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A Humildade (Contra o Orgulho)

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A palavra “humildade” e as suas formas (humilhado, humilhação, humildemente, humilha, etc.) é usada mais que 70 vezes pela Bíblia (Strongs). O uso numeroso desta palavra pela Bíblia nos dá uma idéia da sua importância para nós.

Pode ser que a humildade signifique qualidades diferente para pessoas diferentes. Olhando no dicionário entendemos que essa virtude que nos dá o sentimento da nossa fraqueza (Aurélio) é uma qualidade boa na vida de qualquer pessoa. O humilde é comparado a uma pessoa respeitosa, reverente e submissa. Como uma pessoa pobre não pode se gloriar de grandes posses, uma pessoa humilde não se gloria de grandes qualidades.

O que significa essa palavra na Bíblia”

Examinando quais palavras são usadas por Deus na inspiração da Sua Bíblia para expressar essa qualidade de humildade, podemos aprender muito. Queremos examinar as palavras usadas tanto no Velho Testamento quanto no Novo Testamento. Assim podemos tirar as nossas próprias conclusões.

Quando essa palavra está usada no Velho Testamento pode significar:

  • Sentir-se menos em mente, ser brando; ou em circunstancia, pobre ou piedoso “ subjetivo - #6035, Strong”s. Esse significado é a raiz de 6038 e 6031.
  • condescendência ("humildade" - Prov. 15:33; 18:12; 22:4), que é de ceder voluntariamente. Se um homem faz isto é chamado modéstia. Se o divino faz isto é chamado clemência (#6038, Strong”s) .
  • Rebaixamento voluntário ou forçado, submissão ("humilhar-te" “ Êx. 10:3; Deut 8:2,3, 16; "humilhado" “ Deut 21:14; "humilhou" “ Deut 22:24,29; Ezequiel 22:11; "humilhai-as" Juízes 19:24; "humilhava" “ Sal. 35:13; "humilharam" “ Ezequiel 22:10; - #6031, Strong”s)
  • Dobrar o joelho, conquistar ("se humilhar" “ Lev 26:41; II Cron. 7:14; "se humilha" “ I Reis 21:29; "te humilhaste" “ II Reis 22:19; "se humilharam" “ II Cron.12:6; 30:11; "se humilhavam" “ II Cron. 12:7; "humilhando-se" “ II Cron. 12:12; "se humilhou" II Cron. 32:26; 33:12,23; 36:12; "se humilhasse" “ II Cron. 33:19; "se humilhara" II Cron. 33:23; "te humilhaste" “ II Cron. 34:27 “ #3665, Strong”s).
  • Aquele que sente-se menos em mente, ou em circunstancia “ objetivo - ("aflitos" “ Sal. 9:12; "humildes" “ Sal. 10:12; "mansos" “ Sal. 10:17; 34:2 “ #6041, Strong”s).
  • Ser rebaixado, ser degradado “ ( "se inclina"- Sal. 113:6; "ser humilde" “ Prov. 16:19; "se abate"- Isaías 2:9; "te abaterem" “ Jó 22:29; "humilhai-vos" “ Jer. 13:18 - #8213, Strong”s).
  • Se rebaixar ("humilhaste"- Daniel 5:22, # 8214, Strong”s).
  • Baixeza ("humilde"- Jó 22:29 - #7807, Strong”s).
  • Quebrado, contristado ("se humilharam"- Jer. 44:10 - #1792, Strong”s)
  • Prostrar-se, adorar ("me inclino" “ II Sam 16:4 - #7812)
  • Ser modesto ("humildemente" “ Miquéias 6:8 - #6800)
  • Si pisar ("humilha-te" “ Prov. 6:4, #7511, Strong”s)
  • Se diminuir ("se abate" “ Lam 3:20, #7743, Strong”s)
  • Se agachar ("abaixa-se"- Sal. 10:10, #7817, Strong”s)

Quando essa palavra é usada no Novo Testamento, pode significar:

As palavras em grego usadas para descrever a virtude de humildade são todas relacionadas umas com as outras. Examinaremos em detalhe somente duas destas palavras gregas. Os demais versículos das outras palavras gregas dariam sentido quase igual com essas palavras e, portanto, somente daremos um resumido espaço a elas.

  • #5011 (Strongs) “ Ser deprimido (abatido, enfraquecido) em circunstancias (pobreza) ou em disposição (atitude). Os seus usos pelo Novo Testamento:

Cristo é nosso exemplo primário:

Mat. 11: 29, "que sou manso e humilde de coração" (de atitude) “ Isaías 53:2,3, "Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens"; 42:3 "A cana trilhado não quebrará, nem apagará o pavio que fumega;" (Mat. 12:20)

Lucas 1 :52, "elevou os humildes" (pobres) como Maria. Apesar de sua baixa estimação pela sociedade (Luc. 1:48), Deus a usou como um maravilhoso instrumento para operar a Sua vontade para toda a humanidade que crê. Assim Deus opera ainda hoje (I Cor. 1:26-29, "não são muitos os sábios , ... poderosos, ... nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; ... as coisas fracas para confundir as fortes; ... as coisas vis e desprezíveis, e que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne glorie perante Ele.")

Humildade É O Nosso Dever

Romanos 12:16,

"Sede unânimes entre vós;" - não é o ecumenismo que está sendo ensinado neste versículo. O que está sendo ensinado é aquela atitude demonstrada por Jesus e os demais santos bíblicos. Jesus mesmo disse: "Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas" (Mateus 7:12). A mesma verdade aprendemos com Tiago quando disse: "Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis" (Tiago 2:8). Perante os olhos de Deus todos somos igualmente pecadores, e todos precisam se arrepender de seus pecados crendo pela fé em Cristo.

Em vista disso a Bíblia diz: "...não ambicioneis coisas altas..." Romanos 12:7. Ainda em Gálatas 6:2 Paulo diz: "Levai as cargas uns dos outros ..." Em Tiago 1:27 podemos ler: "Visitar os órfãos e as viúvas na suas tribulações ...". Aprendemos então que não devemos ter pretensões superiores sobre os nossos semelhantes.

Podemos notar registrado em Mateus as preciosas lições de humildade ensinadas por Jesus aos seus discípulos: "Então Jesus, chamando-os para junto de si, disse: Bem sabeis que pelos príncipes dos gentios são estes dominados, e que os grandes exercem autoridade sobre eles. Não será assim entre vós; mas todo aquele que quiser entre vós fazer-se grande seja vosso serviçal; E, qualquer que entre vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo; Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos" (Mateus 20:25-28).

"...mas acomodai-vos às humildes..." (Romanos 12:16). Também devemos gostar da companhia dos pobres e dos que são despojados de quaisquer qualificações, Tiago 2:1-5. Em Provérbios. 3:7 podemos observar o sábio conselho de Salomão: "Não sejas sábio a teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal".

Humildade É A Obra de Deus

Em II Cor. 7:6 diz: "Mas Deus, que consola os abatidos..." Os cristãos que têm tribulações, pobreza e sentimentos de fraqueza, sem dúvida alguma usufrui da companhia do poderoso Consolador, o próprio Deus.

O sábio tem a sua sabedoria para lhe consolar.

O forte tem a sua força para lhe consolar.

O rico tem a sua riqueza para lhe consolar.

