, incompatível com a bondade divina. Nutriu essa visão durante toda a sua vida, assim como muitos ateus e incrédulos ainda o fazem atualmente, sob o mesmo modo de pensar. Conforme demonstraremos ao longo deste artigo, o poder do engano exerce um fascínio sobre as pessoas, a ponto de ser difícil compreender como alguém pode se prostrar diante de uma imagem de escultura e associá-la à mãe de Jesus ou mesmo a Deus. Essa atitude, em certa medida, pode ser atribuída ao engano. O encanto da ilusão, do erro e da heresia turvou-lhe a percepção, impedindo-o de enxergar a realidade.

 Analisemos atentamente essa passagem, a ruptura da ilusão, a ilusão do homem rico. Conforme Jesus relata no versículo 23, no inferno, o rico, em meio aos tormentos, ergueu os olhos e avistou, ao longe, Abraão e Lázaro em seu seio. No versículo 24, o rico suplica, dizendo: "Pai Abraão, tem compaixão de mim e envia Lázaro para que molhe a ponta do dedo na água e me refresque a língua, pois sofro muito nestas chamas." Nessas palavras, revela-se a percepção direta e inequívoca de uma realidade que ele jamais poderia ter imaginado: a morte e o tormento eterno. Ali estava aquele homem, e naquele momento a ilusão se desfez; não há como negar a existência de Deus, a vida após a morte e a perdição eterna quando o pior dos ímpios entra no outro lado da vida. Tais realidades se apresentam agora em sua forma mais crua. Não há abstração nesse texto; é uma narrativa concreta que, ao ser lida, deveria causar profunda reflexão, pois o homem, naquela situação, encontrava-se irremediavelmente condenado.

 Analisemos, portanto, as formas de convicção que se manifestam com freqüência em nossos tempos. Inicialmente, consideremos a postura e o estado de espírito dos ateus. Atualmente, a militância neoateísta apresenta uma grande proeminência. Os ateus, muitas vezes, exibem uma postura de orgulho, procurando se apresentar como intelectuais, atribuindo à razão o papel de guia para a sua existência e para a compreensão da eternidade. Eles se colocam em uma posição de superioridade intelectual e acadêmica. A razão, desde a Revolução Francesa, continua sendo exaltada e reverenciada pelos ateus e por aqueles que depositam na ciência sua principal fonte de crença. “Há um caminho que parece direito ao homem, mas o seu fim ao os caminhos da morte” (Provérbios 16:25)

Em consequência, adotam uma postura marcadamente humanista, confiando em seus próprios juízos e critérios para avaliar verdades transcendentais. Dessa forma, assumem uma postura negacionista, rejeitando a existência da alma, do inferno, da vida após a morte, de Deus, do Evangelho e da necessidade da salvação através da obra consumada e perfeita de nosso Bendito Senhor Jesus Cristo. Este é o cerne da questão. No entanto, a crença encantada de cada ateu que, ao morrer, experimenta a realidade no Hades, assim como o rico na parábola bíblica, o encantamento da incredulidade se quebra  naquele momento. Ali mesmo naquele primeiro minuto ao morte, deixam de ser ateus para acreditar na realidade do inferno, na vida após a morte e na existência de sua própria alma. Contudo, essa compreensão surge tardiamente. O encantamento se desfaz, mas a condição alcançada é irreversível.
Não podemos nos deter neste ponto, pois ainda há aspectos a serem explorados dentro da temática da ilusão encantada  do engano. Abordamos a questão dos esotéricos e espiritualistas nas suas variadas formas. A maioria deles, certamente, nutre a esperança de realizar grandes feitos em vida, visando a obtenção de uma boa reencarnação e uma existência futura, de modo que toda a sua existência é orientada por essa crença. Tudo se concentra na busca por uma nova encarnação com bons karmas, que lhes proporcionem a oportunidade de uma evolução espiritual posterior. Contudo, ao observarmos o rico no lugar de tormento, constatamos que ali não há evolução espiritual, nem sistema kármico, tampouco a roda da reencarnação. Trata-se, simplesmente, de um ciclo que se encerra. Uma porta que se abriu e se fechou. Um lugar de onde a única saída é para o Lago de Fogo. “Está posto um grande abismo entre nós e vós” (Lucas 16:26) Essa é uma realidade difícil de ser assimilada nos dias atuais, pois o homem se encontra fragilizado espiritualmente para compreender uma doutrina tão impactante quanto a do inferno eterno. Contudo, essas são as palavras de Jesus, o absoluto que se encarnou, Deus que se fez homem, trazendo para nós uma história que deve ser valorizada, refletida e proclamada como advertência a todos os homens. Nesse contexto, cada pessoa que acredita na reencarnação, na evolução espiritual, como defendem e ensinam o esoterismo, o ocultismo e o espiritualismo, está sujeita à uma grande e devastadora desilusão. O encantamento do engano será desfeito, a ilusão se romperá, pois naquele dia, ao cruzarem os portais da morte, quando seus olhos se abrirem e virem que estão em chamas, o encanto dessa falsa esperança se dissipará, restando apenas a verdade nua e crua: a punição eterna. O inferno existe. “E, como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo depois disso o juízo” (Hebreus 9:27)

Prosseguindo com a análise, observamos que um grande número de pessoas professa e acredita, sem base bíblica, na possibilidade de reconciliação após a morte. Muitas delas nutrem a crença no purgatório, conduzindo suas vidas sob a égide dessa ilusão. Trata-se da idéia, por vezes considerada encantadora, de que mesmo aqueles que professam a fé cristã adulterada, aos moldes de um “outro evangelho” (Gálatas 1:8) ao morrerem, passarão por um período no purgatório. Lá, em um processo de purificação por fogo, seriam expurgados os pecados considerados não capitais, com a expectativa de que, após essa purificação, adentrarão o paraíso.

 Essa crença, frequentemente, é mantida com convicção e esperança por milhões de corações encantados que esse mentira mágica. A possibilidade de reconciliação pós-morte, nesse lugar inexistente nas Escrituras – o purgatório – implicaria em sofrimento através do fogo, com o objetivo de sofrer para supostamente apagar os pecados e, assim, alcançar a vida eterna. Adicionalmente, acredita-se que missas, esmolas, orações e boas ações realizadas por outros, em memória do falecido, ou mesmo a simples luz de velas, no Dia de Finados, contribuiriam para a libertação dos infelizes enganados desse lugar.
 Contudo, ao morrer, essas pessoas encontrarão a mesma situação do rico na parábola bíblica. Diante das chamas eternas do Hades, a ilusão que as sustentava – a falsa esperança de alcançar a vida eterna após a morte, como se o sacrifício de Cristo na cruz fosse incompleto e necessitasse do fogo do purgatório para ser aperfeiçoado – será desfeita. Este é um engano colossal, que inevitavelmente se confrontará com a realidade crua e definitiva, pois não há purgatório. Existe o Hades, e após o Hades, o Lago de Fogo.  “A morte e o inferno (No grego. o Hades onde o rico estava) deram os mortos que ele havia, e forma julgados...e a morte e o inferno (Hades) foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte” (Apocalipse 20!3 e  14) Depois da morte é o juizo (Hebreus 9:27) É a condenação, não a restauração seja por reencarnação ou por purgatório

