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Reflexões sobre a tentação e a vida cristã vitoriosa

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Por C. J. Jacinto.

Inicialmente, a tentação freqüentemente se manifesta externamente, embora a verdadeira luta se trave no íntimo de cada indivíduo. Em segundo lugar, as palavras de Cristo, "Afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua", revelam que a superação da vontade individual, alcançada com profunda angústia e uma determinação completamente devotada a Deus, é possível. Terceiro, o caminho da salvação, por meio da renovação espiritual, implica em uma identificação com uma vida de renúncia e sofrimento. A antítese a essa jornada é a busca por prazeres terrenos, que conduz à perdição eterna. Cristo exemplifica a humildade em sua mais sublime expressão, pois a pretensão de um mortal em se igualar à divindade constitui uma atitude de soberba. Em contraste, Cristo, o Verbo encarnado, demonstrou humildade e servidão ao se fazer homem.

Em quarto lugar, caso Cristo não resida em nosso íntimo, em nosso coração, careceremos da iluminação necessária para discernir a natureza maligna do pecado, que se dissimula sob uma falsa aparência de beleza. Quinto, somente um evento cósmico que envolva a totalidade do nosso ser pode determinar o fim definitivo da tentação. Este evento cósmico é o encontro com Cristo e a nossa regeneração pelo Espírito Santo.

Em sexto lugar, devemos permanecer no estágio da dependência divina, fortalecidos pelo poder do Espírito Santo. Em sétimo lugar, a vigilância constante é um dever em nossa jornada. A sobriedade espiritual é um dever primordial para cada cristão verdadeiro. Em oitavo lugar, frequentemente, o caminho que nos afasta do pecado é marcado por sofrimentos e dificuldades. Contudo, a consequência final do pecado é a condenação eterna, enquanto nossa resistência a ele nos conduzirá à glória. Em nono lugar, Deus trabalha em nosso caráter. A verdadeira espiritualidade exclui o orgulho. A permanência na dependência de Deus é um processo que não isenta a dor, mas nos guia às alegrias celestiais. Em décimo lugar, que nossos olhos se afastem do brilho ilusório da atração do pecado e se fixem nas glorias celestiais. Que Cristo, que outrora foi crucificado, cujas chagas foram abertas por causa de nossos pecados, seja sempre lembrado com profunda reverência, para que temamos a Deus e, finalmente, não ofendamos o Espírito da Graça nem consideremos profano o sangue da nova aliança.

 

 

A Arte de Vencer a Nós Mesmos - C. J. Jacinto

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No início do capítulo 5 de Atos dos Apóstolos, somos apresentados à história de Ananias e Safira. Essa narrativa, presente no livro de Atos, apresenta um caso notável sobre o julgamento divino, direcionado a um casal que cometeu um pecado que, sob a perspectiva da visão pós-moderna e de muitos cristãos contemporâneos, pode parecer corriqueiro e desprovido de grande perigo, dada sua natureza aparentemente simples e inerente à condição humana: a mentira.  A questão central é que Ananias e Safira não mentiram aos homens, mas a Deus. O envolvimento nesse pecado, sem o devido discernimento, pode acarretar consequências espirituais severas. É crucial que desenvolvamos a capacidade de discernir quando as questões envolvem a Deus e quando se referem meramente aos homens. Essa distinção é essencial para evitar juízos e as duras disciplinas do Senhor. Portanto, este é um tema de extrema importância, que merece consideração e relevância na igreja contemporânea, pois a natureza do pecado permanece inalterada ao longo do tempo. O pecado continua sendo tão grave hoje quanto o foi na época de Ananias e Safira. O que mudou é a nossa percepção. A tendência à relativização, influenciada pelo pós-modernismo, tem minimizado a gravidade do pecado, levando, em alguns casos, os cristãos modernos a um estado de apostasia e perigo espiritual.