Porém, os fracos podem conhecer a beneficência, juízo e justiça do próprio Deus. Este é o consolo que o abatido pode gloriar-se (Jer. 9:23,24). Porém, não se glorie de sua pobreza, mas em Deus. A pobreza pode ser um fator convincente da sua necessidade de Deus, mas a glória deve ser dada a Deus.

Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes" . Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia. Jesus Cristo está pronto para salvar todos aqueles que estão conscientes de sua falência espiritual. Veja esta grande verdade em Hebreus 4:15,16. Quando o pecador chega a conclusão da sua precária condição espiritual diante de Deus, então só resta chegar ao trono da graça para obter a misericórdia divina. Reconhecer a sua necessidade espiritual é dadiva de Deus.

É aconselhável que os humildes conheçam a importância desta ajuda: não há virtude na qualidade de ser pobre e fraco. Essas condições porém revelam a necessidade da ajuda divina. Certamente que a ajuda divina vem quando o pecador em qualquer circunstância chega ao trono da graça. Diante do trono da graça os humildes e miseráveis, espiritualmente falando, devem lançar sobre Ele as suas ansiedades (I Pedro 5:7-9); aproveitar dos sábios conselhos da Palavra de Deus (Sal. 19:9-11); ser mais obediente à Palavra do Senhor com determinação e fé (Fil. 4:6-9). Essa é a ajuda que todos recebem de Deus quando O procuram.

O Exemplo de Paulo nos Ensina

Em II Cor. 10:1 encontramos o apóstolo Paulo dizendo: "...quando presente ... sou humilde". Em nenhuma ocasião Paulo se achava um bonitão ou um auto-suficiente. Depois de sua conversão a Cristo, Paulo despiu-se de todo orgulho carnal e de todas vantagens que tinha em sua vida religiosa. Antes de aceitar Cristo, Paulo usufruía de muitas vantagens e prestígios em sua vida religiosa. Veja o que ele mesmo disse: "Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé..." (Gálatas 3:7-9). Depois de convertido Paulo tinha as provações e sofrimentos que eram marcas de um discípulo sincero que fez ele sentir as suas fraquezas (II Cor. 11:23-30; Gal. 6:17).

Conforme acabamos de ver, o apóstolo Paulo poderia confiar muito na carne. Vantagens não lhe faltava. Ele era circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamin, hebreu de hebreus; segundo a lei, foi fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível (Fil. 3:4-6). Todavia, no seu ministério, ele não usou sublimidade de palavras ou de sabedoria, mas, sentiu-se em fraqueza, e em temor e em grande tremor. A sua palavra, e a sua pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder (I Cor. 2:1-5). Paulo se considerava crucificado com Cristo (Gal. 2:20). A sua glória era na cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual o mundo estava crucificado para ele e ele para o mundo (Gal. 6:14; I Cor. 2:2, "Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e Este crucificado."). Paulo sentia-se humilde para consigo mesmo, mas ousado com a verdade (II Cor. 10:1, "ousado para convosco").

A atitude de Paulo para com as fraquezas, as injurias, as perseguições e as angustias, é uma lição para o Cristão. Se essas fraquezas ensinam o convertido em Cristo a se aperfeiçoar no poder de Deus mediante a fé no Senhor Jesus, então ele pode sentir prazer nelas (II Cor. 12:5-10). Também o Cristão é ensinado pelo exemplo de Paulo, que, por mais usado seja no ministério, a glória toda pertence a Deus.

Temos Um Consolo

Tiago 1:9, "glorie-se o irmão abatido" (Tiago 5:6).

Por que este deve gloriar-se” Porque quando nos humilhamos somos exaltado por Deus. Vamos examinar o que Pedro disse: "Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte" (I Pedro 5:6). Quando chegamos no auge de nossa falência espiritual, sentindo a falta de prestígio social e desprezo dos homens, então deixamos de confiar plenamente na carne e voltamos a buscar as infinitas misericórdias do bondoso Deus.

Por que o humilde é exaltado” Porque ele tem a sabedoria, o amparo, a graça e a misericórdia de Deus” Esses são atributos que os orgulhosos e os auto-suficientes nunca podem conhecer.

Aprendemos então que há grandes bênçãos em nossas fraquezas e limitações. Sem dúvida alguma que há grandes vantagens ao conscientizar-nos de nossas limitações diante de Deus. O apóstolo Paulo disse: "...me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Por isso sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por amor de Cristo. Porque quando estou fraco então sou forte" (II Coríntios 12:9-10). Quando os crentes sentem em si mesmos "lixos" espirituais então recorrem ao trono da graça, e o Senhor os exaltam com consolo e sabedoria que jamais a força humana poderia atingir.

Como está a sua atitude de si mesmo” Necessita do amparo divino” O que Ele oferece é um maior conhecimento de Si mesmo. Isso basta”

Uma outro palavra grega que queremos estudar é:

  • Baixeza de mente, modéstia - #5012, Strong”s. Os seus usos pelo Novo Testamento:

Humilde Como Paulo

Atos 20:19, "Servindo ao Senhor com toda a humildade". Exemplos de uma vida humilde na vida do apóstolo Paulo:

Atos 13:6-12 - confronto com Elimas, o mágico em Chipre

Atos 13:45-47, 50-52 - confronto com judeus invejosos - Antioquia

Atos 14:2-7 - confronto com judeus invejosos “ Icônio

Atos 14:19,20 - confronto com judeus invejosos “ Listra Paulo não se exaltou, mas teve a ousadia em obedecer a Palavra de Deus e cumprir a sua vocação fielmente. Aprendemos que "servindo ao Senhor com toda a humildade" não significa que é errado apontar e confrontar o erro. A humildade nunca deve ser confundida com a frouxidão. O servo de Deus que serve "ao Senhor com toda a humildade" pode expor o erro. Paulo corajosamente confrontou o erro e exemplificou grande ousadia em seu ministério, mas, mesmo assim testemunhou-se serviu "ao Senhor com toda a humildade

Os servos de Deus vivem nos dias de hoje com este grande dilema. Muitos confundem humildade com a falta de coragem de expor publicamente o erro da humanidade. Há até mesmo nos dias de hoje pastores light Os membros das igrejas exigem dos pregadores pregações light. Light, segundo o dicionário Aurélio, significa moderado, não radical. Porém o Senhor Jesus numa calorosa pregação, Ele repetidas vezes chamou os fariseus e os escribas de hipócritas. Veja o capítulo 23 de Mateus. Jesus não foi light em suas pregações. E ninguém pode negar que Jesus era humilde e manso de coração, Mateus 11:29.

Humildade É O Dever do Cristão

Efés. 4:1,2 “ "Andar digno da vocação ... com toda a humildade". A nossa vocação, tanto a sua chamada quanto o seu desempenho, não é pelas qualidades superiores do homem ou pelas espertezas da sabedoria humana (I Cor. 2:4,5, "A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana"; II Cor. 3:5, "a nossa capacidade vem de Deus; Efés. 3:7, "dom da graça de Deus ... segundo a operação do Seu poder"; II Cor. 4:4-6, "não nos pregamos a nós mesmos"). Devemos usar tudo que Deus nos dá para a sua glória lembrando-nos no mesmo instante que sempre temos pecado e fraquezas (Romanos 7:24; Col. 2:6).

