A DIVINDADE DE CRISTO COMO EIXO DA FÉ CRISTÃ


 



 

O Prólogo de João, os Hinos Paulinos e o Cristo Cosmocrator

A célebre afirmação joanina — “No princípio era o Verbo” (Jo 1.1) — não é apenas uma abertura literária elegante, mas uma declaração teológica de máxima densidade, que posiciona o leitor desde o primeiro verso no coração da fé cristã: a divindade eterna do Filho. Longe de ser um acréscimo tardio ou uma elaboração helenística artificial, o prólogo do Evangelho de João expressa uma cristologia já plenamente consolidada na igreja primitiva.

Entender esse fato nos leva para uma convicção segura acerca da divindade de Cristo

É comum encontrar a alegação de que o uso do termo Logos revelaria uma dependência direta da filosofia grega — seja de Heráclito, seja do judaísmo helenístico de Fílon de Alexandria. Contudo, essa leitura falha ao não perceber que João não importa o Logos filosófico, mas subverte e redefine radicalmente qualquer conceito prévio, preenchendo-o com o conteúdo da revelação bíblica e da fé apostólica. Os gregos teriam uma idéia vaga (o Logos em Hieraclito nem sequer era pessoal) mas no Evangelho de João é pessoal e concreto, é uma realidade ultima.

Como observa D. A. Carson, o prólogo joanino não introduz doutrinas novas ou exóticas, mas apresenta ensinamentos cristãos amplamente conhecidos, agora organizados de forma poética, confessional e catequética. Tudo indica que estamos diante de uma influencia de um hino cristológico primitivo, comparável àqueles preservados em Filipenses 2:6–11 e Colossenses 1:15–20. É evidente o eco harmônico de Paulo e João.


O Logos Eterno e o Cristo Pré-existente

João começa onde Gênesis começa — “no princípio” — mas vai além. O Verbo já existia antes da criação, estava com Deus (distinção pessoal) e era Deus (identidade ontológica). Não se trata de um ser intermediário, nem de um agente criado, mas daquele que participa plenamente do ser divino.

Essa afirmação é devastadora para qualquer forma de:

  • Arianismo antigo ou moderno,
  • Unitarianismo,
  • Cristologias funcionais que reduzem Jesus a mero representante humano de Deus.

João não diz que o Logos tornou-se divino, nem que recebeu divindade, mas que Ele é Deus desde sempre. Aqui está uma verdade explicita e concreta que jamais pode ser negada por qualquer estudante sério das Escrituras.


Os Hinos Paulinos: Cristo como Senhor Cósmico

Essa mesma cristologia emerge com força nas epístolas paulinas, especialmente nos textos reconhecidos como hinos da igreja primitiva.

Filipenses 2:6–11

Paulo descreve Cristo como aquele que:

  • Existia na forma de Deus,
  • Não se apegou à igualdade com Deus,
  • Esvaziou-se voluntariamente,
  • foi exaltado ao ponto de receber o Nome acima de todo nome.

O clímax do hino é explícito:

“Para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho… e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor”.

Aqui, Paulo aplica a Jesus a linguagem de Isaías 45:23, onde o próprio YHWH declara que todo joelho se dobrará diante dele. Isso não é metáfora devocional; é identificação ontológica. Jesus é confessado como Kyrios, título divino aplicado ao Deus de Israel na Septuaginta.

O processo da redenção, de forma efetiva é realizada de forma eficiente pelo Emanuel, Deus conosco. Primeiro por uma humilhação “kenótica” e então pela plenitude de uma exaltação suprema.


Colossenses 1:15–20

Neste texto, Cristo é apresentado como:

  • Imagem do Deus invisível,
  • Agente da criação de todas as coisas,
  • Senhor sobre tronos, dominações, principados e potestades,
  • Aquele em quem tudo subsiste.

Aqui emerge claramente a imagem de Cristo como Cosmocrator — o soberano do cosmos, aquele que não apenas cria, mas sustenta e governa toda a realidade visível e invisível. Nada existe fora do seu domínio. Nenhuma força espiritual lhe é rival.


Hebreus 1 e o Cristo Pantocrator

A epístola aos Hebreus eleva ainda mais o tom apologético. Logo em seu primeiro capítulo, o autor declara que o Filho:

  • É o resplendor da glória de Deus,
  • A expressão exata do seu ser,
  • Aquele que sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder,
  • É entronizado à direita da Majestade nas alturas.

Hebreus não apenas afirma a divindade de Cristo, mas o apresenta como Pantocrator — o Todo-Poderoso, aquele diante de quem até os anjos são ministros, jamais iguais.

O autor é explícito:

“A qual dos anjos jamais disse: Tu és meu Filho?” (Hb 1.5)

Toda tentativa de rebaixar Cristo à categoria de ser criado é frontalmente rejeitada.


O Verbo que se fez carne: Encarnação sem redução

João 1:14 afirma o escândalo central da fé cristã:

“O Verbo se fez carne e habitou entre nós.”

O Logos eterno não deixou de ser Deus ao assumir a humanidade. A encarnação não é uma diminuição ontológica, mas um ato soberano de auto-humilhação, coerente com Filipenses 2. Aquele que sustenta o universo entra na história, sem abdicar de sua glória essencial. Essa é a revolução da redenção, o movimento da graça divina em favor dos pobres pecadores, o Filho de Deus torna-se filho do homem. Agente da redenção, pontífice exclusivo no processo de reerguer o homem do abismo da queda para um reencontro com o Criador “Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6)


Implicações Teológicas e Apologéticas

O que tudo isso implica?

1.    O Evangelho de João nasce dentro de um consenso cristológico primitivo, não como inovação tardia.

2.    A divindade de Cristo não é um desenvolvimento pós-apostólico, mas o núcleo da fé cristã desde o início.

3.    Jesus não é apenas Salvador pessoal, mas Senhor cósmico, juiz, sustentador e reconciliador de todas as coisas.

4.    Qualquer evangelho que apresente um Cristo reduzido — moralista, místico, terapêutico ou meramente exemplar — não é o evangelho apostólico.


Conclusão

O Cristo apresentado por João, Paulo e Hebreus é o mesmo:
eterno, consubstancial ao Pai, criador, sustentador, redentor e soberano absoluto.

Ele é o Cosmocrator, Senhor da criação.


Ele é o Pantocrator, Todo-Poderoso entronizado.


Ele é o Logos encarnado, centro da revelação e da salvação.

 

Negar sua divindade não é apenas erro doutrinário — é destruir o próprio evangelho.

 

Estejamos conscientes de que negar esse absoluto fundamental é negar o Evangelho.

 

C. J. Jacinto. O Artigo foi desenvolvido com IA usando idéias e esboços organizados escritos por mim durante minhas pesquisas sobre cristologia.

 

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