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ANÁTEMA: QUANDO A PERVERSÃO DO EVANGELHO ENGANA MULTIDÕES.

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C. J. Jacinto

 

 

 

Em Gálatas, capítulo 1, versículos 8 e 9, o apóstolo Paulo adverte sobre a possibilidade da pregação e existência de um evangelho diferente daquele que ele pregou. No texto bíblico, observa-se que Paulo expressa sua advertência com vigor e veemência, utilizando um tom solene de alerta máximo. Ele declara: "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue outro evangelho além do que já vos pregamos, seja anátema". No versículo seguinte, Paulo reitera essa declaração com igual intensidade, enfatizando a seriedade da advertência sobre a pregação de um evangelho falso.

 Considerando a crise enfrentada pelas igrejas da Galácia, notadamente um forte desvio de caráter doutrinário de grande magnitude, o apóstolo Paulo expõe a gravidade da situação, considerando a pregação de outro evangelho como algo a ser rejeitado e combatido. Qual era a natureza dessa apostasia? Indivíduos procuravam integrar a lei mosaica ao evangelho. Estes, conhecidos como judaizantes, cristãos de origem judaica, infiltraram-se nas comunidades cristas  da Galácia, disseminando a idéia de que a fé em Cristo, embora necessária, não era suficiente.

A problemática residia na negação da obra consumada e perfeita de Cristo na cruz, assim como da salvação unicamente pela graça, em detrimento das obras. Este desafio, a ser enfrentado pelo apóstolo Paulo ao escrever às igrejas da Galácia, não se restringiu à época da Reforma Protestante, como alguns poderiam supor. O contexto da epístola aos Gálatas demonstra que essa realidade já se manifestava, demandando a correção por meio da carta escrita às igrejas da Galácia. A negação da justificação pela fé   através da obra consumada e perfeita e perfeita de Cristo na cruz estava sendo negada.  Eles caíram da graça!

 Alguns indivíduos, adeptos de práticas judaicas, infiltraram-se nas comunidades cristãs, defendendo a necessidade de observar elementos da antiga aliança para alcançar a salvação. Eles disseminavam a idéia de que a circuncisão era obrigatória para os gentios convertidos, além de exigir a rigorosa observância da Torá e o cumprimento dos rituais cerimoniais prescritos no Antigo Testamento. Em essência, negavam a suficiência da obra redentora de Jesus Cristo na cruz.

 Estes indivíduos demonstravam uma compreensão deficiente da distinção fundamental entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a antiga e a nova aliança. Contudo, o Evangelho estabelece essa clara diferenciação. Conforme registrado em João 1:17, "A lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo." Essa passagem demarca uma linha divisória. Aqueles que não discernem adequadamente essa divisão, confundindo lei e graça, correm o risco de incorrer em um sincretismo religioso e de repetir os erros da Igreja da Galácia.

 Observe a precisão das palavras de Paulo. Em Gálatas, capítulo 1, versículo 7, Paulo acusa, ou seja, denuncia, a perversão desses judaizantes legalistas. Ele identifica essa mistura, esse desvio, como uma deturpação. No original, o termo significa distorcer, inverter o sentido de algo que é verdadeiro, isto é, do Evangelho genuíno. Não se trata de uma mensagem completamente diferente, mas de uma adulteração sutil, cujas consequências Paulo, no contexto da epístola, apresenta como graves, pois considera o resultado final dessa adulteração do Evangelho como uma condenação, um anátema.