 Ananias e Safira eram um casal judeu convertido ao cristianismo, membros da igreja primitiva, liderada por Pedro e pelos apóstolos. O episódio deles é relatado a partir do versículo 5 do livro de Atos dos Apóstolos, uma narrativa de Lucas que oferece importantes lições para a atualidade. Considero apropriado referir-me a Atos como "Atos Históricos da Igreja", pois nele encontramos os primeiros registros de uma comunidade cristã em desenvolvimento, experimentando o poder, a graça e o juízo de Deus. A passagem de Ananias e Safira exemplifica essa dinâmica. O casal, como muitos outros, decidiu vender uma propriedade e depositar o valor aos pés dos apóstolos. Dentro desse contexto, podemos inferir que havia um voto associado a essa intenção de vender a propriedade, com os apóstolos como testemunhas. Assim, Ananias e Safira fizeram um voto a Deus, comprometendo-se a entregar o valor total da venda aos apóstolos para que estes o administrassem, auxiliando as viúvas e os órfãos que se juntavam à igreja em meio à intensa perseguição que a comunidade cristã enfrentava.
 Considerando o conhecimento prévio sobre a situação, Ananias e Safira, após prometerem aos apóstolos a venda de sua propriedade e a entrega do valor correspondente, possivelmente se depararam com uma quantia considerável. Observa-se, portanto, que, além da mentira, que pode ter sido um comportamento recorrente em suas vidas, surgiu neles a ambição de reter parte do dinheiro, sugerindo implicitamente a presença da avareza.
 Outro pecado pode ser observado na conduta de Safira. Ela estava ciente do acordo estabelecido com os apóstolos, de que todo o valor obtido com a venda de bens deveria ser entregue a eles. Contudo, ambos decidiram, em conjunto, enganar os apóstolos, retendo parte do dinheiro proveniente da venda.

Este ato revela mais um pecado, implícito na conduta de Safira, que se torna cúmplice do erro de Ananias. Em vez de adverti-lo sobre a injustiça e desonestidade da ação, ela simplesmente concordou e o apoiou. Dessa forma, Safira participou do engano e da trapaça, e, por conseguinte, sofreu o mesmo juízo.


A analogia com Adão e Eva, que também sofreram as consequências de suas ações, expulso do jardim, ilustra a gravidade da situação. Neste caso, a punição recaiu sobre ambos devido a diversos pecados revelados em uma análise mais profunda deste evento narrado por Lucas no capítulo 5 do livro de Atos. Devemos verificar o texto com mais profundidade, a narrativa lucana de Atos envolve uma serie de personagens históricos, Pedro e os apóstolos, os moços que sepultaram Ananias e Safira e respectivamente o casal já mencionado. Mas devemos atentar para as palavras de Pedro, pois há uma acusação, satanás encheu o coração de Ananias. Temos um agente invisível mas pessoal, o tentado estava a espreita rugindo como leão buscando quem possa tragar, Ananias e Safira eram as presas. O tentador agiu de modo sutil, é o personagem invisível, Ananias não percebeu sua ação e Safira também não, mas Pedro tinha discernimento e percebeu toda a manobra e astucia do diabo. É simplesmente trágico e perigoso quando não percebemos as táticas e as manobras sutis de Satanás, a falta de discernimento de Ananias se deu num contexto próprio, o pecado estava cegando o seu coração, todas as vezes que achamos que a pratica do pecado não tem conseqüências catastróficas, estamos sofrendo de cegueira espiritual.  Observai atentamente: Satanás, conhecendo as fraquezas, as falhas morais e os pecados não redimidos de Ananias, utilizou-os para a sua própria destruição e a de Safira. Percebe-se, portanto, que Satanás age, se apropria e se serve dos pecados alheios como instrumento para a ruína. Longe de ser admirável, tal ação é catastrófica. O que Satanás requer para a perdição de um indivíduo? Os seus próprios pecados. Assim, caso uma pessoa se entregue à lascívia, à desonestidade, à mentira, à trapaça ou a qualquer outra inclinação pecaminosa, e se esses pecados não forem confrontados com rigor e determinação, Satanás poderá deles se valer para a sua destruição. Essa é uma realidade devastadora e terrível. Foi o que Satanás fez com Ananias e é como ele atua para arruinar muitos outros: ele emprega os vícios como armas para a própria aniquilação.

