Introdução: A Sede do Extraordinário
Em um mundo marcado pela rotina e pela desencantamento, a busca por
experiências que transcendam os limites do ordinário tornou-se uma característica
definidora de nossa época. O texto “O Culto do Delírio” oferece uma provocação
contundente, analisando essa busca não apenas no âmbito secular das drogas e da
cultura de massas, mas também em fenômenos dentro do próprio cristianismo. Seu
argumento central é que a compulsão por “ficar chapado”, por ultrapassar os
limites da consciência ordinária, constitui um culto moderno e perigoso, que se
infiltrou até mesmo em expressões religiosas. Devemos ficar atentos, doutrinas
como a “embriaguez no Espirito” e ou “cair no Espirito” são inovações conseqüentes
de uma apostasia.
I. As Drogas e a Política do Exagero
O mundo secular se caracteriza por uma abordagem pragmática sobre as drogas,
reconhecendo seu papel emblemático em nossa cultura. No entanto, devemos fazer
uma distinção crucial entre a substância e o abuso, e entre o perigo real e a
narrativa manipulada. A crítica direciona-se aos “políticos corruptos” e ao
“exagero” oficial, sugerindo que a histeria moral em torno do tema muitas vezes
serve a interesses escusos, obscurecendo um debate racional. A defesa da
cannabis, citando Gênesis para destacar sua origem natural, contrasta com a
condenação de drogas mais destrutivas, estabelecendo um critério de dano e
moderação, não de proibição pura. A saber, que a feitiçaria em seus princípios mais
antigos usa poções mágicas para o contato com potencias sobrenaturais (anjos caídos)
II. Do Êxtase Químico
ao Frenesi Coletivo
A questão se expande para além das substâncias químicas, há um paralelo comportamental no fenômeno dos grandes shows e da música. A “histeria coletiva” ou “delírio nervoso” é apresentada como uma droga social, um êxtase induzido pela multidão que resulta em perda de controle. Temos a realidade que aborda a sociologia e teologia, argumento que tal estado é “contrário à vontade de Deus”. A citação de Efésios 5:18 (“E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito”) é o ponto de partida para distinguir a embriaguez destrutiva da plenitude espiritual.
III. O Delírio Religioso: O Espírito ou Dionísio?
Este é o núcleo da crítica mais polêmica da questão. Observa-se que, a partir do século XX, parcelas significativas do cristianismo foram tomadas por ondas de experiências místicas intensas e espetaculares: visões, profecias e glossolalia (“falar em línguas”) em contextos de alta carga emocional. Até onde podemos perceber biblicamente, isto não é um avivamento genuíno, mas uma “paganização” da fé. O que podemos perceber nessa tendência? um “Retorno do Espírito? ou um Retorno de Dionísio?” — é fundamental distinguirmos isso. Dionísio (ou Baco), o deus greco-romano do vinho, do êxtase e do delírio ritualístico, torna-se a metáfora para um tipo de espiritualidade que prioriza a experiência sensorial descontrolada sobre a ordem e a paz. O Espírito Santo, conforme descrito em 1 Coríntios 14, é um “Espírito de ordem e paz”, que produz frutos como o “autodomínio” (Gálatas 5:23). Portanto, fenômenos de frenesi coletivo em ambientes religiosos são atribuídos a uma “origem demoníaca e oculta”, uma sedução que confunde êxtase pagão com ação divina.
IV. O Caminho do
Equilíbrio: Liberdade no Espírito versus Libertinagem da Carne
Contrapondo-se ao culto do delírio, precisamos de um retorno ao culto disciplinado, ordenado e o exercício do teste dos espíritos de I João 4:1 a 6. Essa é uma alternativa teológica sadia e coerente: a liberdade cristã é espiritual e disciplinada. Leia Romanos 8:9-13, e veja que a verdadeira transformação vem do “Espírito de Cristo que habita em nós”, o que leva a uma luta contra os desejos da carne, não a uma rendição a estados alterados de consciencia. Encontrar esse equilíbrio é um processo difícil (“requer muitas quedas e provações”), mas é distinto tanto da repressão farisaica (como condenar o chá e o café) quanto da libertação ilusória oferecida pelos delírios químico, musical ou religioso.
Conclusão: Discernindo os Espíritos
“O Culto do Delírio” funciona, em última análise, como um chamado ao discernimento. É UM Desafio ao leitor a questionar a origem e o fruto de qualquer experiência que prometa transcendência. Seja na política do proibicionismo, na cultura do entretenimento massivo ou nas expressões carismáticas da fé, o mais importante é que se distinga entre o que edifica com ordem e paz e o que simplesmente intoxica e escraviza. A pergunta final que ecoa é: estamos buscando o fruto do Espírito, com seu autocontrole, ou estamos, consciente ou não, participando de um ritual moderno muito parecido com o culto a Dionísio, o deus do delírio?
O que clamo é que haja um discernimento bíblico rigoroso por parte de cristãos sinceros pois que é notável que a apostasia e o engano seriam marcas distintas dos últimos dias.
C. J. Jacinto
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