 Contemplemos, por mais um instante, aqueles que, de certa forma, advogam a crença no sono da alma. Imaginam eles que, ao findar a existência terrena, a alma adormece na sepultura, permanecendo inconsciente e alheia à vida pós-morte. Acreditam fervorosamente que essa é a condição do ser humano após a morte, e, por conseguinte, muitos daqueles que nunca professaram genuína fé em Cristo, que jamais O reconheceram como o caminho, a verdade e a vida, e que não se converteram a Ele nem O serviram segundo o Evangelho autêntico, não foram, em essência, cristãos segundo a Bíblia, sentirão o impacto do desmantelamento do encantamnto da mentira chamada de “sono da alma” e nesse sentido, para muitos  aniquilacionistas e universalistas, o choque emocional será são terrível quanto ao rico  “E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos” (Lucas 16:23), o rico viu, sentiu, percebeu, entendeu, calculou, lembrou, pediu, e se emocionou, mas era tarde demais, para o leitor, ainda há tempo! Converta-se a Cristo, Creia em Cristo, Confie em Cristo, Siga a Cristo.

Para aqueles que sustentam a crença no sono da alma, o momento da transição, quando deixarem esta vida para ingressar na outra, será de súbita surpresa e espanto. Aquilo que conceberam como sono revelar-se-á, na verdade, um pesadelo, pois as chamas da aflição se apresentarão diante de seus olhos. Estarão conscientes, cientes de toda a situação, de toda a tribulação e de todas as aflições, inclusive lembrando-se de cada aspecto de suas vidas, e recordando que muitos outros compartilham o mesmo engano, o de que a alma repousa na sepultura após a morte. Ali, a ilusão se dissipará, o erro será desfeito, pois diante deles estará a realidade crua: chamas atormentadoras diante de todos os perdidos.

 Aqueles que jamais abraçaram o Evangelho e que nunca aceitaram a Cristo como Salvador, nunca se arrependeram de seus pecados e nunca se converteram ao Evangelho crendo que, caso não fossem salvos e redimidos, estariam no Hades em tormentos, aguardando o julgamento eterno para, posteriormente, serem lançados no lago de fogo, testemunharão a terrível verdade: a punição eterna existe, o encanto do engano se quebra totalmente lá. As mais notáveis testemunhas da existência do juízo divino serão aqueles que a negaram quando viveram neste mundo!

Há, ainda, indivíduos em situação mais lastimável, pois sustentam a crença de que o ser humano é unicamente um corpo biológico, desprovido de alma. Equiparam o homem a animais, como cavalos ou bois, considerando que a morte representa a extinção completa, a dissolução no pó, sem qualquer vestígio de consciência ou vida após a morte. Essas pessoas, ao ingressarem na eternidade, confrontarão a magnitude dessa realidade, percebendo que suas convicções eram ilusórias, um engano fatal. O feitiço dessa ilusão, que moldou seus pensamentos e crenças sobre a natureza humana, será quebrado. Aqueles que negam a existência de uma alma imortal e pregam a visão do homem como um mero ser biológico, ao abrirem os olhos na eternidade, assemelhar-se-ão ao rico da parábola, compreendendo, com desespero, o erro absoluto de suas convicções. Levarão estes, um choque de realidade, pois com o quebrar do encanto do engano, perceberão com toda a intensidade após a morte, aquilo que insistiam em negar em vida.

 Desejo, ainda, reiterar a respeito daqueles que, embora nutram a crença na vida após a morte, fundamentam sua esperança na própria capacidade e conduta: as boas obras. Consideram que, por serem pessoas de bem, honestas e integras, Deus não as condenaria ao sofrimento eterno. Depositam sua confiança em suas ações e méritos, acreditando que a prática de boas obras lhes garantirá o perdão e a vida eterna. Vivem seguras e felizes confiando em suas próprias obras como moeda de troca para comprar a vida eterna, fazem isso muitos ditos cristãos, confiando no esforço próprio como meio de alcançar o céu em puro desprezo pela morte de Cristo na cruz.

Contudo, essa perspectiva não condiz com o cerne do Evangelho. Este não se fundamenta na capacidade humana de alcançar a salvação, pois tal intento é inatingível. O Evangelho proclama a salvação através do sacrifício de Cristo na Cruz do Calvário. Portanto, nossa confiança não deve residir em nossas boas obras ou méritos, mas sim na obra redentora, completa e perfeita, realizada por Cristo. Nossas obras são coisas corruptíveis, não possuem poder de auto-redenção, somos comprados pelo precioso sangue de Cristo, nossas boas obras são corruptíveis (contaminadas) mas o precioso sangue de Cristo é incontaminado (I Pedro 1:18 e 19)

 Aqueles que confiam nas obras para alcançar a salvação, no momento em que a morte os alcançar e, após, no Hades, constatarão a desilusão, assim como o homem rico na parábola. A verdade se revelará, mostrando que suas ações não foram suficientes para garantir a salvação eterna. A essa altura, será tarde demais, pois terão negligenciado a fé na obra de Cristo na Cruz, preferindo a autoconfiança. Essa postura, baseada na autossuficiência, constitui um grave pecado, pois implica em desmerecer o sacrifício de Cristo.

 Há alguns dias, assisti a um documentário sobre hindus que creem no poder sagrado das águas do rio Ganges. Alguns deles se submetem a um ritual de morte, falecendo próximos ao rio. Seus corpos são então cremados, e as cinzas são lançadas no Ganges, acreditando que isso lhes garantirá o paraíso e o fim do ciclo de reencarnação. Imagino a sinceridade dessas pessoas em suas crenças, embora considero-as equivocadas. A doutrina hindu as teria conduzido a esse erro. Creio que, na eternidade, elas reconhecerão essa falha. Ali, compartilhando a experiência do homem rico da parábola, enfrentarão tormentos e decepções, pois as águas do Ganges não possuem o poder de purificar os pecados. A purificação, segundo o Evangelho de Jesus Cristo, reside no sangue de Jesus. “O Sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I João 1:7) Imagino a desilusão dessas pessoas no instante após a morte. Enquanto, neste mundo, rituais de cremação e lançamento de cinzas no Ganges são realizados em seu favor, elas enfrentarão a realidade da eternidade, percebendo a futilidade dessas ações. O sofrimento do juízo as aguarda. encantamento do engano será quebrado.

 A morte, desde sempre, representou um enigma que instigou a curiosidade humana. Essa fascinação se manifesta, por exemplo, na religião egípcia antiga, com suas múmias e faraós divinizados. Encontramos reflexos dessa busca em textos antigos como o Livro Tibetano dos Mortos, que descreve os processos de purificação e a jornada para o reino dos mortos, com suas luzes e rituais complexos que visam proporcionar uma experiência transcendente após a morte. No entanto, esses rituais e informações divergem substancialmente do Evangelho.
 Ao analisar a descrição do estado do rico, observamos a presença de uma espécie de luz. Essa luz permite que ele veja, observe, distinga formas, sinta e se lembre. A narrativa sugere uma situação reveladora, com uma luz que expõe sua condição, incluindo o desespero e a percepção de chamas. Essa clareza revela a verdade crua.