 Assim, observamos Paulo empenhado na questão do homem velho, tratando-o com severidade e rigor, declarando a necessidade de crucificá-lo. Adicionalmente, recordamos as palavras de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, em Mateus, capítulo 16, versículo 24, onde nos instrui a tomar a nossa cruz e negar a nós mesmos, o que exige grande determinação para lidar com nossos pecados. A crucificação cumpre esse propósito.

 Diante da seriedade do assunto, conclamamos todos os eleitores a refletir com profunda ponderação. O caso envolveu indivíduos que professavam a fé cristã: duas pessoas, membros da igreja, participantes das escolas e reuniões, que recebiam ensinamentos. Este é um assunto de extrema importância. Nossa intenção é transmitir uma mensagem instrutiva, oferecendo orientações e conselhos. Devemos nos dedicar à mortificação da carne, extinguindo as obras carnais em nossas vidas, para que o "homem velho" seja sepultado e crucificado com Cristo. Somente através dessa morte, que experimentamos na cruz, podemos vivenciar a ressurreição de Cristo. A cruz, em Cristo, tem o poder de expiar nossos pecados e destruí-los. Devemos atentar para essas duas realidades. A cruz ainda exerce efeito sobre nossas vidas. Por isso, Jesus nos exorta a tomar a nossa cruz, o que implica em dificuldades e sofrimentos em relação ao nosso "homem velho", que periodicamente busca dominar nossas vidas. Considero de suma importância abordar novamente a questão dos pecados de Ananias e Safira, pois ambos mentiram ao Espírito Santo, ou seja, mentiram a Deus. A pergunta central é: o que os levou a essa mentira? A resposta, conforme o texto, é clara: o apóstolo Pedro afirma que Satanás preencheu seus corações, utilizando a avareza como instrumento. A cobiça de Ananias o impulsionou a apropriar-se indevidamente do que pertencia a Deus, isto é, parte do valor da venda de seus bens, consagrados a Ele.  Portanto, Ananias, dominado pela avareza, foi levado a mentir por amor ao dinheiro. Safira, testemunhando esses eventos, não demonstrou discernimento suficiente para evitar a influência maligna em suas vidas. Ao contrário, permitiram que Satanás agisse livremente, armando uma cilada que utilizou seus próprios pecados como isca para sua destruição.  Que o Espírito de Cristo nos conceda discernimento espiritual para compreender estes ensinamentos. Que, por meio destas palavras, Deus nos instrua, a fim de que reconheçamos nossas imperfeições, nossas faltas e nossos pecados, e a gravidade de incorrer no pecado deliberadamente, pois o juízo divino foi severo sobre Ananias e Safira. De certa forma, este é o efeito do pecado sobre a vida daqueles que não se arrependem. Essa é a reação de Deus em relação ao pecado, e devemos refletir sobre isso, pois, embora sejamos cristãos e sirvamos a Deus, devemos fazê-lo com devoção.

Se Ananias e Safira não fossem mentirosos, avarentos, trapaceiros e Safira não fosse cúmplice das coisas erradas, eles teriam discernimento acerca das manobras diabólicas e a seriedade de seus pecados e nunca iriam permitir que o diabo pudesse usar suas próprias iniqüidades como  arma para destruir eles mesmos! A ordem dada a nós é “Sujeitai-vos, pois a Deus, resisti ao diabo e  ele fugirá de vós” (Tiago 4:7)

 

Esse artigo é a transcrição resumida de um sermão pregado para um grupo de homens no Centro de Reabilitação Crer – Paulo Lopes - SC

A Tentação e o Vencedor

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C. J. Jacinto



A tentação se manifesta externamente, mas a verdadeira batalha reside no interior de cada coração. Quando Cristo orou, "Pai, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua", Ele ensinou que a superação da vontade própria é alcançada por meio de sofrimento. O caminho para a vida eterna, através da regeneração, consiste em viver em conformidade com uma vida crucificada. A antítese disso é a busca por prazeres terrenos, seguida da condenação eterna.