Para andar com modéstia, não é necessário negar nossos talentos ou nossos dons. A humildade não deve negar a existência de uma capacidade nem o seu uso. Modéstia não pode transformar a timidez em uma virtude. Devemos ser obedientes de alma e de todo o coração” Todavia um dos segredos da humildade é reconhecer os talentos e dons nos outros, Fil. 2:1-8. Mesmo obedecendo a Palavra de Deus, usando as qualidades que Deus tem nos dado, não faz que somos mais do que os outros, I Pedro 3:8, "afáveis"; 5:5.

Na realidade, somente podemos ser obedientes com uma atitude correta para com as nossas capacidades e as dos outros, se somos guiados pelo Espírito Santo (Col. 3:12-13). Será observado que essas qualidades com quais devemos andar dignos da nossa vocação, com toda a humildade, são aquelas qualidades listadas em Gálatas 5:22, ou seja, o fruto do Espírito Santo.

A humildade verdadeira não é uma atitude produzida pela filosofia humana, mas pela influência do Espírito Santo na vida Cristã. Portanto não procure ter as qualidades do Espírito Santo sem ter o próprio Espírito. É necessário conhecer Cristo como seu Salvador para conhecer o Espírito Santo na sua vida. Se conhece Cristo, já tem o Espírito Santo (Romanos 8:9). Se já conhece Cristo, cresce na graça e verá que as qualidades de Cristo serão manifestas na sua vida, inclusive essa qualidade de modéstia. Se não conhece Cristo, roga a Deus que Ele seja misericordioso para salvar mais um pecador.

Existem Cuidados sobre O Assunto

Colossenses 2:8-23 “ v. 18, "pretexto de humildade". Existe uma humildade que não é verdadeira, que é usada para fins não lícitos. Essa falsa humildade é fruto das filosofias e vãs sutilezas segundo os rudimentos do mundo. Os pretextos da falsa humildade procuram melhorar o homem para que ele possa merecer a salvação ou possa melhorar a sua posição diante de Deus. A humildade falsa segue as regras do homem ou da religião e não Cristo (v. 8). A intenção dessa humildade voluntária, ou seja, aquela filosofia que tem a sua origem na vontade do homem, é de fazer aparecer os atributos de Cristo sem ter o próprio Cristo. Os pretextos de humildade têm o propósito de impressionar Deus. Os pretextos de humildade não levam ninguém a ser salvo pois podem faltar o principal: a nova natureza ou a genuína conversão em Cristo. Se tiver a nova natureza, já não é necessário melhorar a posição em Cristo, pois, para com Deus, estar em Cristo basta. Verdadeiramente, os pretextos de humildade são somente para a satisfação da própria glória do homem (v. 18, "carnal compreensão"; v. 23, "satisfação da carne").

Uns exemplos de como os pretextos são somente da carnal compreensão ou a satisfação da carne, são as vidas austeras dedicadas às privações nos mosteiros e nos conventos, a severa autoflagelação durante a páscoa nas ilhas Filipinas, as duras penitências dos católicos, as proibições de usar cores vivas na vestimenta, abstinência de eletricidade nos lares, privações de motores e máquinas na vida dos Amish, e as longas listas de várias regras e rígidas proibições do neo-pentecostalismo, etc. Nenhumas dessas atividades, por mais sinceras que sejam, jamais levam alguém a ser mais como Cristo na obediência das Escrituras.

É necessário ter Cristo para ser salvo e para agradar Deus na adoração verdadeira. Em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade e não nas filosofias segundo os homem (v. 9). O pecador é salvo por Cristo, e assim, não falta nada para agradar Deus. Portanto os salvos não precisam das vãs sutilezas do homem (v. 10). É desnecessário toda e qualquer obra do homem para a salvação. A obra vicária de Cristo basta para a salvação e também para a vida cristã. Portanto, não necessitamos qualquer obra oriunda da tradição dos homens para estes fins (v. 11). O poder de Deus transforma a vida dos salvos para ser o que deve ser pública e espiritualmente sem a adição de qualquer melhora que a compreensão do homem possa sugerir (v. 12,13).

O necessário é Cristo. Foi Cristo quem riscou a cédula (nota promissória), na qual constava toda a dívida do pecador descrita pela lei de Moisés. Moisés pela lei descreveu a imensa dívida que o pecador tinha para com Deus. O homem conspurcado ou enlameado em seus pecados jamais poderia saldar esta dívida. Jesus Cristo anulou este documento que constava a dívida do homem, (v. 14). Cristo, sozinho, e somente Ele, despojou todos os principados e potestades e deles triunfou pelo Seu próprio poder, não necessitando alguma ajuda do homem para completar a vitória (v. 15). Deus fica plenamente satisfeito pelos que estão em Cristo; e as filosofias, as tradições, as cerimônias, os rituais e as privações segundo os rudimentos do mundo em nada podem melhorar o que já é perfeito.

Não é por comer ou deixar de comer; por beber ou deixar beber; por participar ou deixar de participar de uma festa especial; por cultuar ou deixar de cultuar a lua nova ou por guardar ou não o sábado que faz o cristão ter os atributos corretos (v. 16). O essencial é estar em Cristo para agradar a Deus. Quando o cristão está em Cristo o Espírito Santo o transforma à Sua imagem (Col. 3:10). Sendo assim, o crente não precisa de nenhuma regra como: não toques, não proves, não manuseias (Col. 2:21).

Se o homem depende das obras de humildade para ser salvo ou para agradar a Deus, certamente é um grande ignorante que está seguindo a sua carnal compreensão e não está ligado à Cristo. Cristo é O único cabeça pelo qual o pecador chega a Deus (Col. 2:18-19; João 14:6).

É muito mais fácil praticar pretextos de humildade, elaborar doutrinas e preceitos dos homens (v. 22), do que submeter-se a Cristo para a salvação e para servi-lo com uma adoração pública e sincera. Para ser salvo é necessário conhecer Cristo mediante o arrependimento e fé nele. Para agradar Deus na adoração correta é preciso conhecer bem as doutrinas da Palavra de Deus. É necessário ser ligado à cabeça e crescer nEle. Só assim crescerá em aumento de Deus (v. 19; Efésios 4:11-16). Sem esse crescimento, só haverá no homem as aparências de sabedoria que agradam apenas a carne.

O cristão não será julgado pelos seus pretextos de humildade, mas pela própria Palavra de Deus. O pecador deve conhecer Cristo como Salvador e Senhor para agradar Deus e assim terá a Sua salvação. Certamente Deus se agradará do pecador que entrega totalmente a sua vida a Cristo, fazendo uma renúncia completa e irrestrita de tudo o que tem. Jesus mesmo disse: "Assim, pois, qualquer de vós, que não renuncia a tudo quanto tem, não pode ser meu discípulo" (Lucas 14:33).

Você está em Cristo” A humildade é importante na vida cristã, mas de nenhuma maneira nos salva. A humildade somente manifesta as qualidades de Cristo naqueles que já estão nEle e que estão sendo transformados mais e mais à sua imagem. A humildade é o resultado de estar em Cristo e não a causa da salvação ou crescimento na santificação. Em outras palavras, quando se está em Cristo como Único e Exclusivo Salvador, então inevitalmente a humildade e santificação serão as suas marcas.

Vamos examinar brevemente as outras palavras gregas usadas para ensinar sobre o humildade no Novo Testamento.