 Portanto, não é surpreendente que muitos relatem experiências de quase-morte com um túnel de luz. A experiência do rico também indica que ele não estava em trevas, mas sim em uma situação de discernimento, vivenciando sua condição de maneira vívida.
 Minha análise se concentrará na descrição de Jesus sobre o evento envolvendo o rico e Lázaro. Especificamente, examino a condição do rico após sua vida de opulência terrena. Suas crenças equivocadas, estilo de vida e perspectivas futuras estavam distorcidas. De maneira semelhante, grande parte das religiões contemporâneas apresenta um evangelho deturpado e esperanças infundadas. Jesus afirmou, em João 14:6: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, a não ser por mim." Ele proferiu essa declaração de forma exclusiva. Independentemente de discordâncias, Jesus Cristo se apresenta como o único caminho para o Pai, sem qualquer outra alternativa. Da mesma forma, Paulo declara que Jesus é o único mediador entre Deus e os homens.

 Essas verdades se somam: crenças equivocadas conduzirão as pessoas a uma dolorosa percepção quando a ilusão de suas convicções for desfeita pela realidade da perdição, pois não confiaram integralmente em Cristo, mas em algo além Dele. Muitos crêem, com sinceridade, que Maria é mediadora e que, em certas circunstâncias, pode conduzir alguém ao céu por ser co-redentora. Contudo, tal ideia não encontra respaldo nas Escrituras; trata-se de uma fantasia, uma fábula sedutora.
 Caso não se creia em Cristo como o único caminho, não haja conversão, arrependimento dos pecados e seguimento de Cristo em vida, não O encontraremos na vida por vir. É fundamental compreender isso, por mais que essa mensagem possa ser politicamente incorreta ou dissonante no contexto atual, em meio a púlpitos superficiais e pregadores temerosos que relutam em proclamar a verdade, pois seus interesses se concentram em aplausos, fama, prestígio e, acima de tudo, dinheiro.

 Todavia, afirmo a verdade fundamental: todo aquele que não tiver o nome escrito no livro da vida será lançado no lago de fogo. Sem crença, arrependimento, conversão, abandono dos pecados, novo nascimento e aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, sem uma genuína experiência de regeneração, não haverá salvação. A ilusão se desfará se não houver fé em Cristo, e pode ser tarde demais ao se revelar a farsa da descrença, o diabo usa a sua indiferença as coisas espirituais como arma para destruir você. Ele encanta apostatas, seduz com idéias que parecem tão boas, mas são sementes de desobediência e engano, essa é a feitiçaria do diabo: “Não vá a igreja, não adore, não leia a bíblia, não estude os evangelhos, não participe da escola Dominical, não cultue, não ore, não se congregue, não leia bons livros escritos por homens piedosos” suas sugestões encantadoras são quase infinitas, e se nas fabulas, o canto da sereia encanta, na vida real, o encantamento vem pelas sugestões do diabo

 Com o intuito de aprofundar minha exposição, considerando a situação aflitiva daquele homem rico, atormentado pelas chamas, desejo abordar uma questão crucial: a condição espiritual de muitos frequentadores de igrejas evangélicas que, embora presentes em seus templos, jamais experimentaram o novo nascimento.

 Essas pessoas, muitas vezes, nutrem crenças que divergem da verdadeira essência do Evangelho. Podem acreditar na regeneração batismal, na salvação condicionada ao cumprimento de rituais, como o dízimo, ou na mera posse de um cartão de membro ou certificado de batismo, ou profissão de fé meramente formal. Acreditam, equivocadamente, que sua filiação a uma instituição religiosa lhes garante a salvação. Tais indivíduos, na realidade, podem ser considerados crentes nominais, distanciados da genuína experiência da fé e da transformação operada pela regeneração. Crêem nos discursos superficiais dos pregadores modernos que confirmam a salvação até do mais ímpio dos seres humanos, desde que estes sejam fieis dizimistas e façam parte da estatística da membresia. Abraçam a religião, confiando nas palavras desses  pregadores que, por vezes, não transmitem a mensagem autêntica do Evangelho. Embora possuam vínculos formais com a igreja, como o cartão de membro, e sejam incentivados a práticas como ofertas, dízimos e frequência aos cultos, essas ações, por si só, não garantem a salvação.

 A condição para a entrada no Reino de Deus é o novo nascimento, a aceitação de Cristo como Senhor e Salvador, a crença em seu sacrifício pelos pecados e a vivência coerente com essa fé. (João 3:3 Hebreus 6:1 Provérbios 4:25 Colossenses 3:1 Romanos 6:4 e 12:2 etc) Essa transformação deve permear a totalidade da existência, resultando em uma vida de testemunho da morte e ressurreição de Cristo, e da mudança que a conversão ao Evangelho promove.  Se alguém está em Cristo, nova criatura é” (II Coríntios 5:17)

 São essas evidências que atestam a vivência um homem que aderiu ao verdadeiro Evangelho, distinguindo-a das falsas religiões, que, por vezes, se disfarçam sob a aparência de igrejas evangélicas. Um homem regenerado é um cristão bíblico, que defende os fundamentos da fé e tem comunhão com a Verdade.

 Tenho abordado com honestidade o poder de sedução do engano, que cega as pessoas. De fato, esta é a estratégia do diabo. Paulo menciona que o deus deste século, na perspectiva dos descrentes, obscurece a luz do Evangelho. Ele também afirma que Satanás se disfarça como um anjo de luz. Impressionante, uma transfiguração satânica que atrai as pessoas a um brilho enganoso, levando-as a acreditar em uma aparência angelical falsa. Muitos estão obscurecidos por uma cegueira intelectual, cativados e quase subjugados por esse engano sedutor, que impede o ser humano de compreender sua própria condição espiritual. É angustiante perceber essa realidade. O homem rico da passagem de Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31, simboliza aqueles que hoje vivem sob o jugo do engano, aprisionados por ele.

 Como se observa no livro de Apocalipse, um sistema babilônico, a Babilônia, a religião dos mistérios, conseguiu enganar todas as nações, de modo que estas, e todos sob seu domínio, estão intoxicadas por um êxtase pernicioso, tornando-se indiferentes à sua situação. (Apocalipse 18:1 a 4) Essa constatação é profundamente perturbadora. Freqüentemente nos questionamos sobre a indiferença de muitos perante a realidade do inferno. A explicação reside, talvez, no fato de que, segundo sua própria compreensão, há uma ilusão, uma espécie de encantamento que os torna insensíveis. “Nos quais o deus deste século cegou os entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus” (II Coríntios 4:4)

 Que Deus, através de seu Santo Espírito, possa abrir os olhos de muitos através desta mensagem, proclamada neste artigo, publicado livremente para que aqueles que estão sob esse feitiço possam, o mais rápido possível, despertar desse sono profundo e perceber sua condição espiritual antes de deixarem este mundo.