  Em outras epístolas, como em Romanos e Efésios, Paulo enfatiza a salvação pela graça. Em Efésios, capítulo 2, versículo 8, ele declara que a salvação é  graça é concedida por meio da fé. O outro evangelho que Paulo ataca e denuncia em Gálatas, contudo, inclui as obras humanas como condição para a justificação e a salvação, adicionando algo ao Evangelho da Graça. Em Gálatas, Paulo combate contra a ideia  de que somos justificados pela fé e, adicionalmente, pelas obras. Paulo denuncia essa doutrina como um "outro evangelho", praticada pelos judaizantes e que contaminou os galatas. Estes ensinavam que a fé em Cristo é necessária, mas a salvação também depende das obras como complemento à obra de Jesus Cristo na cruz. Essa era a mensagem dos judaizantes, e os gálatas estavam sucumbindo a essa doutrina. Essa queda, semelhante à queda no Jardim do Éden, que foi uma queda para a desobediência, é, em Gálatas, uma queda para um evangelho diferente. Ambas as quedas acarretam consequências trágicas para os homens. Ao defender que os cristãos convertidos deveriam ser circuncidados e observar as leis e cerimônias do Antigo Testamento, esses falsos mestres ensinavam que a obra de Cristo era incompleta e que a graça de Deus não era suficiente para a justificação. Argumentavam que a redenção proporcionada pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário não era plena, tornando necessária a contribuição humana através da observância da lei. Essa postura negava o princípio da justificação pela fé, conforme revelado nas Escrituras, especialmente no livro de Romanos Assim, promoviam uma doutrina que exigia a combinação da fé em Cristo com as obras da lei, com o objetivo de anular a separação entre a antiga e a nova aliança, conforme estabelecido em João 1:17. Consequentemente, defendiam que a salvação dependia da circuncisão e da observância das leis e cerimônias do Antigo Testamento, além da fé em Jesus Cristo.
Ao analisar os capítulos 3 e 4 da Epístola aos Gálatas, percebemos que o apóstolo critica severamente os legalistas, acusando-os de retornar às ordenanças mosaicas. Essa postura representa um retrocesso, uma renúncia à liberdade espiritual proporcionada por Cristo através do Evangelho, em favor de uma nova forma de escravidão. A leitura atenta desses capítulos revela a profunda preocupação de Paulo com a gravidade de se acrescentar obras como requisitos para a salvação, como se a salvação dependesse da observância da lei. Somos salvos pelo que Cristo fez na cruz e nao pelas obras feitas por homens Essa ênfase nas obras, naquilo que o indivíduo deve fazer, implica em considerar a obra de Cristo incompleta, tornando a salvação um mérito compartilhado entre Cristo e os pecadores. Trata-se de um erro grave que devemos evitar.

 A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas, aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração. Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração. 

 

A compreensão do Evangelho revela que, em Cristo, há uma nova criação. É crucial, portanto, examinar como Paulo, em suas epístolas, aborda a questão central da regeneração. A palavra "regeneração" está intrinsecamente ligada aos ensinamentos de Cristo sobre o novo nascimento. Em 2 Coríntios, capítulo 5, versículo 17, Paulo declara que, se alguém está em Cristo, é nova criatura. A graça, assim, conduz à experiência da regeneração. Como resultado da justificação pela fé, aquele que crê em Cristo renasce pelo poder do Espírito Santo. Essa é a regeneração.
 Em Efésios, capítulo 4, versículo 24, Paulo descreve as características dessa nova criatura: ela é criada em verdadeira justiça e santidade. Surge, então, a confusão gerada por certos judaizantes que argumentam que a graça sem a lei conduz à libertinagem, enquanto a lei com a graça leva à obediência. Essa perspectiva é totalmente equivocada, pois Paulo enfatiza que a nova criatura, aquela que está em Cristo e que é regenerada, é uma criação divina, moldada em verdadeira justiça e santidade debaixo da graça somente. A função da lei é revelar o quanto o homem precisa da graça, a condenação da lei revela o quanto precisamos de Cristo e do Evangelho. A natureza renovada do homem, santo e regenerado, é inerentemente inclinada a cumprir a vontade de Deus e ter comunhão com Ele. A dinâmica da salvação não reside na capacidade de cumprir a lei ou pratica de boas obras e observação de cerimônias, mas de crer em Cristo como único e suficiente Salvador (Atos 4:24). Crendo no Evangelho o homem pecador é regenerado e a inclinação do novo homem, criado em verdadeira justiça e santidade, é de realizar a vontade de Deus, guiado e orientado pelo Espírito Santo. Pois aquele que não tem o Espírito de Cristo, não pertence a Cristo.