  • Baixeza de condições (capacidades) e coração (atitude de si) - #5013. Os seus usos pelo Novo Testamento:

Mat. 18:4, "humilde"; 23:8-12, "humilhado" Aprendemos que as regras do reino de Deus é diferente das regras do mundo (I João 2:16) ;

Luc. 3:5, "se aplanarão". Deus pode abaixar o que se exalta (Daniel 4:37);

Luc. 14:11, "humilhado"; 18:14, "humilhado". Aprendemos que o regimento no reino de Deus é diferente do que o do mundo, I João 2:16;

II Cor. 11:7, "humilhando-me a mim mesmo". Aprendemos que trabalhar sem salário é humilhante. A igreja tem obrigação de fazer o que é digno, até em dobro, para com aquele chamado que trabalha entre ela (I Tim 5:17). O servo de Deus é pronto para humilhar-se (trabalhar sem receber), mas a posição dos que são ensinados por ele, não devem permitir que isso aconteça (Gal. 6:6);

II Cor. 12:21, "me humilhe". O fruto da obra é o gozo e a coroa do obreiro (Fil. 4:1). O obreiro se entristeça por não ter o fruto esperado;

Em Filipenses 2:8 a Bíblia diz que Jesus "humilhou-Se". Em Atos 8:33 Lucas cita o profeta Isaías 53:8 onde diz que Jesus foi tirado da terra. Isto é, Jesus foi morto pelos homens maus. Jesus se humilhou como nenhum outro ser no universo. Ele, como o Jeová Todo-Poderoso, se cansou, João 4:6; Jesus sendo o Onipotente Deus não sabia o dia de sua volta aqui na terra, Marcos 13:32; Jesus Cristo sendo o Onipresente Deus, João 3:13 não estava presente na morte de Lázaro; o Divino conheceu fome, sede, choro e morte. Se o supremo Jesus, sendo o próprio Deus Divino se fez pecado por nós, então nós devemos agüentar resignadamente as fraquezas dos irmãos (Efés 4:32)”;

Fil. 4:12, "abatido". Paulo sofreu em sua carne a mais amarga experiência do abatimento. Ele foi desprezado, Atos 14; tinha um espinho na carne, II Cor. 12:7-9; foi escandalizado, II Cor. 11:29; conheceu fome, Atos 20:34.

Tiago 4:10, "Humilhai-vos". É difícil nos humilhar, nos arrepender e ter vergonha do erro, mas essa atitude funciona; I Pedro 5:6, "Humilhai-vos".

  • Baixeza em posição (baixa estimação diante dos outros) ou em sentimento (meigo) “ #5014, Strong”s. Os seus usos pelo Novo Testamento:

Lucas 1:48, "na baixeza"; Atos 8:33, "humilhação" ; Fil. 3:21, "corpo abatido". Não devemos gloriar nos muito neste corpo. O pecado reside nele, Romanos 7:18,23; Tiago 1:10, "abatimento". É uma vergonha viver uma mentira e colocar prioridades no que é temporal, por isso, é uma glória para um rico em bens materiais ser feito fraco.

Depois de estudar estas palavras hebraicas e gregas que são traduzidas em humildade e as suas variadas formas, entendemos que “humildade” trata-se de uma forma ou outra de rebaixar. Esse rebaixamento pode ser forçado (como por exemplo, ser vencido por alguém ou algo mais forte; ser pobre por natureza ou por falta de capacidade), ou pode ser rebaixamento voluntário (como por exemplo, piedade, modéstia ou assumir uma atitude de humildade). Essa condição é louvável na medida que o humilde procura o trono da graça para aprender de Cristo. A modéstia não faz da timidez uma virtude, mas reconhece os talentos que Deus tem dado e procura usá-los para a glória de Deus. Essa boa condição também procura reconhecer as qualidades que Deus tem dado aos outros. Somos avisados também que não é a humildade que nos faz ser aceitos diante de Deus, mas o fato de estarmos em Cristo. Estando em Cristo, teremos as qualidades necessárias que provêm Dele, incluindo a humildade. A humildade não é fruto de filosofias do homem, mas o fruto da obra do Espírito Santo trazendo-nos a participar em Cristo. Está em Cristo”

A Importância de Humildade

Quando somos humilde tornamo-nos como Cristo Mateus. 11:29 registrou a revelação da humildade e mansidão de Cristo nas seguintes palavras: "... sou manso e humilde de coração". Também em outras partes do Novo Testamento encontramos o registro de que Jesus era manso, submisso e humilde. Mateus. 21:5; Lucas 22:27, "Eu, porém, entre vós sou como aquele que serve."; "todavia não se faça a minha vontade mas a Tua.", Lucas 22:42; "...esvaziou-se a Si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante na forma de homem;" Filipenses 2:7. Cristo, como temos estudado, mesmo sendo o Onipotente, se cansou, João 4:6; mesmo sendo o Onisciente, não sabia o dia da volta do Seu Pai, Mateus. 24:36; mesmo sendo o Onipresente, não estava presente na morte de Lázaro, João 11:15; mesmo sendo o Divino, conheceu fome, Mateus. 4:2; sede, João 19:28. Jesus chorou, João 11:35 e, Jesus, o Todo-Poderoso Deus, experimentou a morte, João 19:30. Sabendo o que Jesus, sendo o eterno Deus se fez pecado por nós, nós também devemos suportar as fraquezas dos nosso queridos irmãos, Efésios. 4:32” Devemos imitar a humildade de Cristo em nosso ministério. O apóstolo Paulo disse em II Tim 2:24: "E ao servo do Senhor não convém contender, mas sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor;"

Quando somos humildes tornarmo-nos como os santo homens de Deus. Em Gên. 39:19-23, José achou "graça aos olhos do carcereiro-mor" pois o Senhor "estendeu sobre ele a Sua benignidade"; Moisés, Núm. 12:3, "era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra."; Ester 4:16 humildemente disse: "... se perecer, pereci". Jó, o homem que deu o grande exemplo de paciência e sofrimento, falou: "me abomino e me arrependo no pó e na cinza.", Jó 42:6. O grande rei e profeta Davi disse: "SENHOR, Tu me sondaste, e me conheces", Sal. 139:1. Eis as estupendas palavras do profeta Isaias: "...Ai de mim” Pois estou perdido; porque eu sou um homem de lábios impuros...", Isaías 6:5. Em Jeremias 1:6 lemos: "...ainda sou menino.". Foi dito do grande homem de Deus, Daniel, que superou pela fé vários obstáculos que ele tinha "espírito excelente"; Daniel 5:12; 6:3.

Paulo, o apóstolo dos gentios humildemente disse em sua primeira carta aos Coríntios: "...quando fui ter convosco, ... não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria"; I Cor. 2:1. Em Gálatas 6:14 ele confessou: "...o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo". Ainda este mesmo Paulo falou aos Efésios o seguinte: "A mim, o mínimo de todos os santos", Efésios. 3:8. O apóstolo Pedro, dando testemunho das santa mulheres do Antigo Testamento, disse: "...um espírito manso e quieto ... assim se adornavam as santas mulheres que esperavam em Deus", I Pedro 3:4-6. Compreendendo que somos "rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta", Hebreus 12:1.

