Irmãos e irmãs em Cristo quero compartilhar convosco um mistério santo, uma verdade que ressoa desde as celas mais sombrias e sobe como incenso puro até o trono da graça. O Apóstolo Paulo, sob a inspiração do Espírito, nos ordena com ternura divina: “Alegrai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1 Tessalonicenses 5:16-18). Estas não são meras palavras, mas o pulsar do próprio coração de Deus para Seus filhos. A alegria, a oração e o agradecimento são o triplo cordão que não se quebra, mesmo sob o peso mais esmagador.
E permitam-me conduzi-los ao testemunho vivo desta verdade, uma história que não é apenas biográfica, mas sim um salmo encarnado. Em minhas peregrinações, o irmão Bill Bathman guiou-me até a presença de um verdadeiro levita dos últimos tempos, um homem cuja alma era um altar: Nicolae Moldoveanu, a quem os fiéis chamavam, não sem razão, de “O Bach da Romênia”. Contudo, sua mais sublime sinfonia não foi composta em órgãos de catedral, mas no silêncio ensurdecedor de uma cela de tortura comunista.
Imaginem, irmãos: a escuridão palpável, o frio do concreto, a carne que estremece sob a crueldade do homem. Aí, privado de tudo – sem a sagrada Palavra, sem livros, sem o consolo de um instrumento, sem mesmo a humilde caneta –, o que restava a Nicolae? Restava-lhe o templo do seu espírito, santificado pelo Espírito Santo. Em vez de gemer de dor, ele escolheu entoar cânticos. Em vez de gravar em sua mente as cicatrizes dos algozes, ele gravou, nota por nota, melodia por melodia, hinos de louvor ao Deus Eterno. A tortura, que visava quebrar seu corpo, tornou-se, por um divino paradoxo, a forja de sua criatividade celestial. Centenas de hinos nasceram ali, no ventre da besta, como pérolas formadas no sofrimento da ostra.
Oh, profunda lição para nossas almas pequeninas! Em sua cela, Moldoveanu possuía o maior de todos os instrumentos: um coração grato. Ele não aguardou a liberdade para bendizer; ele bendisse para encontrar a verdadeira liberdade. Sua disciplina mental não era um mero exercício, mas uma oração contínua, uma fuga para os átrios do Senhor. Cada novo hino memorizado era um ato de guerra espiritual, um decreto de que a luz das coisas invisíveis é mais real que a escuridão das coisas visíveis.
Quando finalmente a liberdade temporal chegou, ele trouxe consigo, de dentro da prisão, não amargura, mas um tesouro: mais de seis mil cânticos, muitos dos quais nós, hoje, cantamos com enlevo, sem conhecer o calvário de onde brotaram. Eis o milagre da gratidão cristã: ela não nega a dor, mas a transcende. Ela não ignora a circunstância, mas nela descobre a pegada de Deus. Moldoveanu nos ensina que a gratidão é a chave que destrava a porta da prisão interior.
Portanto, amados, cultivemos esta atitude santa. Não apenas pelos dons manifestos, mas pelo Doador que se faz presente mesmo quando todos os dons parecem retirados. Em toda e qualquer circunstância, nossa alma pode, como Nicolae, compor um hino secreto. Pois aquele que é grato na escuridão já carrega consigo a aurora. E essa é, de fato, a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. Que nossos corações se tornem, como o daquele santo compositor, harpas sentimentais onde o espírito redimido compõe, mesmo nas noites mais longas, a sinfonia da esperança. Amém.
Inspirado no artigo publicado em:
https://www.frontlinemissionsa.org/bible-teaching/cultivating-an-attitude-of-gratitude

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