A VERDADE ACERCA DA VIDA APÓS A MORTE E A MEDIAÇÃO EXCLUSIVA DE CRISTO.

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C. J. Jacinto

 

Em Lucas, no capítulo 16, versículos 19 a 31, encontramos a narrativa de Jesus sobre o Rico e Lázaro. Algumas traduções da Bíblia apresentam um subtítulo que a identifica como a parábola do Rico e Lázaro. É importante ressaltar que, nos textos originais, não há menção explícita de que se trata de uma parábola. Mesmo que Jesus tenha empregado a parábola como recurso didático, a comparação entre parábolas, dentro de um contexto bíblico, deve ser feita com cautela. Essa consideração é fundamental para evitar interpretações heréticas da Palavra de Deus. Explicarei os riscos envolvidos em análises inadequadas.

 Ao empregar parábolas, Jesus não recorria à ficção. Suas narrativas não se assemelham às obras de Monteiro Lobato ou às fábulas de Esopo. Ao utilizar parábolas para comunicar verdades espirituais e doutrinárias, Jesus se valia de situações e elementos reais, com o intuito de conduzir seus ouvintes a uma compreensão mais profunda.

Consideremos, por exemplo, a parábola do semeador, em Mateus, capítulo 13. O semeador, a semente, o solo pedregoso e o sol representam elementos concretos do contexto cultural da época de Jesus e do Novo Testamento. Jesus tomava fatos da realidade e os aplicava a ensinamentos com o objetivo de instruir seus ouvintes.
 Essa abordagem é essencial para a compreensão das parábolas, especialmente no que concerne a Lucas, capítulo 16, versículos 19 a 31. Independentemente de se tratar ou não de uma parábola, a narrativa apresenta elementos factuais.

 Aqueles que buscam desvirtuar o texto, interpretando-o como uma fábula para justificar suas próprias crenças, como os defensores do sono da alma ou os que negam a imortalidade e a vida após a morte, tentam manipular o texto sagrado, principalmente esse trecho específico. Eles buscam convencer outros de que Jesus utilizava fábulas sem nenhuma base na realidade. Essa interpretação é equivocada. Ao defender tal visão, a pessoa demonstra ter sido induzida ao erro. A narrativa apresenta fatos concretos.
 Examinemos a vida do homem rico. Ele permanece anônimo, pois o Senhor Jesus não menciona seu nome. Contudo, podemos inferir que seu comportamento refletia a incredulidade e a impiedade. Ele não nutria fé na vida após a morte, depositando sua confiança no deus Mamon. Confiante em seus recursos e considerando suas riquezas como sua divindade, vivia de forma opulenta e se sentia seguro. Descrente da existência de uma vida pós-morte, possivelmente nem sequer a cogitava. Era, em suma, um materialista, um reducionista. Acreditava que a vida se iniciava e terminava aqui, restando apenas aproveitar o presente, findando-se com a morte e a extinção. No entanto, ao findar sua existência terrena e abrir os olhos para uma nova realidade, encontrou-se perdido, em tormentos. Esse choque de realidade resultou em profundo desespero.
 Examinemos agora a vida de Lázaro com maior atenção. Ele era um mendigo, um indivíduo em necessidade. Sua vida era marcada pela pobreza, mas, apesar disso, residia nele uma riqueza singular: a riqueza da fé. É imperativo interpretar a narrativa da vida de Lázaro à luz dos ensinamentos de Jesus, que relatou esta história. Jesus ensinou de maneira clara que a salvação é alcançável através da fé nele. Portanto, o destino de Lázaro foi, naturalmente, consequência de sua fé e confiança, especificamente, sua confiança em Jesus Cristo. Essa fé o conduziu ao paraíso, onde encontrou segurança. Embora não seja o propósito desta análise, é importante reconhecer a natureza transitória desse local. O foco principal reside na salvação de Lázaro, que evidencia o contraste entre sua vida e a vida do rico. Esta narrativa, portanto, demonstra a existência da vida após a morte, com a possibilidade de condenação eterna e salvação eterna. Consequentemente, a fé em Jesus Cristo é o fator determinante do destino de nossa alma.

 Analisemos novamente a situação do rico. Ele, ciente de sua condição, percebeu tardiamente a verdade. A vida não se encerra com a morte. Ele permanece consciente, aprisionado em um lugar de sofrimento e grande tormento. Observamos em seu desespero a percepção de sua condição atual, a qual o leva a recordar a vida terrena, com sua família, que agora se encontra distante. Subitamente, a morte o alcançou, lançando-o em uma situação difícil, irreversível. Essa é a condição desse homem. Concluímos, assim, que muitos, ao partirem desta vida, enfrentarão circunstâncias semelhantes, marcadas por um profundo desespero.


Em meio à intensa angústia e desespero, agravada pela consciência de seu sofrimento e pela lembrança de seus irmãos ainda vivos na terra, destinados à mesma condição, o rico vislumbra ao longe Abraão, o pai na fé dos cristãos. A figura de Abraão, amplamente mencionada por Paulo na Epístola aos Gálatas como modelo de fé, a quem o Evangelho foi pregado e a quem a fé foi creditada como justiça, surge como uma possível esperança.
 Considerando a santidade e a proeminência de Abraão no Antigo Testamento, ele se apresenta como o potencial representante, intercessor e mediador entre os vivos e os mortos. É a Abraão que o rico se volta em busca de auxílio, na esperança de encontrar uma solução, mesmo que não para si, mas ao menos para seus irmãos. Nesse estado de sofrimento, o rico deposita sua confiança em Abraão, o grande patriarca, buscando em sua intercessão uma saída para a situação de seus entes queridos.


Observamos, portanto, que o homem rico, em desespero e consciente de sua condição no pós-vida, faz um apelo. Persistindo em seus equívocos, tal qual quando em vida, ele permanece com uma compreensão errônea das questões espirituais. Ciente dessa situação, ele dirige seu apelo a Abraão, confiando em sua posição. Ele reconhece a importância de Abraão no contexto judaico, ciente de sua relevância no Antigo Testamento. Em sua súplica, ele acredita que Abraão poderia intervir e mediar em favor de seus irmãos na Terra, buscando amenizar sua situação.

 Diante de nós, vemos um homem em erro. Ele dirige suas súplicas e rogos à pessoa equivocada. De modo semelhante, hoje, muitas pessoas, no curso de suas vidas, em relação às questões da vida após a morte, dirigem suas preces a indivíduos inadequados. Não nos diz a palavra de Deus, em 1ª Timóteo, capítulo 2 e capítulo 5, que há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem? Como podemos confiar nossa alma, nosso destino eterno, a outros seres humanos, como fez aquele homem? Intercedendo e clamando à pessoa errada, entregando os cuidados das almas de seus irmãos a indivíduos inadequados. Abraão nada pôde fazer por eles, assim como hoje também não o pode. Nem Maria, nem Pedro, nem João, nenhuma pessoa que tenha falecido pode fazer algo por nós. A parábola do rico e Lázaro desmascara essa heresia, essa confiança em pessoas equivocadas, um erro tão grande quanto o do homem rico no Hades. Ele, do abismo do inferno, clama a Abraão, pedindo que socorra seus irmãos, que corriam o risco de ter o mesmo destino que ele. Essa é a questão que deve ser considerada, pois essa parábola ensina isso, e pessoas que se dizem cristãs jamais podem ignorar esse ensinamento tão precioso e sério de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

 É evidente que a narrativa bíblica apresenta um caso de equívoco: o homem rico, em sua condição desfavorável, buscou auxílio na pessoa errada. Similarmente, muitos indivíduos contemporâneos, em busca de soluções espirituais, direcionam-se a fontes inadequadas, sem respaldo nas Escrituras.