Quando sabemos da importância da humildade, livramo-nos daquelas tristezas que vêm por não conhecer as obras de Deus. Ignorância é tolice. A Bíblia diz claramente que: "...não é bom ficar a alma sem conhecimento", Provérbios. 19:2. O próprio Senhor Jesus disse: "Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus", Mateus 22:29. Tolice é resmungar por aquilo que é para nosso bem e para a glória do nosso Senhor Jesus ("Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberemos o mal”", Jó 2:10). Em Romanos 8:28 está escrito: "...todas as coisas contribuem juntamente para o bem..." Ainda em Romanos 11:36: "...para Ele são todas as coisas, glória, pois, a Ele eternamente...". Às vezes para nossa humilhação é necessário um "espinho na carne" (II Cor. 12:7-9), ou outras quaisquer aflições. Sabendo que Deus é sábio em seus planos e que Ele controla todas as coisas, então podemos nos regozijar nas tribulações (Tiago 1:2-4) ao invés de lamentar”

Quando nos tornamos humildes livramo-nos do maldito orgulho e as desastrosas conseqüências que a falta dela traz para alma. Sabemos que as conseqüências do pecado são muitas. Essas conseqüências podem ser vergonha pública, conforme podemos ver em Lucas. 14:7-14; doenças graves, II Crônicas. 26:16-21; "grande ira", II Crônicas. 32:25,26; perda de responsabilidades, Daniel 5:20-30, ou outra espécie de contenda. Não há como ter as bênçãos de Deus pela falta de humildade, pois "da soberba só provém a contenda", Provérbios. 13:10. As graves conseqüências da carne são corrupção, Gal. 6:8, e nunca podem operar a justiça de Deus, pois em Tiago lemos: "Porque a ira do homem não opera justiça de Deus" (Tiago 1:20). Quando somos humildes, poupamo-nos de muita vergonha, II Cor. 10:5).

Quando não somos humildes gabamo-nos de supostas qualidades como Nabucodonosor, Daniel 4:30; enchemo-nos de soberba como Herodes, Atos 12:22,23; exaltamo-nos como os príncipes contra Daniel, em destruir ou tirar vidas humanas, Daniel 6:4-13, 24; caímos na tentação de nos exaltar, Mateus 23:9-12; e inchamo-nos com a ciência, I Cor. 8:1, "a ciência incha". Devemos entender que quando excitamos a nossa carne, "não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito falacioso aí há perturbação e toda a obra perversa." Tiago 3:13-18. Portanto há muito proveito e vantagens espirituais quando exercitamos a humildade.

Bibliografia

Bíblia Sagrada. Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil, São Paulo, 1994.
Concordância Fiel do Novo Testamento. Vol. I e II, Editora Fiel, São José dos Campos, 1994
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda, Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1a edição, sd.
GILL, John, Commentary on the Whole Bible. Online Bible, Ver 7.05b, http://www.OnlineBible.org 05/98
PIETZSCHKE, Fritz, Novo Michaelis, Dicionário Ilustrado. 23o Edição, Edições Melhoramento, São Paulo, 1978.
STRONG, JAMES LL.D., S.T.D. Abingon”s Strong”s Exhaustive Concordance of the Bible. Nashville, Abingdon, 1980.

 

Autor: Pastor Calvin Gardner

O QUE É SER POBRE EM ESPÍRITO?

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 (Mateus 5:2 ACF)



Jesus começa o sermão da montanha com a afirmação de que são bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus. Note em primeira mão, que a pobreza segue a posse da maior riqueza, ter a posse do reino dos céus. O Sermão começa com um paradoxo; ser pobre em espírito é o meio pelo qual nos tornamos herdeiros do Reino celestial e desfrutamos das riquezas inesgotáveis e eternas contidos no Reino dos céus. (Efésios 3:8) Vamos ao ápice do assunto, porque é claro nas Escrituras que a posse de uma benção eterna ou de valor celestial sempre exige a perda de algo. Um enchimento do Espírito Santo só é possível para aquele que antes se esvazia totalmente de si mesmo. A posse da terra prometida seguiu o desprendimento do Egito. Temos um princípio claro em todas as Escrituras, a perda de algo passageiro por uma eterna é sempre um requerimento, uma exigência, assim o negar-se a si mesmo e o tomar uma cruz, ou perder a vida para ganhar outra vida, correspondem ao assunto. É necessário que antes de receber salvação, o homem reconheça a sua própria falência espiritual e se desprende completamente de méritos próprios para crer completamente na obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. É a perda do orgulho religioso que nos leva para dentro da condição de tornar-se pobre em espírito. Voltemos para o povo hebreu na travessia do deserto após o êxodo, pois ilustra muito bem a pobreza em espírito. Antes, porém, vamos ao grego, no Textus Receptus, o pobre de Mateus 5:2 é palavra “ptechó” e significa ser um mendigo, esmoleiro, alguém que depende do favor de outro para sobreviver. Esse conceito é uma forte expressão, mas devemos ver o contexto: Cristo está falando de pobre em espírito. Como devemos entender essa condição espiritual? a exegese só conduz a uma interpretação: somos mendigos, todo o homem espiritual é um mendigo, e isso significa que ele é totalmente dependente das bênçãos de Deus, dos cuidados de Deus, das dádivas divinas e está debaixo da providência do Senhor. Ele reconhece que não é dono de nada e que a vida está completamente nas mãos do Criador e que é ele que mantém a chama da vida acesa. Não há senão essa dependência única e completa da misericórdia e do amor de Deus. Como o povo de Deus no deserto, quando seguia para a terra prometida. Eles dependiam do maná para se alimentarem e da água da rocha para saciar a sede. O deserto era o lugar da completa dependência, de modo que eles dependiam absolutamente da providencia de Deus, assim até a nuvem expressava que a sombra durante o dia e a coluna de fogo durante a noite servia de proteção para o povo que peregrinava no deserto. Havia uma dependência completa do Senhor. Esse é um bom exemplo de ser pobre em espírito. Assim o cristão também sabe que depende da graça e da providência divina para viver a vida presente e futuro.

Tida a manutenção da vida biológica e espiritual, e também a eterna está ligada ao poder de Deus em manter cada pessoa neste mundo e os salvos debaixo da graça que é rica demonstração de misericórdia e providencia. A condição de reconhecimento pessoal da dependência completa e absoluta da bondade e da misericórdia de Deus é o modo como aprendemos a ser pobres em espírito. E isso inclui uma vida de completa gratidão a Deus por isso, pois quem não é grato por todas as pequenas bênçãos como pode tornar-se merecedor de outras ainda maiores? De certo modo a vida de Cristo era assim, havia aquela completa sujeição á vontade do Pai, um desprender-se das coisas fúteis e um apego as coisas de valor muito mais elevado como, por exemplo, a oração. Mesmo sem posses, Cristo foi o mais rico de todos os homens. Mesmo na simplicidade de ser, foi o mais sábio de todos os homens, e ninguém há de superá-lo nessas virtudes. A pobreza em espírito denota essa condição íntima de humildade e vida de dependência e gratidão absoluta ao Senhor. No discurso de Paulo em Atenas, percebemos a essência da doutrina da total dependência de Deus para a manutenção da vida pessoal, ordinária e extraordinária: "Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos.."(Atos 17:28). O sermão da montanha começa com essa verdade inefável, e ela pode ser percebida agora, no momento presente, é algo precioso e bem verdadeiro que você esteja ciente que a providência de Deus mantém você na existência, tal como está desfrutando agora, e depende completamente dEle para receber outras ainda maiores, incluíndo a vida eterna.



