A IGREJA: O CORPO DE CRISTO


 


A doutrina da Igreja como Corpo de Cristo encontra-se solidamente fundamentada no Novo Testamento. Apesar de ser um tema contemporaneamente menos abordado em pregações, discussões e estudos, diversas passagens neotestamentárias a ela se referem. Destaco, a seguir, alguns exemplos: 1 Coríntios 12:12-13, 1 Coríntios 12:27, Romanos 12:4-5, Efésios 1:22-23, Efésios 4:12, Efésios 5:23, Colossenses 1:18 e Colossenses 1:24. Essas passagens clássicas expõem, de maneira clara e inequívoca, a doutrina da Igreja como Corpo de Cristo, demonstrando sua sólida base no Novo Testamento.

Ademais, existem outras passagens que aludem indiretamente ao corpo de Cristo. Por exemplo, em Atos, capítulo 9, versículos 4 e 5, narra-se a aparição de Jesus a Paulo. A pergunta "Saulo, Saulo, por que me persegues?", revela que, ao perseguir a Igreja, Paulo estava, em última instância, perseguindo o próprio Senhor.

Compreendamos, então, um ponto crucial: no contexto do Novo Testamento, nem Jesus nem os apóstolos apresentaram a Igreja como uma instituição ou organização. Em vez disso, a Igreja é descrita como um corpo, com múltiplos membros unidos a uma cabeça, um líder. A Igreja de Cristo possui apenas uma cabeça, um líder: o Senhor Jesus Cristo. Nenhum outro fundamento pode ser estabelecido além daquele já posto; a Igreja é, portanto, um corpo. Cada cristão regenerado, nascido de novo, é transferido de um corpo social adâmico para o corpo espiritual de Cristo. Quando a Sagrada Escritura afirma que a Igreja é o corpo de Cristo, essa afirmação não deve ser interpretada literalmente. Trata-se de uma figura de linguagem, que, no entanto, encerra uma profunda realidade espiritual. Recorde-se que, quando Saulo perseguia a Igreja, Jesus expressou sua indignação, afirmando que Paulo estava perseguindo a Ele. Desse modo, as implicações espirituais possuem seu próprio nível de realidade, conforme a esfera celestial. Compreendamos, então, de uma vez por todas, que a Igreja no Novo Testamento não é uma instituição, mas um organismo vivo, espiritualmente ativo, que manifesta a vida de Cristo. Podemos entender isso com mais clareza ao considerar as palavras de Jesus sobre a videira verdadeira e os ramos a ela ligados. A figura da videira é um exemplo didático empregado pelo Senhor Jesus para nos auxiliar na compreensão dessa questão.(Lembre-se se que não debatendo acerca de legitimidade denominacional, mas abordando acerca da natureza bíblica da Igreja de Cristo)

 Lamentavelmente, muitos cristãos não percebem a natureza espiritual e real da igreja, todas as vezes que ouvem o termo, interpretam equivocadamente o conceito de igreja. Ao mencionar essa palavra, a experiência intelectual desses indivíduos frequentemente evoca a imagem de um edifício, de uma instituição ou de uma organização humana. Contudo, a igreja não se define por estruturas humanas (Organizada por homens); ela representa um organismo divino, a manifestação da presença de Cristo na Terra. O corpo de Cristo, composto por membros funcionais, tem atuado ininterruptamente ao longo de milênios. Esses membros, ligados a um corpo, possuem funções específicas, determinadas por Cristo, a autoridade máxima. A dinâmica da igreja reside na atuação de seus membros, de modo que a expressão da vida de Cristo se manifesta por meio da atuação dos cristãos dentro desse corpo.  Então devo repetir: O corpo de Cristo, que é a igreja, é composto por membros ativos e funcionais que atuam continuamente ao longo da história. Esses membros estão interligados a um corpo único, e cada um possui uma função específica, estabelecida por Cristo, que é a cabeça desse corpo. A dinâmica da igreja se manifesta por meio da atuação de seus membros, de modo que a expressão da vida de Cristo se realiza através da ação dos cristãos dentro desse corpo.

 Conforme a minha perspectiva neotestamentária sobre a Igreja, a premissa fundamental é a identidade dela: nós somos a Igreja. Dessa forma, todo indivíduo que permanece unido a Cristo, aquele que experimentou a regeneração espiritual, desfruta de uma união íntima com Ele, de modo que Cristo se manifesta de forma pessoal e real. Cristo é a essência, a Pessoa central em que a Igreja se move e existe. A totalidade da atividade e da ação da Igreja de Cristo visa expressar a vida e o poder de Cristo, revelando ao mundo a Sua presença. Essa é a missão da Igreja: proclamar Cristo. A Igreja não apenas tem Cristo como centro, mas é o próprio Cristo personificado. Essa afirmação deve ser compreendida em termos espirituais, como uma figura de linguagem, a fim de evitar mal-entendidos. Com o intuito de elucidar este conceito com clareza, desejo apresentar uma visão da Igreja conforme os princípios estabelecidos pelas Escrituras. Ao longo da história do cristianismo, a instituição eclesiástica tem sido, por vezes, associada a episódios de corrupção, escândalos, guerras e até mesmo perseguições. Tais ações, contudo, não podem ser consideradas como reflexos da verdadeira Igreja.