 Romanos, capítulo 8 proclama a profundidade dessa realidade espiritual do homem regenerado, que é conduzido pelo Espírito Santo e possui o Espírito de Cristo. Assim, não são os preceitos da lei, mas a presença e o testemunho do Espírito Santo na vida do homem regenerado que o direcionam pelos caminhos da santidade. E assim chegamos numa plenitude de abundancia espiritual: o Fruto do Espírito (Gálatas 5:24).

 Portanto, a análise revela que os princípios teológicos ensinados e defendidos por Paulo estão sendo transgredidos e ignorados pelos gálatas. O apóstolo Paulo fundamenta a rejeição, com a adoção a outro evangelho, e faz a denuncia com vigor, demonstrando zelo e compromisso com a mensagem da cruz e  a centralidade da salvação pela graça e a justificação pela fé como base do verdadeiro Evangelho. A salvação não depende de obras humanas, conforme ele enfatiza em Gálatas 2:16. Igualmente crucial é a compreensão da cruz como evento escatológico decisivo, através do qual Cristo inaugurou a nova criação. Tentar mistura o suor fedorento do homem adâmico ao sangue precioso e divino de Cristo como complemento necessário para a conquista da salvação é um anátema! O retorno à lei, portanto, implica em negar esse fato. A unidade do evangelho em Cristo, conforme exposto em Gálatas 3:28, pode ser quebrada com a adição de elementos de religião que caducou adicionados ao Evangelho revelado no Novo Testamento, essas adições são perigosas, corrompem o Evangelho, pervertem a mensagem, as adições e o sincretismo fazem isso. Observações de dias, a crença na regeneração batismal, imposições legalistas, a superstição de que dar o dizimo, pregar que essas coisas são necessárias para a salvação é corromper o Evangelho. Os que pregam e defendem isso comprometem a integridade do Evangelho. Desse modo, extraímos uma aplicação espiritual que nos instrui e nos põe em estado de alerta: Qualquer sistema que promova a salvação por fé e obras, fé e rituais sacramentais obrigatórios, observações de dias e outras observâncias legalistas, supersticiosas incorre em grave erro, sendo veementemente condenado por Paulo. (Por favor leia atentamente todo o Capitulo 3 da Segunda Carta de Paulo ao Corintios, capitulo 3 para discernir espiritualmente a superioridade da Nova Aliança sobre a Antiga, sugiro também que o leitor faça uma leitura cuidadosa e profunda do livro de Hebreus) Em suma, entendo que a lei não contém em si, a provisão divina para o perdão dos pecados, nem a lei, nem ordenanças religiosas, nem cerimônias, nem sacramentos, essa é uma providencia absolutamente divina e é oferecida aos homens por intermédio de Cristo somente.  Fora de Cristo não há salvação e Cristo através de Sua Obra Redentora na cruz oferece tudo o que o homem precisa para se salvar.

É essencial, portanto, compreender que o Evangelho nos conduz à liberdade espiritual e a uma experiência singular na revelação progressiva das Escrituras. Devemos distinguir entre o jugo pesado da lei e o jugo suave de Cristo, entre o ministério da morte da lei e a vida abundante de Cristo. Mas contudo jamais devemos perder a direção que nos aponta a graça salvadora de Deus, pois ela nos ensina, e não obriga, que o cristão bíblico deve  renunciar à impiedade e às concupiscências mundanas para viver no presente século com discernimento espiritual (Leia Tito 2:11 a 15)