Amém



Clavio J. Jacinto

Comunhão Biblica Bereiana

Paulo Lopes SC

(48) 99947392

 

Contra a Heresia da Falsa Piedade

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Quando Cristo faz uma abordagem sobre o homem bem aventurado no sermão da montanha, a mensagem que ele apresenta é oposta aos conceitos modernos do significado de “bênçãos”. Para o religioso de hoje, do evangelho da moda, bênçãos significam supostamente a bem aventurança de ter segurança, conforto, prosperidade, paz com o mundo, vida sem problemas, materialismo e consumismo em larga escala. Significa uma vida cheia de regalias e conforto. Jesus, porém não fala sobre isso, o bem aventurado dentro do sermão da montanha é aquele que chora, que têm fome e sede de justiça, é aquele que é perseguido por causa da justiça, o bem aventurado é abençoado quando sofre perseguições, desprezos, injurias por causa de Cristo e do Evangelho. Quando mentindo, os inimigos da graça de Deus disserem todo tipo de coisas ruins e inventarem todo tipo de mentiras contra os seguidores de Cristo, nessas condições é que o cristão é bem aventurado e então encontra motivos para regozijar-se. Cristo afirma que grande é o galardão, lá no céu, não na terra, grande são as bênçãos celestiais e não terrenas para esses cristãos abençoados. A tendência moderna de enxergar o oposto, ver nas coisas materiais, egocêntricas e passageiras como motivos de regozijo e contentamento espiritual é a alma da apostasia moderna , acima de tudo é o fruto ruim do falso evangelho pregado hoje em dia.



Clavio J. Jacinto

Comentário de Mateus 5:11 e 12

EM SANTA IGUALDADE

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Uma Das passagens que muito admiro, veio de um apostolo de Cristo, I Pedro 5:5, Deus resiste aos soberbos e dá graça aos humildes. Aqui, lemos no grego huperéphanos, e segundo Strong, significa alguém que se considera superior a outro. É incrível como as Escrituras tratam desse assunto, homens de púlpitos com ares de superioridades, diplomados com gesticulações interiores de orgulho,gente que ao portar carteirinha de obreiro e se acha o tal, tudo isso não tem respaldo nas Escrituras. Por favor, creio em ministérios vocacionados na Nova Aliança, creio que há homens santos que atuam na graça e vivem debaixo da misericórdia, porém não existe um elitismo no Novo Testamento. O mais forte suporta o mais fraco, mas todos dependem do Espírito de Cristo. Nisso consiste em carregar os fardos uns dos outros, a irmandade cristã nivela todos debaixo da graça de Deus, tendo Deus como o “pai nosso que está nos céus” como ensina o santo apostolo “Nada façais por contenda ou por vangloria, mas por humildade, cada um considere os outros superiores a si mesmo” (Filipenses 2:3) como você pode perceber, existem alguns temas das Escrituras que não são ensinados nas igrejas, por mais bíblicas que elas pareçam ser. A Eclésia bíblica, a assembléia cristã é composta de homens que seguem os padrões do Novo Testamento sobre conduta de humildade. Esses valores sagrados de humildade, colocam os lideres como serviçais e os membros como cooperadores no mesmo nível. Se alguém tem experiências mais profundas com Deus, esse deve ser o mais disposto a ajudar quem precisa de crescimento espiritual, quem estuda e se dedica mais ao aprendizado das coisas sagradas, esse deve dispor-se a ensinar quem precisa de orientação e ensino nas questões relacionadas a vida cristã. Não há lugares para dispostas hierárquicas (Presenciei muito esse tipo de disputas, vi muitos enciumados por causa da elitização da vocação), mas ofícios como diaconato, ministério pastoral, etc. Não colocam pessoas acima de outras. Não há um clero á parte de um grupo submisso e passivo, a igreja é feita de membros funcionais ativos, todos e não apenas alguns, mas a função nunca concede superioridade á um em detrimento de muitos, cada um tem seu nível de importância no corpo de Cristo. Não há um ambiente sagrado onde à graça de Deus atue, a não ser na humildade. Geralmente os equívocos se perpetuam por causa da falta de humildade, virtude pouco cultivada hoje em dia e tema pouco abordado por lideres cristãos e ainda mais grave pouco praticado por causa da ignorância sobre esse assunto. Cito um exemplo, a ansiedade por popularidade é o campo fértil da liderança cristã. O desejo pela plataforma da fama é um campo bem disputado hoje em dia, todavia, jamais se lembram esses que Jesus pouco  falou sobre pregar para multidões e receber fama e gloria por meio do evangelho, mas mandou entrar no quarto secreto (Mateus 6:6 no grego “tameion” é identificado por Strong, como uma câmara secreta, lugar do anonimato, onde temos um encontro pessoal com Deus) Não estou afirmando que pregar para um grupo grande de pessoas seja algo errado, falo da inversão dos valores, pois dobrar os joelhos e adorar e falar com Deus no anônimo de um quarto secreto, não é um ato inferior ao púlpito com multidões! Quero que o leitor perceba que uma coisa não é superior a outra, e não temo dizer que o quarto secreto num encontro com Deus é um ato até mais elevado do que pregar as multidões, pois que enquanto que no meio de pessoas há quem irá idolatrá-lo, já no quarto secreto, basta ser um pouco sensato para se humilhar completamente debaixo da presença do Todo Poderoso. (Veja Provérbios 22:4 Colossenses 2:18) Mas em nossos dias, quem ensina e defende ou ainda mais almeja isso? o conceito é completamente oposto, pois não somos ensinados sobre humilhação santificada, não somos orientados a perceber a importância da humildade, o clericalismo seja ele evangélico ou católico, nos conduz á outras direções complemente opostas ao exemplo de Cristo, e infelizmente hoje, poucos estão dispostos a reconhecer esse desvio grave. Aos moldes do Novo Testamento, ninguém deseja ter titulo eclesiástico, uma vez que a forma do sofrimento e o risco que correm os que desejam se submeter aos padrões bíblicos têm os apóstolos como exemplo, todos com exceção ao amado João, foram martirizado, conforme registrou os historiadores da igreja.(Veja Efésios 4:2)

Clavio J. Jacinto

SEGUES O EXEMPLO DE CRISTO?

