Chamados ao Aprisco das Ovelhas.
Chamados ao
Aprisco das Ovelhas.
Um dos
fundamentos da fé cristã é a identidade, se não fosse assim, os cristãos não
seriam chamados de Cristãos em Antioquia, a razão porque foram assim chamados,
porque precisavam de identificação em meio á tantas outras profissões de fé. A
identidade não vem sem os frutos do Espírito (Galatas 5:22) esses que tem o
Espirito de Cristo (Romanos 8:9) aqui posso argumentar em terreno firme, a vida
do homem que vive o evangelho não se equipara com o homem que é escravo
das próprias paixões. No demais, a mansidão é a marca desse homem cristão, ele
não treme nem se desespera, porque enxerga além da escuridão das tribulações
vindouras, seus olhos estão fixos na eternidade da nova criação. A natureza de
ovelha é um distintivo de cada remanescente,ele segue pelo caminho estreito,
individual na postura, no relacionamento pessoal da comunhão com Cristo. A
ovelha que caminha pelo caminho estreito é o modelo de um homem redimido pelo
sangue da cruz que ergue os olhos da ruína e caminha pela estrada santa da fé
cristã. Segue manso o homem de coração consagrado ao Cordeiro de Deus, a
natureza espiritual de um segue a do Outro. Como declarou certo filósofo cristão: "No mundo, todo homem procura ser lobo, e ninguém é chamado a
desenvolver o papel de ovelha. E, no entanto, o mundo não pode viver se esse
testemunho vivo do sacrifício não for implicado. Por isso é essencial que os
cristãos de não serem espiritualmente lobos, dominadores espirituais. é preciso
que os cristãos aceitem a dominação dos outros sobre eles, e que o sacrifício
cotidiano de sua vida seja relacionado ao sacrifício de Cristo" (Jacques
Ellul em: Cristianismo Revolucionario. Página 13)
Clavio J.
Jacinto
INDO APÓS SATANÁS
Indo após Satanás
É um assunto pouco
comentado hoje em dia, acontece que temos nas sagradas Escrituras, opostos
equivalentes, sem contudo cair no erro do dualismo. Por exemplo, o Novo
Testamento fala das profundezas de Deus e também fala das profundezas de
satanás.(I Corintios 2:10 e Apocalipse 2:14) E então temos o convite de Cristo “Se
alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a cada dia a sua cruz e
siga-me”(Lucas 9:23) Paulo fala de
alguns que se desviaram indo após satanás (I Timóteo 5:15) isso ocorreu porque
aniquilaram a primeira fé (I Timóteo 5:12). De fato é considerável que a práxis
é de suma importância na vida cristã, Paulo está tratando de assuntos do dia a
dia da família e problemas relacionados ao gênero. A questão da prática da fé é
a única evidência que temos sobre a veracidade de nossas convicções. São, pois
os frutos que determinam a qualidade da árvore, e isso Jesus ensinou muito bem,
além da ênfase no próprio contexto do sermão da montanha onde ele fala dos dois
fundamentos, um sobre a areia e o outro sobre a rocha, e a diferença
fundamental era que o que edificou a sua casa sobre a rocha, esse era o
prudente e praticante dos ensinos de Cristo.(Mateus 7:24) Ir após satanás é
seguir os caminhos do engano, ainda que professam a fé cristã, porém sem a ação
que evidencia a identidade como correta, é mera ilusão religiosa. Aqui vimos
que a negligência entra na questão em seguida a prevaricação, seguida pela ordem
dessa descida para a apostasia, á mornidão. Então nesse estágio avançado de
pseudo cristianismo, a equivalência é de uma práxis nula, ou seja: mero
nominalismo. Mas ainda assim uma pessoa pode ter certas aderências á elementos
cristãos, freqüência a igreja, uma leitura, embora superficial, da bíblia, a
identificação social é normativa, mas de certa forma, o incrédulo fica
escandalizado com a postura comportamental desses, pois de certa forma,o que
flui de um homem assim são aspectos ímpios que podem ser observados em suas
conversas e negócios, ou seja, emite comportamentos que são anticristãos, o que
trai a sua própria personalidade e confissão espiritual. Procedendo nesse
caminho, e permanecendo nessa direção, isso é indo após satanás, isso é aderir
ao espírito deste século, esse abandono do caminho, esse desvio dos passos de
Cristo é um abandono de seguir após ele, o homem nesse estágio já não nega mais
a si mesmo, nem está interessado na cruz, nem em sua mensagem, apenas está com
o coração voltado para aquilo que possa preencher os requisitos de suas paixões
mais egoístas. Veja que encontramos muito desses aspectos mundanos no cristão
moderno, a igreja atual tende a buscar as coisas deste mundo e os sermões que
mais atraem pessoas devem ter requisitos básicos: um conteúdo que possa condizer
com as necessidades biológicas, emocionais e materialistas do ouvinte.