 Não há, nos ensinamentos dos apóstolos, qualquer indicação de que devamos recorrer a figuras como Maria, Pedro, João ou Tiago, mesmo que tenham sido santos e homens piedosos, já alcançando a salvação. A Bíblia não instrui a apelar a eles em busca de ajuda para questões espirituais, especialmente no que concerne à vida eterna e ao destino final.

A parábola do rico e Lázaro demonstra claramente essa falha. O erro do rico, evidenciado em sua atitude, serve como alerta para que ninguém, hoje, tente buscar auxílio em figuras do Antigo ou Novo Testamento para resolver seus problemas espirituais ou deposite neles a esperança para a vida eterna. A salvação é exclusivamente por meio de Cristo, por sua mediação e pelo sacrifício que ele fez por nós.

 O Novo Testamento e a voz do Espírito Santo afirmam essa verdade. Caso essa mensagem não seja recebida e compreendida, o destino poderá ser semelhante ao do homem rico, que, mesmo após a morte, em vez de confiar em um Salvador, confiou em um ser humano. Atualmente, muitos depositam sua fé em fontes equivocadas, correndo o risco de uma grande decepção na vida após a morte.

 

A Alternativa Inevitável Por A. T. Pierson (1837-1911)

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“E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.” — Mateus 25:46

Este é, sem exceção, o texto mais impopular da Bíblia. Não há texto sobre o qual os ministros de Cristo preguem tão raramente, e diante do qual a maioria dos ouvintes se esquive tão constantemente quanto deste versículo. No entanto, somos ordenados a declarar todo o conselho de Deus, quer os homens ouçam, quer se abstenham. E, se não por outra razão senão esta: a declaração de toda a mensagem de Deus é a condição essencial para libertar nossas próprias vestes do sangue das almas perdidas, não há ministro de Cristo que deva pregar sem, às vezes, chamar a atenção para um assunto como este.

Agora, você me fará justiça e acreditará que é com a maior relutância que escolho este assunto, reconhecendo que há um mistério muito terrível e profundo conectado a ele, mas acreditando também que ele constitui uma parte da mensagem e, portanto, é essencial para uma declaração fiel da mensagem.

Agora, em primeiro lugar, permitam-me dizer que todos os esforços foram feitos para eliminar as características desagradáveis ​​e ofensivas desta mensagem. Podemos dizer que este versículo do Evangelho segundo Mateus tem sido atacado por mais pessoas dentro e fora da Igreja, e que tem sido objeto de mais disputa e esforço determinado para arrancá-lo de seu significado óbvio do que qualquer outro versículo nas Escrituras, e ainda assim se recusa terminantemente a ser retirado das Escrituras ou explicado a partir delas. Permanece lá para sempre. Está em todos os grandes manuscritos. Não há variação na leitura em diferentes manuscritos. Não há dúvida sobre a força original das palavras aqui empregadas, e o simples fato é que ele está lá, e você não pode se livrar dele. Você pode tentar apagar as estrelas com seus regadores, mas elas continuarão brilhando da mesma forma. E todos os esforços para tirar esse versículo da Bíblia nunca tiveram sucesso; e até que você rasgue a Bíblia em pedaços e a queime, você nunca conseguirá tirá-lo; e mesmo assim ele permanecerá. Por exemplo, já foi dito que a palavra traduzida como "eterno" não significa eterno de forma alguma. É uma palavra grega, aionios . Essa palavra vem da palavra grega aion , que é a mesma que a palavra portuguesa eon ou era; e já foi dito que essa palavra significa "por toda a eternidade", que é um castigo que se estende por um período definido, mas não necessariamente pela eternidade. Mas a mesma palavra é precisamente aplicada à vida na outra seção do versículo: "mas os justos para a vida eterna". Embora a palavra seja traduzida como "eterno" na primeira parte do versículo e "eterno" na última parte do versículo, é a mesma palavra original em ambas; e se a palavra significa "por toda a eternidade" quanto à punição, não significa "por toda a eternidade" quanto à vida? E, se for esse o caso, então se não há garantia neste versículo para o castigo eterno dos ímpios, não há garantia aqui para a vida eterna dos justos.

Mas observe que, embora essa palavra signifique uma eternidade, o mesmo acontece com a palavra "eterno". A palavra "eterno" vem do latim ætas , uma era, que é o correspondente exato da palavra grega aion, uma era; de modo que nossa palavra "eterno" significa apenas uma eternidade. Temos que usar palavras para expressar ideias que estão muito além de nós. Temos que usar palavras que se enquadram no âmbito da nossa experiência. Nunca conhecemos uma vida que não terminasse, nem uma vida em que não houvesse sucessão de dias e horas, anos e séculos; e assim, quando tentamos expressar a ideia de uma vida que não seja limitada por esses limites, tomamos o período mais longo do qual conhecemos alguma coisa — uma era. Tomamos o período mais indefinido do qual conhecemos alguma coisa — uma era; e usamos essa palavra para expressar a concepção de eternidade. Agora, se você parar um momento, verá a razão disso. Suponha que a palavra aqui traduzida como "eterno" significasse um ano inteiro. Um ano é um ciclo de tempo definido, trezentos e sessenta e cinco dias. Marca o período da revolução da Terra em torno do Sol em sua órbita e, portanto, um ano significa um período definido. Mas a palavra "idade" significa um período de tempo indefinido e, portanto, não temos nenhuma palavra que se aproxime tanto da eternidade quanto a palavra "idade", pois não há limites para marcar o início, nem limites para marcar o fim, e essa é a característica da eternidade. Ela não tem começo nem fim; e, como uma era não tem limites definidos deste lado e nem limites definidos do outro, é a palavra mais próxima que temos, vinda de nossa experiência, para expressar a eternidade. E assim, o grego, não tendo outra palavra, dizia " aionios " — era longa — e o latim, não tendo outra palavra, compõe um da palavra " ætas ", idade, e tomamos nossa palavra "eterno" da mesma palavra latina " ætas ".