O Evangelho autêntico, central na fé cristã bíblica, apresenta Jesus Cristo como o único e suficiente meio para a salvação. Sua obra foi perfeita e completa, totalmente suficiente e eficiente. O cristão que se guia pelas Escrituras deposita sua fé na obra consumada e perfeita de Jesus Cristo na cruz do Calvário, realizada de uma vez por todas. A salvação não depende de acréscimos, obras, cerimônias ou leis, mas exclusivamente da obra redentora de Cristo. A justificação pela fé somente é, portanto, uma doutrina fundamental e amplamente presente no pensamento teológico de Paulo e em todo o Novo Testamento.
 É imprescindível compreender essa verdade de forma clara, pois qualquer acréscimo ao Evangelho constitui um erro grave. Em Gálatas 5:1, Paulo exorta os crentes a permanecerem firmes na liberdade que Cristo lhes concedeu. Esse é o apelo pastoral que ressoa nas severas advertências de Paulo aos crentes da Igreja da Galácia que caíram na armadilha de abraçar outro evangelho. Infelizmente, muitas igrejas, pregadores, pastores e até mesmo religiões que se autodenominam cristãs incorrem no erro que Paulo condenou em Gálatas: a adição de obras, leis ou práticas cerimoniais judaicas à salvação, como condições necessárias.
 Este é um erro gravíssimo, exposto por Paulo em sua epístola aos Gálatas. Dada a sua seriedade, devemos estar atentos e evitar a propagação, defesa ou vivência de um "outro evangelho", pois tal prática conduzirá à frustração e a decepção espiritual. Firmemo-nos, portanto, no Evangelho da graça de Deus.

 

 

Foi abençoado por este estudo bíblico?

 

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A Lição da Planta Trepadeira: O Coração de Deus e a Miséria Humana

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A Lição da Planta Trepadeira: O Coração de Deus e a Miséria Humana

 

Jonas 4:2

 

 “Ah! SENHOR! Não foi isso o que eu disse, estando ainda na minha terra? Por isso, me apressei em fugir para Társis, pois sabia que és Deus clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade, e que te arrependes do mal.” — Jonas 4:2

O livro de Jonas não termina com o grande peixe, nem com o arrependimento coletivo de Nínive. O clímax da narrativa está no capítulo 4, onde Deus revela, de forma chocante, que o verdadeiro problema não era a cidade ímpia, mas o coração endurecido do próprio profeta.

A planta trepadeira — uma simples aboboreira — torna-se o instrumento pedagógico divino para expor e corrigir valores distorcidos, revelar a profundidade da graça e confrontar a miséria espiritual que ainda habitava Jonas.

1. O Contraste de Valores Distorcidos

Jonas se alegrou profundamente por causa da planta que lhe fazia sombra. Sua reação é desproporcional: uma alegria intensa por seu conforto momentâneo e uma ira igualmente intensa quando a planta seca e morre.

Mas esse homem que vibra com o frescor de uma sombra temporária não demonstra qualquer compaixão por uma cidade inteira, composta por mais de 120 mil pessoas.

Deus revela a contradição:

 “Tiveste compaixão da aboboreira… e não hei de eu ter compaixão de Nínive?” (Jonas 4:10-11)

A planta expõe Jonas. Ele tinha valores invertidos, afetos doentes e prioridades egoístas.

O profeta, que havia experimentado livramentos extraordinários — o mar acalmado, a intervenção sobrenatural do peixe, a restauração da vida — ainda assim não tinha um coração moldado pela compaixão e pela sensibilidade espiritual.

A narrativa nos confronta:

Quantas vezes valorizamos mais confortos pessoais do que  vidas humanas? Quantas vezes nos indignamos mais com perdas materiais do que com a perdição espiritual de pessoas ao nosso redor?

 

Jonas precisava aprender, e nós também: Deus sempre se importa mais com pessoas do que com plantas, com almas do que com sombras.

2. A Lição Sobre Graça Imerecida

Jonas não fez absolutamente nada para merecer a planta. Ela veio do nada, pela pura benevolência divina. Da mesma forma, Nínive não merecia perdão. Era uma cidade cruel, brutal e violentíssima. Ainda assim, Deus expressou Sua graça soberana sobre aquela população.