Conclusão: A bíblia admoesta a sermos praticantes: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes,
enganado-vos a vós mesmos” (Tiago 1:22) A profissão da fé precede a ação pelo
poder que emerge dessa fé no comando total da nossa vontade, o seja feita a sua
vontade assim na terra como no céu deve ser um fato evidenciado pela prática que é o fruto da confissão e não somente a mera confissão como descreveu o
Senhor em Mateus 7:15 a 23) estejamos atento a esses fatos, pois aqui temos a
diferença entre falsos e verdadeiros cristãos.
Clavio J. Jacinto
O CRISTÃO E O TEXTUS RECEPTUS
Razões
Porque um Cristão Remanescente Deve Usar a ACF Como Bíblia Padrão.
Primeira: O uso das
Escrituras de forma errônea, tomar posse do texto sagrado para fins não
ortodoxos, é uma possibilidade que nunca deve ser ignorada, assim vimos em
Mateus 4:1 a 11, que na tentação, Satanás toma indevidamente o texto bíblico
para beneficio egoísta, usando um texto inspirado dos Salmos para induzir Jesus
ao erro, se o diabo tem coragem de tomar o texto e falsificar o verdadeiro
sentido para tentar a Cristo, com certeza, tomará de textos bíblicos, com o
intuito de alterar os sentidos da Palavra, para alcançar seus objetivos malignos.
De posse desse fato prossigo afirmando que é totalmente possível que invista em
versões adulteradas para alcançar seus intentos terríveis.
Segundo: Há uma
quantidade enorme de versões bíblicas no mercado hoje em dia, algumas delas
como a NVI excluem versículos, alteram outros, publicam versículos parciais, de
modo que a verdade que deveria a mais absoluta: a revelação divina, tornou-se mais
relativa. Ora se todas as versões, inclusive as moderninhas (Tipo NTLH, NVI E A
Mensagem) conseguem ser todas a Palavra de Deus inspirada e inerrante, então
algo está errado, porque elas diferem em muitos textos, da bíblia tradicional, mas comumente conhecida como Corrigida e
Fiel. Assim, a verdade das Escrituras tornou-se relativa.
Terceiro: Sendo o
movimento de bíblias ecléticas, um movimento espiritual sumamente relativista,
agora sem saber, muitos cristãos que interagem com essas versões e a tomam como
a versão padrão, ou como se fosse uma versão fiel ou ainda como a legitima
palavra de Deus inspirada, aceitam a teoria de que há muitas verdades, isso é
relativismo, e ainda que se auto-denominem como “conservadores” em algum ponto
crucial da vida espiritual, já estão abertos para a falácia anticristã do
relativismo, sei que a maioria desses agem por ignorar esses fatos, porém fica
a advertência: “Um abismo chama outro abismo” (Salmos 42:7)
Quarto: Sendo
relativista o movimento de versões modernas da bíblia é no seu fundamento
central também ecumênica, porque o ecumenismo só pode prosperar dentro do
âmbito relativista. As bíblias Ecléticas, são frutos de trabalhos conjuntos de
protestantes liberais e romanistas. Versões palatáveis para opostos, assim, muitas
versões de hoje como NTLH e outras, nada mais são do que o fruto da cooperação
mutua entre biblicistas que flertam com o ecumenismo, razão porque um grupo de
cristãos conservadores se organizaram para trazer para o Brasil a Sociedade Bíblica
Trinitariana que edita aqui na nossa nação a Almeida Corrigida e Fiel, que vem
do Textus Receptus e do Massoretico, uma bíblia que tem embasamento histórico e
era a versão tradicional aceita por praticamente todos os evangélicos antes do
surgimento de manuscritos achados em lixeiras de conventos católicos,
manuscritos esses de onde surgiu a matriz de todos os textos ecléticos,
ecumênicos e relativistas.