Então, outra pessoa diz: "Isso não se refere à duração, mas sim à qualidade ou esfera da punição e da vida. A punição temporal é aquela que é administrada aqui. A punição eterna é aquela que é administrada lá." Isso pode ser verdade, e sem dúvida é até certo ponto; mas e quanto à vida? A vida eterna expressa apenas uma qualidade diferente de vida e não tem referência à duração? Bem, então, não temos garantia de imortalidade além-túmulo. Outra pessoa diz que esta palavra se refere, ou toda esta cena se refere, não ao julgamento de indivíduos, mas ao julgamento de nações; que são as nações que são levadas diante do trono de Deus e ali são julgadas, e que isso se refere, portanto, à destruição de nações. Estou inclinado a pensar que este é, sem dúvida, o fato original desta passagem; e, no entanto, não posso deixar de crer que se ensina aqui, assim como em muitas outras passagens da Palavra de Deus, a terrível doutrina em que os homens não creem e que muitos ministros de Cristo não pregam. Se esta fosse a única passagem onde esta terrível verdade é ensinada, a ignoraríamos alegremente como uma passagem duvidosa; mas quando for confirmada por muitas outras, o que faremos então? Deixe-me ler três passagens das Escrituras. A primeira, no Livro de Daniel, capítulo 12, versículos 1 e 2, especialmente o segundo versículo: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." Ora, você não pode extrair isso de Daniel; e não há julgamento das nações em Daniel. Então, veja o capítulo 5 do Evangelho segundo João. Veja o ensinamento claro de nosso Senhor neste caso: "Não vos maravilheis disto, porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz, e sairão: os que fizeram o bem para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação." Não há julgamento das nações ali. As palavras "eternidade" e "perpétuo" não são usadas, mas há uma ressurreição para a vida e uma ressurreição para a condenação. Então, no capítulo 8 do mesmo Evangelho segundo João, temos estas palavras (versículos 21, 23 e 24): "Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu vou, e vós me procurareis, e morrereis no vosso pecado; para onde eu vou, não podeis ir." Não há declaração mais solene na Palavra de Deus do que esta: "Morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis ir." Há separação eterna. "Vós sois de baixo; eu sou de cima; vós sois deste mundo; eu não sou deste mundo. Por isso vos disse que morrereis nos vossos pecados; porque, se não crerdes que eu sou, morrereis nos vossos pecados.""Há um ensinamento claro, e é tão claro que não precisa de uma palavra de explicação. "Eu obedeço a uma lei de atração para cima, e você obedece à lei de atração para baixo. Se não acreditardes que Eu sou Ele, morrereis com a atração para baixo, e não podereis chegar aonde Eu venho, pois vocês gravitam para um centro e eu gravito para outro."

Até aqui, estamos limpando o lixo do nosso caminho.

Agora, consideremos solenemente este texto por alguns momentos. "Estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna."

Tratarei deste assunto de um ponto de vista diferente, possivelmente, de qualquer outro ao qual você esteja acostumado. Vou considerá-lo não à luz das Sagradas Escrituras, não à luz dos decretos de Deus, não à luz dos ensinamentos distintos de Deus na revelação que Ele nos deu no Evangelho, mas à luz da revelação do bom senso e da razão, da consciência e da memória, da observação e da experiência humana.

Agora, sejamos perfeitamente honestos ao lidar com esse assunto profundo e inspirador.

Em primeiro lugar, existem diferenças radicais no caráter de homens e mulheres neste mundo. Ninguém contestará isso. Essas diferenças radicais de caráter são chamadas de "radicais" porque vão da raiz ao galho mais extremo. Há uma diferença radical entre uma macieira e uma pereira, entre um pessegueiro e uma ameixeira, entre espinhos e cardos, entre oliveiras e murtas. Sabemos que existe uma diferença radical entre homens e mulheres diferentes. Distinções marcantes de caráter aparecem em ambos os lados da família humana. Ninguém contestará isso; portanto, não vou discutir isso.

Minha segunda proposição é que homens de diferentes caracteres seguem diferentes tipos de conduta. O caráter de um homem determina seu curso. Sempre que ele for deixado livre, tudo sendo igual, o caráter de um homem determinará seu emprego. Um homem adotará uma forma de emprego e outro, outra, quando forem livres para escolher. Certas circunstâncias às vezes compelirão um homem a fazer um trabalho que lhe é desagradável ou o constrangerão a fazer um trabalho que não lhe é totalmente agradável. Mas se você deixar os homens seguirem seu próprio caminho, sua conduta será determinada por seu caráter. A natureza de seu emprego estará em sintonia com seus gostos e convicções, com suas noções e afeições, e com suas resoluções. E assim o caráter dos prazeres de um homem será determinado pelo caráter do próprio homem. Há alguns homens que se entregam a formas de prazer pelas quais eu mesmo não me sentiria nem um pouco atraído, nem você; e há outras coisas pelas quais eu me sentiria atraído em termos de prazer que não proporcionariam prazer a muitos dos meus semelhantes. Meu caráter determina meu prazer sempre que estou livre para buscar meu prazer do meu próprio jeito.

Mais uma vez, meu caráter determinará minhas associações. "Pássaros da mesma plumagem voam juntos" é um antigo provérbio, e é enfaticamente verdadeiro entre os homens. Se você deixar homens e mulheres seguirem seu próprio caminho, os semelhantes caminharão juntos. Nunca haverá união entre semelhantes e diferentes. Assim, quando os apóstolos, nos tempos primitivos, foram liberados da presença do conselho, eles foram "para sua própria companhia"; e é isso que todo homem e mulher farão se você os deixar em paz. Se você não restringir com restrições externas, limites ou leis, todo homem e mulher buscará seu próprio semelhante na sociedade. Ora, emprego, prazer e associação são as três coisas que determinam o que chamamos de curso da vida de um homem; e, portanto, acho que ninguém me contestará quando digo que o caráter determina o curso da vida.

Minha terceira proposição é que o caráter e o curso da vida compõem a condição. Quando o provérbio chinês diz que o céu é um bom coração e o inferno é um mau coração, o provérbio chinês está quase certo. Nenhum conjunto de condições pode produzir felicidade. Nenhum conjunto de condições pode produzir miséria, além da condição do próprio caráter. Se você pegar uma choupana abandonada na qual há miséria, carência e aflição hoje em dia, e colocar uma mulher piedosa lá — uma mulher de disposição radiante, uma mulher de hábitos industriosos, uma mulher econômica e frugal, uma mulher que tem o amor de Deus e o amor do homem derramados em seu próprio coração, cujos próprios olhos carregam o amor de Deus neles e cujo rosto é iluminado pelo sorriso do céu — coloque uma mulher assim no meio de tal choupana, e ela fará com que toda a choupana seja iluminada pela luz do sol. E você toma um palácio e coloca nele uma rainha corrupta, cujas imaginações são vis, cujos afetos são malignos, cuja disposição é odiosa e repulsiva, e haverá uma sombra sobre o palácio. Você não pode tornar a condição de um homem radiante com ouro, prata ou pedras preciosas. E você não pode apagar a luz da alegria e da felicidade construindo uma choupana com paredes de barro, mesmo que não haja janelas nem portas. É o caráter que faz a condição. A longo prazo, homens e mulheres são felizes ou miseráveis ​​de acordo com o que são, não de acordo com o que têm. A riqueza nunca fez um lar feliz. A pobreza nunca fez um lar miserável. Você deve ter pecado se quiser o pior do sofrimento, e deve ter santidade e virtude se quiser o maior prazer. Ninguém contestará isso.