 A instituição, embora represente diversas comunidades que se autodenominam cristãs, pode estar sujeita a falhas e desvios. É inegável que algumas dessas instituições e seus líderes estiveram envolvidos em atos repreensíveis, levando-nos a questionar se tais ações podem ser atribuídas ao Senhor e à atuação do Seu corpo. Atualmente, observamos em diversas denominações cristãs, quase sem exceção, casos de corrupção e crimes cometidos em nome da fé. No entanto, essas práticas não podem ser atribuídas aos membros do corpo de Cristo. O verdadeiro corpo de Cristo, seus membros ativos, manifesta a vida e proclama o Evangelho em sua integridade. A manifestação de Cristo no mundo contemporâneo ocorre por meio da Sua Igreja. A função primordial da Igreja é pregar o Evangelho e promover a salvação. O corpo de Cristo não comete delitos nem se envolve em corrupção generalizada (As falhas e pecados cometidos são pessoais e seguidas de arrependimento constante e verdadeiro). Tais atos são manifestações da sociedade humana, ou seja, do mundo. A Igreja de Cristo, por outro lado, é formada por aqueles que foram regenerados pela obra redentora de Jesus Cristo na cruz do Calvário. A nova aliança, estabelecida através do sacrifício de Cristo, é a base para a compreensão do corpo de Cristo, que uma nova criação e que transcende a mera organização institucional. No Antigo Testamento, a nação de Israel não pode ser comparada ao corpo de Cristo, que é constituído por aqueles que, pela graça, foram transformados pela obra perfeita de Cristo. Considero essencial estabelecer esta norma como base para a conduta ministerial, em consonância com os ensinamentos evangélicos. Ao observarmos a atuação de Cristo, podemos discernir a importância de suas palavras, a profundidade de seu olhar e a relevância de suas ações. Analisando a direção de seus passos, percebemos o movimento do próprio corpo de Cristo, conforme narrado nos relatos históricos dos Evangelhos, que visam nossa edificação.

 A Igreja, corpo de Cristo, deve seguir a mesma direção que Ele, refletindo Seus princípios em suas ações e visões. Devemos imitar Cristo em suas obras, reproduzindo seus gestos e ações e empenhando-nos na realização do mesmo propósito e seguindo os mesmos passos do Cordeiro. Assim, encontramos um modelo que nos permite compreender a função da Igreja de Cristo neste mundo.  Na prática, observamos que a manifestação dos membros do Corpo de Cristo pode ser constatada e notada em comunidades cristãs. Nelas, evidencia-se a expressão da vida, do poder, da glória e da presença de Cristo por meio do testemunho e das atitudes dos cristãos. É importante lembrar que as pessoas discernem a santidade, percebendo a irradiação da luz espiritual que a acompanha. Consideremos a mulher sunamita, que, ao observar o comportamento e a postura de Eliseu, declarou ao seu marido que aquele era um homem santo. De modo semelhante, os membros do Corpo de Cristo refletem a santidade e a vida de Cristo, de maneira que aqueles que os observam reconhecem a presença de uma pessoa regenerada, que irradia santidade em sua forma de ser.  O livro de Efésios revela importantes verdades sobre a Igreja, a qual o Senhor deseja que seja imaculada e incorruptível, mantendo um funcionamento adequado até o fim dos tempos. Em Efésios 4:16, a descrição da Igreja é apresentada como um corpo, "bem ajustado e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor". Paulo, ao mencionar a Igreja, evidencia seu desejo de que ela atue eficazmente neste mundo. É importante ressaltar que a Igreja não deve ser vista como uma instituição. A palavra "igreja" aparece nos Evangelhos apenas em Mateus 16 e 18, e o tema é amplamente desenvolvido em Atos dos Apóstolos, com aproximadamente 15 menções, além das epístolas e do livro de Apocalipse. Em nenhuma dessas passagens a Igreja é apresentada como uma organização. Portanto, embora a Igreja possa existir em um contexto organizacional, o cristianismo é essencialmente um relacionamento pessoal e uma funcionalidade corporativa, não uma organização.  É fundamental esclarecer que a Igreja, em sua essência, não se restringe a denominações ou instituições. Embora as organizações cristãs, por meio de seus pregadores, tradutores da Bíblia e escritores, possam comunicar as verdades do Evangelho, como o arrependimento, a justificação pela fé e a obra redentora de Cristo, é preciso distinguir essa manifestação da própria Igreja, conforme definida no Novo Testamento.

 Reconheço a relevância histórica e atual das denominações na propagação do Evangelho. Contudo, ao analisar a escatologia e a promessa da volta de Cristo, como descritas no Novo Testamento, percebemos que Ele retornará para buscar a Sua Igreja. Mas o que isso significa na prática? Significa levar edifícios, templos, altares ou instituições? Não, a Igreja a ser arrebatada é composta por pessoas. Jesus buscará os salvos, os regenerados, aqueles que são genuinamente membros do corpo de Cristo. Portanto, quando as Escrituras mencionam que a Igreja será levada, referem-se a pessoas – possivelmente pessoas de diversas denominações – e não a estruturas institucionais.  A igreja, compreendida como o corpo de Cristo, desfruta de uma relação íntima com o Senhor. Essa mutualidade e reciprocidade são evidentes, conforme Paulo declara em Efésios 5:25-26: "Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela para santificá-la, havendo-a purificado pela lavagem da água, pela palavra." Neste trecho, ressalta-se que a igreja pertence a Cristo, que se entregou por ela para santificá-la e purificá-la. Dessa forma, a igreja, como corpo de Cristo, é composta por todos aqueles que foram salvos por Ele. A obra redentora de Jesus na cruz do Calvário é eficaz para estes, conduzindo-os a fazer parte do corpo de Cristo por meio do novo nascimento. Assim, indivíduos de todas as épocas e lugares, quando reunidos para louvar, compartilhar a fé e adorar ao Senhor, manifestam o corpo de Cristo. Em 1 Coríntios 11:20, Paulo aborda essa dinâmica, mostrando que cada grupo reunido exerce a função de um membro do corpo, expressando a vida, a ressurreição e o poder de Cristo.

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