Quinto: Um dos mentores
das versões ecléticas fez declarações subordinadas ao espírito de apostasia
manifesto em nosso tempo de confusão espiritual, como predita por Paulo em I
Timóteo 4:1, assim, o intento por trás dessas versões é tirar o cristão do foco
do cristianismo autentico do Novo Testamento e conduzir muitos de volta a Roma, lugar da suposta verdade. “A
visão romana pura parece estar mais próxima e mais provável que leve a verdade
do que a evangélica” (Hort, Life and Letters, Vol. I, Pagina 77)
Sexto. Portanto é
notável que praticamente todas as igrejas liberais, todos os institutos
bíblicos que laboram no erro do liberalismo, todos os cristãos marxistas
progressistas, todos os movimentos pseudo-carismaticos sob a jurisdição ou
influencia da Nova Reforma apostólica, Chuva Serôdia, Filhos Manifestos entre
outras vertentes oriundas do pentecostalismo, adotarem para o uso corrente na
teologia, as versões modernistas, porque elas foram desenvolvidas para se
adaptarem perfeitamente aos ventos de apostasia que sopram no mundo atual.
Sétimo. A sutileza como
isso é feito somado a ignorância dos incautos torna-se o estado atual do
cristianismo muito lamentável, o Dr Paul Benson, defensor do texto tradicional alerta:
Através de deleções e adições de texto, remoção de ênfase doutrinaria, uso de
palavras de significado alterados e introdução de erros confusos de raciocínio
humano, as mudanças nas bíblias modernas estão afetando seriamente as crenças
de todos aqueles que estudam e pregam dessas versões. Se você acha que está
imune a esta influencia, está enganado!” Esse é o principal problema, a nível
pessoal, pastores não alertam as ovelhas sobre essas mudanças que ocorreram nas
versões modernas, porque a maioria deles tem uma visão tão superficial das
Escrituras, que não estão aptos para perceberem essas mudanças sutis que
ocorreram nesses últimos dias em varias versões do texto sagrado. Desafio o
leitor a buscar informações sobre essas diferenças e fazer as comparações de
modo particular para descobrir por si mesmo a gravidade dessa situação.
Oitavo. Chegamos ao
testemunho da historia da reforma, as expressões de fé mais conhecidas é a de
Westminster e a Confissão de Fé Batista de Londres de 1689, essas duas
confissões declaravam a inspiração dos autógrafos originais e a autoridade
dessa inspiração transferida diretamente
nos manuscritos que provinham dela, Deus preservou a sua Palavra durante todo o
tempo, e quando a declaração é feita no auge da reforma, estava em vista o
texto massoretico e o Receptus, pois o catolicismo romano expressou a própria
opinião no concilio de Trento, defendendo a Vulgata Latina como a bíblia
autentica posicionando-se como a única igreja com posse da verdade, e opondo-se
a bíblia protestante evangélica. Durante séculos essa foi a bíblia dos
cristãos, era uma fonte segura de verdade, missionários, pregadores, teólogos, bebiam
dessa fonte não poluída. A tradução oriunda do Texto Massoretico (AT) e do Textus Receptus (NT) foi mais do que uma
revolução espiritual, foi também uma revolução cultural, principalmente para as
nações de língua inglesa. Aqui temos o testemunho da historia, a grandes
teólogos beberam dessa fonte, a historia da igreja está sendo cimentada encima dessa versão
correspondente a Corrigida e Fiel de nossos dias.