 A humildade de Cristo é o exemplo supremo, pois a pretensão de um homem em ser divino é um ato de arrogância. Sendo um ser mortal, Cristo se tornou humildemente servo quando o Verbo se fez carne, representando uma descida, um caminho diametralmente oposto ao caminho de Satanás, que almejava ascender ao trono. Cristo desceu de seu trono.

 Se Cristo não habitar em nosso interior, não seremos capazes de discernir a essência maligna do pecado, que se disfarça sob uma falsa aparência de beleza. Somente um evento transcendental, que envolve todo o nosso ser, pode dar um fim definitivo à tentação: o encontro com Cristo e a vivência com Ele, dependendo inteiramente d'Ele como nosso padrão de existência. Permanecer em dependência divina, através do poder do Espírito Santo, é essencial para alcançarmos a vitória sobre todas as tentações. A vigilância constante é um imperativo, a sobriedade espiritual, um dever fundamental. Muitas vezes, o caminho que evita o pecado envolve sofrimentos temporários, enquanto o destino do pecado é sempre o sofrimento eterno. Deus molda nosso caráter; a verdadeira espiritualidade exclui o orgulho. A permanência na dependência de Deus é um processo que não isenta da dor, mas permite a experiência dela.

 Se os olhos se afastarem do brilho enganoso da atração do pecado, que estejam fixos nas glórias celestiais. Por fim, lembremo-nos das palavras do Senhor Jesus em Mateus, capítulo 16, versículo 24: "Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me". Isto é, Cristo nos convida a segui-lo rumo à glória celestial, através das dificuldades, pois o caminho oposto, o caminho para a condenação eterna, é apresentado com todas as facilidades.

A Deus, toda a glória. Amém.

 

 

 

Lições para vencer as tentações

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1-    As tentações se encontram lá fora, mas a batalha sempre dentro do nosso coração.

2-    Quando Cristo disse: “afasta de mim esse cálice, porém não seja a minha vontade, mas a Tua” Cristo ensinou que só podemos vencer a nossa vontade experimentando grandes sofrimentos.

3-    O caminho do céu pela regeneração é uma conformidade com uma vida crucificada, a antítese disto é uma vida de prazeres mundanos seguida de uma danação eterna.

4-    Que Cristo é exemplo de humildade e não de arrogância, revela que o pecado induz o homem a arrogância e não a humildade.

5-    Se Cristo não habita em nosso santuário interior: o coração, não teremos luz suficiente para enxergar a monstruosa deformidade do pecado revestida por uma falsa aparência de inocência.

6-    Só um evento cósmico que envolve todo o nosso ser pode atribuir um fim definitivo para a tentação: Nossa conversão permanente a Cristo.

7-    Permanecer em um estagia de completa dependência divina para ser cheio do Espírito Santo é a via normal de um combatente espiritual.

8-    A vigilância é um imperativo permanente na vida cristã e a sobriedade espiritual um dever supremo.

9-    Na maioria das vezes o caminho para evitar o pecado tem sofrimentos temporários, mas o fim do caminho do pecado será sempre o sofrimento eterno.

10-           Permanecer no caminho da peregrinação com Cristo não evita aflições, mas a comunhão com Ele supera todos os obstáculos.

11-           Vencer a tentação não é um ato que prova o quanto somos fortes, mas o quanto somos consagrados e tementes a Deus.

12-           Que nosso coração evite ser seduzido pelo brilho falso das tentações e esteja fixo nas glórias das coisas celestiais.

C. J. Jacinto