Não digo que essa condição não possa ser de alguma forma afetada pelo ambiente em que vivemos, mas digo que o coração do homem ou da mulher é o que afinal define a real condição desta vida.

Minha quarta proposição é esta: sempre que o caráter é fixado além da reforma, a condição é estabelecida além da mudança. Aqui estão dois homens que podemos imaginar para ilustrar isso. Um está indo para o leste, e o outro está indo para o oeste. Eles estão próximos agora. Eles poderiam se virar e apertar as mãos agora. Não há trinta centímetros de espaço entre eles enquanto estão de costas um para o outro. Um começa a caminhar para o leste e continua caminhando para o leste. O outro começa a caminhar para o oeste e continua caminhando para o oeste; e assim, a cada passo, eles se distanciam; e se a Terra não fosse redonda, e indo para o leste e para o oeste eles eventualmente se encontrariam do outro lado — se este fosse um caminho perpétuo em direção ao leste sem limites, e este um caminho perpétuo em direção ao oeste sem limites, e eles continuassem a seguir nessas trajetórias divergentes, eles nunca se encontrariam. Eles se distanciariam cada vez mais a cada hora, a cada dia, a cada ano, a cada século, a cada milênio, através de toda a sucessão ilimitada de ciclos eternos.

O caráter está se tornando cada vez mais fixo em cada homem e cada mulher neste mundo. Por quê? Porque suas ocupações estão se tornando habituais, porque seus prazeres estão se tornando habituais, porque suas associações estão se tornando habituais, porque as próprias noções que vocês têm em suas mentes, e os afetos que vocês têm em seus corações, e as resoluções que vocês acalentam em suas vontades, estão se tornando tão firmemente fixadas quanto um pedaço de madeira se fixa quando é petrificado, ou como a água se fixa quando se transforma em gelo.

Agora, repito, primeiro, existem diferenças radicais no caráter. Segundo, essas diferenças radicais no caráter geram diferentes rumos de vida. Terceiro, essas diferenças radicais no caráter e as diferenças nos rumos da vida geram diferentes condições ou estados. E, quarto, se você fixar o caráter, a condição estará resolvida; e se um homem não puder mudar seu caráter radical, ele não poderá mudar sua condição radical. Se ele chegar a um ponto em que odeia para sempre a santidade, nunca poderá ser um homem feliz. Se ele chegar a um ponto em que ama para sempre a santidade, nunca poderá ser um homem miserável. Isso está completamente fora de questão. O amor à santidade criaria um céu, e o amor ao pecado criaria um inferno, se já não existisse nenhum. Agora, ninguém pode contestar o que eu disse até agora e, portanto, você não pode contestar o próximo ponto, que é o último — que não há razão para acreditar que o caráter será transformado além deste mundo, se não for transformado neste mundo.

Vejamos quais influências existem neste mundo que transformam homens e mulheres radicalmente. Creio que todas podem ser resumidas nos seguintes tópicos: primeiro, o conhecimento da verdade; segundo, a voz da consciência; terceiro, a voz de Deus; quarto, o poder de associação. Essas quatro coisas são as grandes causas que transformam os homens radicalmente. Às vezes, um homem era ignorante e chega ao conhecimento da verdade, e a verdade é vista sob uma nova luz e com uma nova força, e tem um novo efeito sobre ele; e a consequência é que seu caráter sofre uma mudança radical. Ou, às vezes, um homem passa a ouvir a voz da consciência, quando, de outra forma, estava acostumado a ignorá-la. Ele para e ouve a advertência de seu senso moral, que diz: "Isso é errado. Não faça isso. Isso é certo. Faça o que você sabe ser certo." E ele começa a ouvir. Ele vê que sua consciência está certa. Ele vê que o caminho do pecado que ele vinha seguindo o tem levado à miséria e à miséria. Ele percebe que o direito que deveria ter seguido o teria levado a condições correspondentes de felicidade e bem-estar; e começa a ouvir sua consciência; e a consciência é revolucionária. A consciência é uma conspiradora — não contra Deus: é uma conspiradora contra o diabo; e a consciência tem o poder, se você se submeter a ela, de virar o império de Satanás de cabeça para baixo e colocar Deus no trono que Lhe pertence.

Então, a terceira maneira pela qual os homens são transformados neste mundo é pela óbvia interposição de Deus. Por exemplo, aqui vem uma providência que fere, um julgamento que convence, um terremoto, uma inundação terrível, um raio, e os homens começam a pensar que existe um Deus. Eles ouvem Sua voz no trovão; sentem a pulsação de Seu grande coração indignado no terremoto; e sentem o ímpeto de Sua terrível ira em chamas devoradoras; e começam a se voltar para o Senhor e a buscar a justiça. Ou, novamente, há um poder de associação que os transforma. Aqui, por exemplo, estão um pai e uma mãe piedosos. Eles trazem influências sagradas para um filho recreativo. A Bíblia é lida; uma oração é oferecida; um exemplo sagrado é apresentado ao menino; e ele passa a sentir a influência desse exemplo sagrado. Talvez ele nunca se desvie de Deus desde o início, porque sempre houve essa influência restritiva e orientadora ao seu redor. Agora, todos vocês confessarão comigo que as quatro grandes causas que transformam os homens são estas: o conhecimento da verdade, a voz da consciência interior, a voz do julgamento de Deus; ou, talvez, Sua Santa Palavra, ou talvez Seu Espírito Divino exterior, ou as associações da vida que nos levam a novas linhas de atividade e nos ensinam o poder de novas formas de desfrute, ou, possivelmente, nos impedem de praticar o mal e nos guiam pelos caminhos da retidão e da santidade. Agora, se você não foi transformado por essas coisas neste mundo, tem alguma razão para acreditar que será transformado por elas na vida vindoura?

Quero fazer uma declaração solene a respeito das pessoas que não são filhos de Deus, e quero falar como irmão e amigo. Se elas aprenderam a resistir à verdade aqui, você tem alguma razão para acreditar que não a resistiriam lá? Elas não tiveram sempre a voz da consciência? E se a consciência não conduz os homens a Deus aqui, você tem alguma razão para acreditar que ela os levaria a Deus lá? Haverá algum poder tremendo no sentido moral na eternidade para mudar um caráter que ela não poderia mudar aqui? Se a providência de Deus aqui, se as mensagens do Evangelho aqui, se os esforços do Espírito aqui, não afetaram seu caráter moral e espiritual, você tem alguma razão para acreditar que elas serão afetadas lá? Há alguma indicação na Palavra de Deus de que o Espírito Santo estará no inferno para incitar os pecadores ao arrependimento? Você consegue encontrar uma única passagem na Palavra de Deus que indique que a obra do Espírito deve continuar além dos limites da vida presente? Se você puder encontrá-lo, eu gostaria de ver onde ele está, pois nunca o encontrei.

Há uma passagem solene no Livro do Apocalipse que faz crer que está chegando o tempo em que o caráter se tornará imutável. "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda." Se a árvore cai, ela permanece no chão enquanto cai. Nunca mais é erguida. Quando um homem cai sob o impacto da morte, ele permanece enquanto cai. Não há nenhum indício na Bíblia de uma mudança de caráter além deste mundo.