Conclusão: Tentei não
usar linguagem técnica a fim de ajudar aqueles cristãos que desejam entender de
forma simples o problema de muitas traduções modernas, produto de teólogos
liberais, incrédulos, apostatas, ecumênicos e relativistas. Uma vez que há
razões obvias para tomarmos como padrão, a versão Corrigida e Fiel, porque as
evidencias mais sensatas nos conduzem para isso, e as razões expostas acima são
de grande valor para servir de peso a essa decisão inteligente e sensata de
abraçar as versões bíblicas que tem como manuscritos o Textus Receptus para
o Novo Testamento e o Texto Massoretico para
o Antigo Testamento. Que o precioso leitor tenha boa consciência para avaliar
os fatos, buscar mais informações sobre essa questão, e tomar uma posição firme
a favor da verdade (João 17:17)
Clavio J. Jacinto)
Transformados e não Reformados
“Hoje,
sem duvida, a maioria das pessoas se utiliza da religião, principalmente dos
credos religiosos que, além de depreciar os pecados humanos, ameaçam o homem
que peca com punições e encorajam as boas ações como sinal de salvação. Essa espécie
de religião tende a atrair membros que, consciente ou inconscientemente, lutam
para reprimir suas personalidades sombrias”
(John Stanford em :Mal o Lado sombrio da
realidade pagina 112)
Acredito
ser essa acusação legitima, devido ao fato de muitas pessoas abraçarem uma fé
por motivos completamente errados. Estamos diante de um dilema. Quem se “converte”
entende sobre a questão clara do evangelho que relaciona a necessidade de novo
nascimento? Entende o convertido a profundidade da mensagem da cruz? Entende o
convertido das implicações sérias da obra consumada e perfeita de Jesus na
cruz? Não! a conversão não é uma mudança de estruturas mentais, uma reformulação
de conceitos da consciência, não é um agrupamento de normas aplicáveis no âmbito
religioso denominacional. A metanoia consiste numa mudança radical do coração,
a regeneração é uma transformação poderosa do Espírito Santo no interior do
pobre e miserável pecador que percebe sua condição de condenado e aceita a
redenção efetuada por Cristo na cruz como uma substituição eficaz, totalmente
eficiente e aceitável por Deus Pai e que garante a absolvição completa do pobre
pecador perante o tribunal da justiça divina.
Não
se adere à religião cristã apenas para reformar a vida e aplacar o peso da consciência
que sofre no intimo com as feridas do pecado herdados na queda, ou a alma
aceita o fato da sua condição desastrosa de morte espiritual, e isso só ocorre
com o sopro impetuoso do Espírito Santo no coração mediante a pregação do
evangelho autentico, ou isso nunca ocorrerá de fato! O homem morto em seus
pecados não precisa da maquiagem da religião pragmática, precisa de uma
ressurreição espiritual que procede da morte de Cristo na cruz.