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“... E começou lavar os pés aos discípulos” (João 13:5) a grande ceia prossegue, a grande lição é dada no que pode ser praticado, a realidade está na ação, no ato de um declínio, o serviço de um escravo. Era Cristo quem estava agindo assim. Não havia pompas, ali naquela cena não estava um campo minado do glamour e glórias humanas. A força operacional do orgulho estava reduzida a escombros. Jesus estava lavando os pés dos discípulos. Pés encardidos, fedorentos, cheio de fezes de animais devido ao acumulo de sujeira fecal dos animais nas ruas centrais da palestina onde o transito de cavalos era intenso. Havia um histórico de uma jornada que procedeu ao amanhecer de mais um dia, naquele ambiente caustico, o fim do dia apresentava aos discípulos, os pés impregnados de todo o tipo de sujeira aderido por causa do suor, mas Jesus inclina-se até aos pés sujos dos discípulos. Que cena ridícula, quando exposta aos teólogos modernistas, a elite glamorizada da religião do orgulho humanista, passa a passos largos de textos maravilhosos como João 13:1 a 20. A religião do impressionismo que se adere à fé cristã para sustentar toda a pompa e orgulho nocivo que caracteriza a marca da elite espiritual que se destaca hoje em dia e que nada tem do espírito de Cristo (Romanos 8:9). Poucos querem seguir o exemplo do Salvador até as descidas aos degraus do serviço humilde, para certas mentalidades filosóficas isso seria radical demais, descer e despojar-se de todo o orgulho, um esvaziamento das coisas seculares é necessário para um enchimento com coisas celestiais. Assim da humildade de Cristo, pouco exemplo tem tido utilidade pratica no meio evangélico de hoje. Nós rejeitamos aquelas atitudes que Jesus abraçou, e de modo ousado, celebramos o estilo de vida que ele desprezou. Isso não é um assunto confortável, não queremos lidar com a realidade de que as coisas singelas são marcas de um verdadeiro apostolado. Olhemos para os apóstolos modernos, porque eles querem ser chamados assim? Porque desejam combater o bom combate acabar a carreira e guardar a fé e logo em seguida morrer como mártir? Não! Seguem a pompa e o glamour, o desejo por grandeza destrói toda necessidade de cultivar a humildade. Pedro se escandalizou com tamanha humilhação serviçal, isso parecia ser uma atitude inconcebível para aquele que os profetas chamaram de Emanuel, mas a atitude de Cristo é uma descida aos recônditos mais firmes do caminho mais seguro onde as virtudes mais raras recebem a fertilidade mais poderosa: a humilhação serviçal. Lidar com o gigantismo não é fácil, a natureza do homem quer receber inchações e se sobrecarregar de tudo o que agiganta o próprio conceito de si mesmo. O caminho da humilhação e da humildade é um caminho insuportável para os que desejam caminhar sob a luz do orgulho pessoal. De fato, creio que muitos ensinos de Cristo são confrontos diretos á natureza humana caída, o mundo não entende o porque de mãos puras precisaram tocar em pés sujos e fedorentos, mas nessa retórica de ação sublime repousa todo o cerne da justificação pela obra consumada e perfeita de Cristo, onde Ele mesmo lava-nos de nossas pecados mais pungentes, nossas mais tenebrosas manchas espirituais provocadas pelas iniqüidades mais malditas são  removidas pelo sangue de Cristo, quando cremos nEle.(I Pedro 2:24 Apocalipse 1:5) Assim embora Pedro se comova, na percepção sensata daquele caso, é mais insensível aquele que não consegue ver a profundidade da ação de Cristo.


Clavio J. Jacinto

SOBRE CORREÇÃO

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“As pessoas reagem de acordo com o verdadeiro coração. Elas odeiam ou amam á quem as corrige e isso depende ou não de serem  verdadeiros convertidos”

Dias atrás fiz uma correção sobre algo que ouvi que era notavelmente um equivoco doutrinário sem base no Novo Testamento. O pregador que ouvir minha correção insistiu na idéia de que ele não estava errado Infelizmente o orgulho pessoal  falou mais alto do que as Escrituras. Ainda há pouco tempo, antes de escrever esse artigo, conversei e aconselhei um irmão que passou por uma situação um pouco mais delicada, pois ao tentar corrigir uma heresia decorrente de uma pregação que ouviu algum tempo atrás, acabou recebendo ofensas do pregador que defendeu uma falsa doutrina publicamente. Infelizmente preciso admitir:  “Pessoas que não querem ser corrigidas não desejam se sujeitar ao Espírito de Cristo”  Posteriormente quando foi corrigido, defendeu com sua  opinião de forma absurda, sem considerar que de fato a bíblia não ensinava o que estava defendendo. Ao defender uma opinião equivocada contra a Palavra de Deus, o que se pratica nada mais é do que a idolatria á razão pessoal. Embora a fabilidade seja um fato e a correção e ajustes de muitas idéias seja um fato irrefutável na vida das pessoas, você não encontra com facilidade almas humildes dispostas a serem corrigidas, e esse comportamento apenas sinaliza que elas não são nem humildes e muito menos sabias. Na verdade o homem espiritual tem por amigo o que o corrige, e não aquele que encobre os erros com elogios hipócritas. Na verdade, quem odeia a repreensão e a correção, é classificado pelo Espírito Santo como escarnecedor (Provérbios 9:8) do mesmo modo, a Palavra de Deus diz que quando o sábio é repreendido, ele amará mais ainda aquela pessoa que o corrigiu. Tudo o que ameaça o orgulho do homem carnal é visto como ofensa pessoal, o orgulhoso nunca tem desejo de correção, quem age assim hoje em dia? o dileto leitor possui essa bendita qualificação? de se sentir feliz ao invés de ofendido quando é corrigido?  Porque pessoas não gostam de serem corrigidas? porque isso irá ferir o ego e o orgulho. É lógico que a condição espiritual para suportar a correção deve ser a verdadeira santidade e humildade, de outra forma, sabemos que é muito desagradável ser repreendido ou corrigido. Grande parte das pessoas irão resistir a tudo aquilo que os humilha, ainda outro fator determina isso, uma opinião pode ser colocada numa posição maior em questão de autoridade do que as Escrituras, daí o fato de muitas vezes quando confrontados,  muita gente rejeita a bíblia e fica com as opiniões pessoais. Não sei de que modo o leitor reage diante de uma correção, porém quero afirmar aqui que o amor é a primeira coisa que desabrocha quando um homem espiritual é repreendido e corrigido, e o fruto desse desabrochar espiritual é a gratidão, pois quando você consegue abandonar um equivoco em troca de uma verdade, isso o tornará mais sábio. Será um ganho espiritual muito grande, mas receio ser muito raro hoje em dia, encontrar pessoas que estejam sujeitas a correção. Estou afirmando algo que faz parte da minha experiência, é muito difícil encontrar pessoas que estejam dispostas a correção, principalmente se quem as corrige é mais nova, ou se a pessoa que precisa ser corrigida é um líder. Aliás, em certos círculos evangélicos, pastores e são visto como infalíveis e intocáveis. Essa superstição crassa aumenta sempre a gravidade da situação. Verdadeiros lideres não se enxergam nas alturas do senhorio inabalável, mas descem ao solo da humildade e da servidão.  Corações regenerados estão sempre dispostos á correção, e quando são corrigidos, são ainda mais felizes, porque percebem as próprias limitações, sabem que as pessoas estão prestando atenção ao que estão dizendo, e isso corresponde ao fato de que elas não são infalíveis. O problema não está na correção que é necessária, mas raridade em encontrarmos pessoas que estejam dispostas á isso, há muito orgulho escondido por trás de mascaras de falsa piedade, que emerge sempre quando a fantasia da opinião equivocada é quebrada pela força da evidência da verdade. Em suma, aprendemos através do Evangelho que aquele que está disposto a reconhecer seus erros, este está ainda mais apto para receber mais misericórdia divina.