Talvez alguns de vocês pensem que o castigo no mundo vindouro reformará o pecador. Vocês já conheceram o castigo que reforma um pecador aqui? Eu nunca conheci. Deus lida conosco com muita gentileza e ternura, mesmo no castigo e no julgamento, porque Ele quer mover o mundo para a justiça pela interposição de Sua mão. E, no entanto, vocês descobrirão que, quando Deus varre a Terra com tremendo julgamento, como com a vassoura da destruição, os homens, em poucas horas ou dias, continuam em seus antigos caminhos de pecado, como antes, e não há nada que seja tão rapidamente esquecido quanto os terríveis julgamentos do Deus Todo-Poderoso. Se você quiser ver no Livro do Apocalipse o que Deus pensa sobre o poder do castigo no estado futuro, leia estas terríveis palavras: "Moeram as línguas de dor e blasfemaram contra o Deus do céu". Mesmo durante o tormento do castigo, roeram as línguas como loucos no mais intenso sofrimento, apenas blasfemaram contra Deus.

Certa vez, morei entre dois vizinhos e quero falar sobre esses dois homens como ilustração do meu tema. Aqui estava minha casa: aqui estava um à minha direita e o outro à minha esquerda; e esses dois homens, embora morassem perto um do outro e perto de mim, estavam tão distantes quanto o leste do oeste. Eles tinham diferenças radicais de caráter. O homem aqui era um homem trabalhador: o homem ali era um homem preguiçoso. O homem aqui era um homem gentil e bem-humorado: o homem ali era um homem abusivo. Ele abusava até mesmo da própria esposa. O homem aqui era um homem inteligente e amava o conhecimento: o homem ali era um homem ignorante e amava sua ignorância. O homem aqui tinha aversão a bebidas fortes e até mesmo ao tabaco; aquele homem ali estava sempre bebendo, sempre fumando e mascando. Este homem estava criando seu filho no temor de Deus: este homem tirava o cachimbo da boca e o colocava na boca de uma criança de dezoito meses, ensinava a criança a chupar o cachimbo e a sentir o gosto do tabaco, e aprendia, ainda bebê, a indulgência viciosa. Este homem ia à igreja no dia de sábado para adorar a Deus; este homem ia às fazendas no dia de sábado para treinar cavalos. Este homem estava aberto a qualquer sugestão de virtude e pureza; este homem fechava os ouvidos a qualquer advertência contra seus vícios destruidores de corpo e alma. Este homem amava a Cristo; este homem blasfemava contra Ele. Este homem estudava a Bíblia; este homem nunca olhava uma página dela. Este homem estava diariamente de joelhos em oração; este homem nunca usava o nome de Cristo, exceto com maldições e juramentos. Diferenças radicais de caráter. Nenhum ponto solitário de simpatia. E eu vi esses dois homens, durante o tempo em que vivi entre eles, se distanciando cada vez mais em caráter, cada vez mais no curso da vida, cada vez mais nos gostos, disposições e preferências, cada vez mais distantes em tudo o que compõe a condição de uma alma em relação a Deus e ao homem.

Agora, responda-me a esta pergunta, você, incrédulo, você que diz que este texto das Escrituras é um que qualquer homem deveria ter vergonha de pregar a você, e que, talvez, diga que a Bíblia deveria ter vergonha de ter tal texto nela; você que diz que, seja qual for a verdade, o castigo eterno não é verdade; você que, talvez, ousa blasfemar e dizer que não teria um Deus que fosse tal Deus. Deixe-me ouvir você responder à minha pergunta. Veja estes dois vizinhos meus. Não tenho maldade contra nenhum deles. Amo um e amo a alma do outro, e sentei-me e conversei com ele sobre sua própria condição espiritual e procurei conduzi-lo a uma vida melhor. Amo ambos os homens. Acho que posso dizer honestamente que morreria por aquele vizinho, que está destruindo corpo e alma, se minha morte o salvasse. Mas é um fato perfeitamente patente que esses dois homens estão enfrentando caminhos diferentes, e que estão seguindo caminhos diferentes, e que estão fadados a seguir caminhos diferentes. Agora, responda-me a uma pergunta. Se esses homens morrerem e continuarem a seguir caminhos diferentes — se além desta vida não houver nada radicalmente capaz de mudar o caráter daquele homem, que é um homem cruel, ocioso, preguiçoso, imprestável, ignorante e sem princípios, eu gostaria de lhe dizer o que provavelmente os unirá na vida após a morte, visto que nada jamais os uniu nesta vida? Se você colocasse aquele meu outro vizinho lá no inferno, ele iniciaria uma reunião de oração. Se você colocasse aquele meu vizinho no céu, ele reuniria, se possível, outra pessoa para ajudá-lo a blasfemar. Coloque Caim e Abel juntos. Eles poderiam viver juntos? Não adianta contestar Deus.

Acredito firmemente que, enquanto lutamos contra a doutrina do castigo eterno, essa doutrina está fundamentada não apenas na Palavra de Deus, mas também na base da constituição humana. O caráter é radicalmente diferente. A conduta segue o caráter. O curso da vida é determinado pelo caráter e pela conduta. A condição depende do caráter. Se você tem um caráter imutável, você tem uma condição imutável; e, portanto, se diante do trono de Deus os homens simplesmente se separam para seguir caminhos diferentes, como neste mundo, eles se separarão para seguir caminhos diferentes, e se continuarem a seguir caminhos diferentes para sempre, isso estabelecerá para sempre a condição de felicidade eterna, por um lado, e a condição de miséria eterna, por outro.

Não me referi ao lado divino, pois queria chamar a atenção de vocês para o lado humano. Não me detive na revelação, pois queria apelar à razão. Não falei da lei sobrenatural, pois queria apelar à lei natural e levá-los de volta a se perguntarem: quando encontro o terrível testemunho de Deus, esse testemunho não é confirmado pela boca de duas ou três testemunhas terríveis — minha razão, de um lado, e minha consciência, do outro?

Concluindo, eu indicaria a única fonte de libertação do significado perscrutador deste texto. Em primeiro lugar, Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus, disse estas palavras. Não Lhe deu prazer dizê-las. Elas foram arrancadas dEle pela terrível necessidade de ser fiel às almas. Há salvação para você no mesmo Cristo bendito que disse: "Estes irão para o castigo eterno, e os justos para a vida eterna". E a única salvação para você está em uma mudança radical de caráter. "Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus". Se você vier a Cristo em busca de um novo coração, se mudar suas noções das coisas, suas afeições e suas resoluções, se adquirir novos gostos, novos gostos espirituais, um gosto por algo que você odiava e um desgosto por algo que você amava, então você dará uma guinada completa em seu caminho. Suas costas estarão para Deus, mas seu rosto estará voltado para Ele. Seu rosto estava voltado para o inferno, mas doravante estará voltado para o céu, e uma mudança radical em seus gostos espirituais gerará uma mudança radical em sua condição, seu curso de vida, seu destino; e assim, ao se voltar para Deus, você descobrirá que o destino mudou para você — que o inferno está fechado para você, e o céu está aberto para você.