C. J. Jacinto
Cristo Odeia a Falsa Doutrina
Cristo Odeia a Falsa Doutrina
Duas vezes no livro de Apocalipse encontramos a expressão de
Cristo com relação as doutrinas dos Nicolaitas: “As quais eu também odeio”
(Apocalipse 2:6) enquanto que na primeira descrição se faz uma referência às
obras dos nicoalitas, na segunda descrição se faz menção a doutrina dos
nicolaitas (Apocalipse 2:15) Obras são seqüência ajustadas de acordo com as
convicções. Nosso sistema de crenças
afeta completamente o destino de nossas ações. Jamais fugir do assunto, a firmeza
na fé é uma exigência fundamental das Escrituras. Porém se nossas convicções
são fracas, isso tende a produzir apostasia e hipocrisia. “O Homem de ânimo
dobre é inconstante em todos os seus caminhos”(Tiago 1:8). Vamos primeiro falar um pouco sobre esse
cristianismo sentimentalista frouxo de nossos dias, que usa terminologias e
jargões que classificam Cristo como um Mestre sem ímpeto e que tolera todas as
coisas erradas em nome do amor. Na mentalidade desses teólogos e pregadores, o ódio
seria algo profano impróprio para um cristão. De certa forma, eles podem ter
razão, depende do contexto em que se aplica o assunto, mas não é admirável que
Cristo odeie falsas doutrinas? Ter uma repulsa contra coisas erradas é antes
uma expressão de santidade, e até que o zelo exija, os profetas de Baal tiveram
que pagar o preço pela ousadia quando tiveram que enfrentar o Elias de Deus e o
Deus de Elias. Acontece que há um paradoxo no caráter de Cristo, sem qualquer
contradição, Ele é Cordeiro e é Leão. Formas afeminadas e covardes associadas a
Cristo são maneiras supersticiosas de distorcer o caráter de dEle, é com ele
que descobrimos que a tolerância é regida pelo amor a verdade, por isso vimos
duas vezes Ele tomando de chicote e expulsando cambistas do templo. Sua
expressão de repulsa á hipocrisia gerou discursos de “ódio” contra os judeus, e
Mateus 23 é um exemplo disso. Não estou fazendo apologia a violência, sou
completamente pacifico, seguido a risca os ensinos do sermão da montanha, mas
acontece que nem sempre devemos agir com tolerância aquilo que é abominável,
não devemos fazer pacto com a injustiça, não se dá pérolas aos porcos, nem
sempre temos que agir com doçura diante horrendas formas de desvios doutrinários
que ocorre com tanta freqüência em nossos dias. Chegou o tempo em que uma assembléia
cristã estava opondo-se a infestação da doutrina dos nicolaitas, e Jesus ficou
do lado de quem fez forte oposição contra elas, não ficou dos lados do que
adotaram a tese ou a síntese, ele permaneceu ao lado dos contra. “Tens porém,
isto: que odeias as obras dos nicolaitas, as quais eu também odeio” (Apocalipse
2:6) Repito que sou contra qualquer forma de violência sustentada pela energia
da carne do velho homem, sou mais contra ainda quando ela é injetada por demônios,
mas inspiração carnal e demoníaca são antes de tudo forças anticristãs que
lutam para denegrir o próprio caráter de Cristo e seus ensinos, devem ser
combatidos com sabedoria e unção do Espírito. Sou completamente contra quaisquer
meios inquisitórios, sabemos de polemicas envolvendo isso, o caso de Calvino e
Serveto e de Calvinistas queimando arminianos, da igreja da Inglaterra perseguindo
os não conformistas, não é disto que estou falando, porque não concordo com
essa abordagem apologética. Mas embora tenhamos essa cautela, todavia as
Escrituras nos ordena não ter comunhão com hereges “Ao homem herege, depois de
uma e outra admoestação, evita-o” (Tito 3:10 veja também II João 1:10) Agora em segundo lugar devemos entender que
não é errado odiar aquilo que Cristo odeia, o que não podemos é amar o que ELE
odeia, pois então teremos uma contradição de caráter e passamos a ser hipócritas.
Quando lemos os originais, o Textus Receptus, o termo grego “miséo” traduzido
por “odeio” em Apocalipse, significa uma escolha á amar menos, desprezar,
rejeitar por falta de afeto. Não há aqui qualquer idéia de perseguição seguida
de violência física, mas desprezo e rejeição por algo que é contrario aos princípios
bíblicos. Tomando posse dessas verdades, devemos entender que o apreço pelo que
é contrario a sã doutrina gera oposição contra aquilo que é santo, de certa
forma é nutrir sentimentos anticristãos. Num mundo onde ocorrem mudanças de
paradigmas, cada vez mais ficará difícil a pratica do cristianismo bíblico,
desde muitas décadas, a sociedade ocidental que se desenvolveu dentro de uma
cosmovisão cristã, sofreu grandes mudanças por causa dos conceitos relativistas
que se infiltraram nela, seja pelo movimento nova era que defendia um ecletismo
cósmico ou pela própria tendência social humanista e secular. A verdade é que
até mesmo dentro do evangelicalismo moderno a tendência para o ecumenismo é
obvia, a crença de que não há verdades absolutas, mas cada qual tem uma verdade
individual e mesmo sendo contraditória ou oposta á do outro, assim mesmo ambas
devem ser aceitas como verdade é uma intervenção diabólica contra a Palavra de
Deus, note que essa é a visão de religiões orientais, do ecumenismo que tenta
pluralizar aquilo que deveria ser singular.