A planta revela o contraste:

 Jonas recebe graça e agradece.

Nínive recebe graça e Jonas reclama.

A graça, quando não transforma o coração, produz hipocrisia. Jonas não consegue aceitar que o mesmo Deus que o salvou repetidas vezes também desejasse salvar pessoas que ele desprezava.

O Novo Testamento ecoa essa lição:

 “Cristo morreu por nós sendo nós ainda pecadores.”

Essa é a grande verdade que Jonas não compreendia: a graça de Deus é sempre imerecida, seja sobre judeus ou assírios, sobre profetas ou pagãos, sobre nós ou nossos inimigos.

3. Jonas e os Assírios: Um Mesmo Coração Necessitado**

A ironia final do livro é devastadora: Jonas, o profeta de Israel, tinha um coração tão depravado quanto o dos assírios.

Eles precisavam de arrependimento; Jonas também.

Eles careciam de misericórdia; Jonas também.

Eles necessitavam de transformação; Jonas também — talvez até mais.

 

A lição da trepadeira deixa claro que **o pecado não está apenas na cidade distante, mas no coração do homem religioso**, que muitas vezes conhece a verdade, mas não se rende a ela. Somente um coração que foi profundamente quebrantado pela misericórdia de Deus é capaz de ver os outros com misericórdia.

E esse é o processo que o Senhor estava realizando no profeta:

Desconstruindo seu nacionalismo, seu orgulho, sua autopiedade, seu senso de justiça própria.

O final do livro permanece aberto, porque a pergunta de Deus ecoa pela história:

Será que você, meu servo, terá compaixão como Eu tenho?

 

Conclusão: A Planta, o Profeta e o Deus da Misericórdia**

A planta trepadeira é uma parábola viva. Ela confronta, corrige e cura.

Ela revela que o maior desafio de Deus não foi mover Nínive ao arrependimento, mas mover o coração de Jonas à compaixão.

A mensagem é clara:

A graça que nos alcançou é a mesma que Deus deseja derramar sobre todos.

A compaixão divina deve moldar nossa visão do mundo.

O maior obstáculo à missão não está lá fora, mas aqui dentro — no coração endurecido do mensageiro.

A pergunta que fecha Jonas continua aberta para nós:

Se Deus tem compaixão, por que nós não teríamos?

 

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O Evangelho da Graça e a Liberdade Cristã

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Em João, capítulo 8, versículo 36, Jesus proferiu a seguinte declaração: "Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres." Esta é uma promessa de grande valor. Cristo prometeu a libertação. Em Mateus, capítulo 11, versículo 28, lemos: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso." Jesus afirma que seu jugo é suave e seu fardo é leve. A experiência da vida espiritual, alcançada por meio do novo nascimento e da regeneração, não nos submete a uma religião opressora ou a um legalismo rigoroso, mas nos conduz à liberdade em Cristo.
 Esta declaração de Jesus ressoa com a exortação de Paulo aos Gálatas. Os gálatas estavam em perigo de abandonar a graça em favor de uma religião carnal, sujeitando-se à opressão das leis do Antigo Testamento. Paulo, então, adverte em Gálatas, capítulo 5, versículo 1: "Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou."
 A experiência do cristão que verdadeiramente experimentou o novo nascimento corresponde àquela descrita em Tiago 1:25, onde se menciona a lei da liberdade perfeita. Isso implica que o cristão desfruta de uma genuína liberdade.

 É crucial compreender que, ao apresentar a liberdade, o Evangelho, por meio de Cristo, oferece a libertação, essencialmente, do domínio do pecado e da religiosidade baseada em rituais vazios. Frequentemente, indivíduos que se autodenominam cristãos encontram-se oprimidos por doutrinas humanas, defendendo ideias e práticas não fundamentadas na Palavra de Deus, que não foram ensinadas por Cristo e que não se alinham à graça da nova aliança.