CLAVIO J. JACINTO

Na Escola da Humilhação

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A religião cristã é a fé dos opostos, pelo menos dentro da perspectivas do mundo, a bíblia assinala que o cristão trilha opostos permanentes. Aqui temos algo a dizer, por exemplo, a graça divina confere o fato de que a justificação pela fé exclui qualquer mérito humano e sempre reforça o fato da confiança plena da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz. Assim também no que se insiste sobre uma vida bem sucedida, o convite das Escrituras é para um viver no Espírito sob o aspecto que mais é negligenciado hoje em dia, a humildade e a humilhação. Creio que seja esse o ponto que justifica porque se prega hoje tão pouco sobre o quebrantamento e a humildade. Veja que quando Cristo começou seu sermão no monte, de inicio ele enfatiza a pobreza de espírito, o que num sentido literal, Cristo fala sobre o ser mendigo das coisas celestiais, isso requer uma observância da nossa condição de total dependência de Deus em tudo. Isso é o posto da auto-suficiência, que denota orgulho e rebelião. Mas ainda prossigo nessa radical seqüência das exigências ao novo homem transformado pelo Espírito Santo, pois enquanto que o mundo monta palcos o Espírito Santo clama por humilhação. Enquanto que o mundo oferece a gloria humana pelos degraus do egocentrismo, nos vamos ver o Senhor nos chamando para a humilhação, e isso notamos na vida de Paulo, depois de quase três décadas de fé cristã ele vai reconhecer que é um dos principais pecadores (I Timóteo 5:17)  ser peregrino e estrangeiro já denota um fator conclusivo, o cristão não tem uma morada permanente aqui nesse mundo, não somos de um sistema que jaz no maligno (I João 5:19). Então a voz do Santo Consolador que nos guia a toda verdade nos convida a humilhar-se e não a exaltar-se. A humilhação é um papel perene na vida do cristão, só ao Senhor cabe o dureiro da exaltação. “Humilhai-vos perante o Senhor, e ele vos exaltará” (Tiago 4:10) “Humilhai-vos pois, debaixo da potente mão de Deus, para que ao seu tempo ele vos exalte” (I Pedro 5:6). Essa é uma regra áurea, um principio permanente. A Deus cabe a responsabilidade de dar honra ao homem que se submete a humilhação por amor e reconhecimento a Soberania de Deus. Nisso consiste em que muitos obreiros e cristãos nada tem a  apresentar a não palha inútil. Porque são orgulhosos. Toda a humildade procede de um coração santificado assim como a pompa e o orgulho mais arrogante procede de um coração diabólico. Não é tarefa fácil falar sobre humildade em nossos dias de homens arrogantes e amantes de si mesmos. Nessa geração de egocêntricos, nem mesmo o evangelho pode ser pregado na sua essência mais divina porque os ouvintes se ofendem com a mensagem da bíblia. Por mais cômico que seja isso, a contradição mais ridícula da igreja moderna é que seus membros odeiam toda a mensagem que interprete a voz do Espírito e que ao mesmo tempo seja ofensiva porque suas convicções não se encaixam com aquilo que a bíblia ensina. Segue que as convicções pessoais de muita gente tem sido a autoridade final em questões de fé e pratica e não as Escrituras, e isso pode ser observável mesmo entre aqueles que defendem a suficiência final das Escrituras, ou “sola Scriptura”. Mas esse convite a humilhação é uma coisa seria. Isso funciona para qualquer um e é uma exigência para todos porque o modelo maior é Cristo e ele se humilha na cruz, se humilha na servidão quando lava os pés dos apóstolos, quando nasce numa estrebaria, quando se submete a viver nove meses no útero de Maria, quando é rejeitado pelos mestres de Israel “E sendo ele em forma de homem humilhou-se a si mesmo” (Filipenses 2:8) A voz que em Genesis ecoa como um trovão quando ordena as coisas criadas, aquela voz de autoridade que ordena Lazaro sair da sepultura, aquela voz digna de respeito que ordenou libertação aos cativos quando expulsava os demônios, que deu voz de autoridade contra a tempestade, ela se cala no silencio da humilhação da cruz “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca, como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca” (Isaias 53:7). Esse caminho de humilhação na presença do Senhor é um convite a rendição e reconhecimento da sua eterna Soberania sobre a nossa vida. É um reconhecimento da nossa fraqueza e impotência espiritual, uma necessidade da vida piedosa é essa tão exigida descida ao pó, ao reconhecimento da nossa debilidade e total dependência, e mais que isso também é uma forma como crucificamos o nosso orgulho, pois na humilhação reduzimos o nosso ego a nada. Cristo insistiu sobre isso, ele ensinou com voz firme, com certeza absoluta que os que a si mesmo se exaltam, serão humilhados e os que se humilham serão exaltados (Mateus 23:12 Lucas 14:11 e 18:14) por isso, há um caminho a percorrer na presença do Senhor, esse quebrar-se da alma, essa descida aos pés da cruz, essa inclinação até os lugares mais inferiores do Calvario, um prostrar-se aos pés do Senhor, e isso é rebaixar-se diante de todos os homens. Não estou nada satisfeito com o egocentrismo que prevalece hoje em dia entre os que se dizem cristãos, homens arrogantes e briguentos, promotores de disputas internas e formadores de elitismo espiritual, não há vento do Espírito soprando sobre esses homens, eles estão trancafiados no obscurantismo de seus corações arrogantes, estão acorrentados pelos grilhões do orgulho, escravos do ego e regido por princípios puramente satânicos, pois são essas coisas que caracterizam a índole dos filhos das trevas, a natureza de um homem que está cego e manipulado pelas potestades dos ares (Efesios 2:2) é essa natureza egocêntrica e rebelde.

EGOISMO:UMA ENFERMIDADE ESPIRITUAL

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Agir por interesse próprio ou por conveniência de modo a trazer benefícios pessoais e tão somente isso é a forma de egoísmo que mais predomina entre cristãos hoje em dia. Essa tendência malévola de trazer interesses para a nossa vida independente da vontade de Deus e muitas vezes induzindo o próximo à perdas , muitas delas espirituais e irreparáveis é uma maneira maligna de agir por trás de uma capa religiosa. Não há disfarce tão diabólico, quanto o vestir-se de um manto de santidade falsa para coagir outros a agirem de acordo com os nossos interesses pessoais, isso é agir de modo diabólico. Veja que para tentar usurpar a vontade humana satanás de transfigura em anjo de luz (II Coríntios 4:4) e por motivações abomináveis gosta de se passar por teólogo (Mateus 4:6) Assim a busca por interesses egoístas é uma forma de expressão carnal e  maligna, e isso é muito comum devido a tendência do coração humano em desejar ser o centro da vida comunitária. O que predomina no  mundo é esse espírito egoísta, e por isso vimos lá todo o tipo de trapaças, porque é necessário que mundanos tenham uma plataforma para exibir e dominar os outros, receber honras e todas as parafernálias que o induzem a sentimentos de satisfações que satisfazem o ego.  É notável que os sentimentos de um coração regenerado tendem sempre a buscar os interesses pessoais, sem se importar com os meios e as conseqüências. Devido a essa inclinação a satisfazer o ego, desejam ocupar cargos eclesiásticos,motivados pelos sentimentos de orgulho, não desejam o episcopado  ou diaconato para o serviço, mas para satisfazer o ego, da mesma maneira desejam cantar ou pregar, apenas para achar um meio de erguer o ídolo do ego perante os olhos alheios, nada mais que isso.Gosto muito de meditar nas palavras de C. H. Mackintosh, pois elas são sabias e verdadeiras “"Que o Senhor possa nos livrar desse costume tão comum em nossos dias que é o de agirmos por interesse, atitude essa à qual não falta religiosidade, mas que é inimiga da cruz de Cristo. O que é necessário para permanecermos firmes contra essa terrível forma de mal não são opiniões peculiares, princípios especiais ou uma fria exatidão intelectual. Precisamos de uma profunda devoção à Pessoa do Filho de Deus; uma completa consagração de coração, corpo, alma e espírito, ao Seu serviço; um desejo sincero por Sua gloriosa vinda. Possamos, portanto, eu e você, nos unir em um só clamor que saia do fundo de nosso coração, a dizer: "Não tornarás a vivificar-nos, para que o Teu povo se alegre em Ti?" (Sl 85:6)."

CLAVIO J. JACINTO