Quando Cristo declarou “Odeio” como descreveu pessoalmente em
Apocalipse, Ele estava reagindo contra aquilo que não aprovava: doutrinas que
iam contra os princípios que ensinou. Havia um sentimento de repulsa e
rejeição, não nutria amor por aquilo que era oposição ao evangelho. Não é um
convite á perseguição, você não encontra atitudes dessa natureza no Novo
Testamento, cristãos perseguindo e matando não cristãos por causa de questões
doutrinarias. E que ninguém tente justificar essas atitudes de violência contra
o próximo, porque nunca é ordenado tais coisas no Novo Testamento. Mas isso não
significa que deva amar aquilo que Deus odeia. Significa que devo aprovar com
meu silencio aquilo que a Bíblia brada contra. Mas nosso mundo do “politicamente
correto” do relativismo quer que aceitemos todas as coisas como verdadeiras,
menos a nossa verdade particular articulada pelos ensinos santos do Novo
Testamento. Seremos dono de uma verdade relativa, mas em breve, não teremos o
direito de ter uma verdade absoluta. Não teremos o direito de odiar a
profanação do Santo, não teremos o direito de odiar a blasfêmia, não teremos o
direito de odiar qualquer forma de abominação, o relativismo moral não nos dará
esse direito, porém os adeptos do relativismo moral terão o direito de odiar a cada
cristão que ame verdadeiramente a Deus e odeia a tudo o que ofenda a Ele, aqui
jaz uma contradição no próprio relativismo, pois é de fato uma filosofia
inconsistente com a sensatez.
Conclusão. Primeiro: O
ódio pelo qual um cristão deve nutrir pelas falsas doutrinas de perdição (II
Pedro 2:1) não é um ódio de violência contra seu semelhante, muito pelo
contrario, é impossível amar a verdade sem condenar o erro. Não se trata de
ações violentas contra o próximo, trata-se de convicções e posturas de firmeza
com respeito às verdades descritas Nas Escrituras, verdades essas que são como lâmpadas
que alumiam a escuridão espiritual dos perdidos (Salmos 119:105) “Miséo”
significa não nutrir simpatia, mas completa aversão contra aquilo que não é sã
doutrina (Tito 2:1) sentir uma aversão firme contra as heresias de destruição,
cuja devastação espiritual tem proporções infinitas e irreversíveis na
eternidade, significa reprovar com firmeza o que vai contra o evangelho ou
contra os mandamentos divinos. Um exemplo claro é João Batista que tomou
oposição contra um falso casamento, pois era um relacionamento que ia contra os
princípios estabelecidos pela Palavra de Deus. Note que a repulsa de João
Batista produziu um ódio santo, um sentimento de aversão, porém pacifico, sem violência
verbal ou física, porque era uma manifestação
de sentimento santificado pelo amor a verdade. O ódio intolerante dos que se
sentiram ofendido é que causou o martírio, o assassinato do Batista, que depois
de ser preso pelo suposto crime de ofensa contra a autoridade, morreu degolado
pelos caprichos nutridos por alguém que odiava a verdade porque amava o pecado.