 Diante disso, é imperativo valorizar profundamente essa liberdade, pois Jesus prometeu libertar-nos. Essa libertação constitui uma lei perfeita, que nos permite usufruir das realidades espirituais e eternas inerentes ao Evangelho.

 A entrega ao Evangelho é um ato voluntário que traz consigo a leveza e a libertação. Libertos da condenação do pecado, do fardo da culpa, das incertezas e inseguranças que a vida por vezes impõe, encontramos a liberdade plena, pois fomos redimidos por Jesus.

 O conceito bíblico de redenção, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, remete à compra de escravos no mercado, libertando-os mediante um pagamento. Esses, antes cativos, passavam a desfrutar da liberdade.


 De modo análogo, em Cristo e pela graça, através da obra perfeita e consumada de Jesus na Cruz do Calvário, encontramos a liberdade completa, da qual desfrutamos diariamente. A fé em Cristo, manifestada em uma justificação que não depende de obras, é o caminho a ser seguido.

 Portanto, não nos devemos apoiar em nossas próprias capacidades nem macular o sacrifício de Jesus, misturando nossos esforços com o sangue precioso, puro e imaculado de Cristo, que foi o preço pago por nossa redenção. Nossa salvação foi integralmente garantida por Jesus, e em nada podemos contribuir para a obra consumada na cruz. Jesus morreu por nossos pecados, e a salvação não é alcançada por meio de nossas ações.
 Analisamos a condição humana de perdição, cativa do pecado e, consequentemente, sujeita à influência e possível domínio de entidades espirituais malignas.

 Paulo, na Epístola aos Efésios, capítulo 2, declara: "Ele vos vivificou, estando vós mortos em vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência, entre os quais também todos nós, outrora, vivíamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos, por natureza, filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos vivificou com Cristo (pela graça sois salvos)." Que mensagem inspiradora!

 Consideremos a afirmação de Paulo sobre o passado, quando vivíamos "segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar". Essa é a condição daqueles que ainda não experimentaram a redenção.



 Entretanto, em 1 João, capítulo 5, versículo 18, encontramos a seguinte declaração: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca." Aquele que é regenerado por Deus não permanece sob a influência dos espíritos das trevas, dos príncipes da potestade do ar. Ele foi liberto. É essa libertação que a Palavra de Deus, o Evangelho, nos oferece.

 Libertos do pecado, agora obedecemos a Deus, depositando nossa fé completa na obra redentora de Cristo na cruz do Calvário. Ali, Jesus entregou Sua vida, pagando o preço pelos nossos pecados, cumprindo a justiça divina em nosso lugar. Através do sacrifício de Jesus, fomos resgatados, libertos, não para confiarmos em nossas próprias ações, como se a salvação dependesse de méritos pessoais ou da observância rigorosa de dogmas e rituais religiosos. O Evangelho nos convida a confiar unicamente em Cristo, pois a salvação é concedida por meio da fé, e não pelas obras. A crença de que a salvação pode ser perdida por falhas ou omissões é uma deturpação da verdade, uma volta à escravidão, semelhante à situação dos gálatas que se desviavam da graça. O verdadeiro Evangelho liberta da necessidade de alcançar a salvação através de esforços próprios, rompendo com a religião da carne e conduzindo à vida em Cristo. Ao instruir-nos sobre a liberdade, o Evangelho nos remete à liberdade dos filhos de Deus. Observa-se, em nossos dias, considerável confusão sobre este tema, decorrente da falta de compreensão. A liberdade que Cristo nos oferece, que o Evangelho nos propicia, não é uma licença para o pecado, mas sim, a libertação do pecado. Não se trata de uma liberdade para agir segundo a própria vontade, pois esta já era a condição anterior à libertação, quando o indivíduo era escravo do ego e das inclinações mundanas. Antes, o homem é liberto para cumprir a vontade divina, para seguir os preceitos do Senhor, para viver na graça de Deus, dedicando-se, acima de tudo, ao serviço do Senhor em fé e mansidão, reverenciando-O em temor e santidade. Contudo, essa liberdade não se confunde com uma religião rigorosa, que impõe pesados fardos sobre a vida do indivíduo, gerando opressão espiritual, tão penosa quanto aquela que existia anteriormente na vida de incredulidade.



É importante ressaltar que a afirmação de que não devemos viver em libertinagem não implica, de forma alguma, em permissividade. A graça de Deus, revelada no Evangelho, não nos conduz a esse comportamento. O Evangelho não nos direciona ao antinomianismo, mas nos capacita a viver uma nova natureza em Cristo, sob a orientação e o poder do Espírito Santo, de modo que possamos viver em obediência e reverência a Deus, conforme compreendemos pela leitura e estudo da Palavra.

 Em 1 João, capítulo 5, versículo 3, o apóstolo João, que desfrutou de íntima comunhão com o Senhor e experimentou as glórias do Evangelho de Jesus Cristo, declara: "Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos. E os seus mandamentos não são pesados". Essa declaração provém de alguém que vivenciou a graça de Deus, o poder do Evangelho, a misericórdia de Cristo e a regeneração, alcançando a plenitude da vida cristã.

 A declaração de João evidencia que o cristianismo não impõe regras onerosas, que cerceiam a liberdade. Ao contrário, somos libertos para viver o Evangelho e confiar no Senhor, princípios dos quais não podemos abrir mão.


 Há um trecho fundamental, um capítulo inteiro em 1 João 3, que aborda as características dos filhos de Deus. Estes foram libertados para praticar a justiça, libertos para não mais viver na prática do pecado, mas para viver em obediência. É importante ressaltar que não devemos comparar o pecado com outras práticas, pois ambos produzem consequências severas para a humanidade. A religião que enfatiza as obras, focada no que o homem deve fazer para alcançar a salvação, impõe fardos pesados. Se o indivíduo não cumprir as regras e preceitos estabelecidos, não será salvo, pois a ênfase recai sobre o que se deve evitar. Essa abordagem condiciona a salvação a um conjunto de normas.



Em contraste, a religião de Cristo, o Evangelho, aponta para o que   

 Cristo fez por nós. Vivemos a vida no Evangelho e em obediência, não por esforço próprio, mas por causa da nossa nova natureza em Cristo. Essa natureza nos impulsiona à obediência por amor, conscientes de que o pecado traz maldição e a vontade de Deus nos abençoa. Somos conscientes de que o pecado acarreta consequências devastadoras, enquanto a obediência nos conduz à proteção.

 Essa distinção é crucial, pois o homem regenerado possui discernimento bíblico a respeito dessas questões. Ele vive dependendo da graça e da misericórdia de Deus, e sua confiança na salvação reside no que Cristo fez por ele, e não em suas próprias ações.

 Portanto, é imprescindível considerarmos a lei perfeita da liberdade, pois ela proporciona um profundo deleite espiritual ao vivermos em consonância com a graça divina. Somos salvos pela graça, e não por nossos méritos ou deméritos. É fundamental compreender esta doutrina bíblica, que nos conduz ao verdadeiro Evangelho. A salvação não é conquistada, mas concedida pela misericórdia de Deus, que nos alcança. Confiamos integralmente no que Jesus Cristo realizou por nós no Calvário, onde Ele se entregou como cordeiro. Ali, a ira de Deus, que deveria recair sobre nós, foi direcionada a Jesus, cumprindo-se a justiça divina por meio da expiação realizada na cruz. Somos salvos pela obra de Cristo na cruz, e não pela observância de preceitos ou doutrinas humanas. A salvação é unicamente pela graça de Deus, mediante a fé inabalável em Jesus. Este é o significado da justificação pela fé: somos salvos pela obra perfeita e consumada de Cristo na cruz do Calvário. A salvação não depende de nossos esforços ou obras; a única condição é oferecermos nossa fé e confiança naquilo que Deus, em Cristo, realizou por nós na cruz.

 

C. J. Jacinto