Segundo: Amar o próximo não é o mesmo que amar as suas falsas
crenças, o verdadeiro amor ao próximo pode comprometer a nossa segurança, pois
pregando que Cristo é o único caminho, que alguém precisa se arrepender de seus
pecados, que a idolatria é uma abominação, que o envolvimento com a feitiçaria
são pecados gravíssimos e podem conduzir a alma do praticante ao inferno, pode
ser ofensivo a quem pratica tais atos pecaminosos, sendo que quem está
alertando a respeito disso, pose ser um impulso que vem do amor por Cristo e
pelos perdidos.
Sendo assim, aquele que de fato ama a Deus e odeia tudo o que
ofende a Deus de alguma forma torna-se na pratica como a pessoa mais inofensiva
do mundo quando se trata de ofensas físicas e verbais. Digo isso com toda
convicção, olhando para a vida de Paulo, Pedro, Tiago, e o próprio Cristo, e o
faço porque alguém pode fazer uma interpretação descontextualizada desse estudo
bíblico.
Autor: Clavio J. Jacinto
Nota: O autor usa como referencias bíblicas, a Tradução Corrigida e Fiel da Sociedade Bíblica
Trinitariana, que já a muitos anos adotou como bíblia padrão na vida
ministerial.
Escandalos e Apostasia
Há pelo menos três passagens nas Escrituras
que abordam a questão do escândalo, veja o amado leitor que o tema não é muito
discorrido em nossos dias, e quando é empregado, a abordagem é sempre sobre
alguém que cometeu algo contra a sua própria fé, contradizendo em ações o que
antes pregava em seus sermoes religiosos. Mas vimos que Jesus advertiu com um “ai”
aos que cometem escândalos (Mateus 18:7) Ele também afirmou que os escândalos
seriam impossíveis de serem evitados entre os homens (Lucas 17:1) e Paulo, que
sempre amplia os ensinos de Cristo, pois ele tinha o Espírito de Cristo
(Romanos 8:9) admoesta a que tenhamos um bom discernimento para notar os que
provocam dissensões e escândalos contra a doutrina apostólica, deve-se desviar
de tais (Romanos 16:17) note que a verdade última do tema que estou abordando;
os escandalos, envolve a sentença: contra a doutrina. Portanto contra a
ortodoxia, contra o evangelho, contra a verdade revelada. Então escândalo tem
uma conexão com apostasia e com heresia de alguma forma. A palavra grega “Skandalon”
significa “obstáculo” “empecilho” algo que se sobrepoe para obstruir a
influencia da verdade. O fluir das coisas verdadeiras é impedido pela ação do “skandalon”.
Esse deve ser o sentido total do termo. Não há necessidade de compreendermos
que o escândalo a nível prático, precisa ser algo chocante á sensibilidade de um
coração que sustenta alguns valores morais elevados, justamente porque o
escandalo a que o Novo Testamento se refere é tudo o que corresponde a ser um
empecilho á verdade revelada. Assim aquilo que predomina dentro de uma
circunstância que impede a expressão exata das verdades evangélicas de alguma
forma são os empecilhos que obstruem o fluir da verdade sobre as pessoas de um
modo geral. Vimos essa correspondência nas igrejas de Apocalipse 2 e 3, e nelas
o que se manifesta antes de tudo são os falsos ensinos seguido das
consequências deles. Note que a chamada
para a sensibilidade deve sempre nos motivar ao discernimento para não
promovermos os escândalos a nível bíblico e não venhamos a ser uma forma de
empecilho ou obstáculo para o evangelho. Não devemos ser o fator da nulidade da
crença, nossa vida deve corresponder-se as nossas convicções e não ir contra
elas. A postura de um cristão que não vive o que prega não é muito distante da
postura de um ateu que não obedece porque não crê. Note aí a essência
espiritual do “skandalon” a desobediência do incrédulo é justificada pelo seu
ceticismo, mas não há justificativas para quem vive contrário às suas
convicções espirituais. Nisso consiste o espírito de apostasia que reinará na
igreja nos últimos dias. Uma negação, não com a boca mas com as ações. Eis aí o
escandalo, quando a vida está morna, pois a identidade sequencial a fé que
professa é relativa. Um exemplo claro é quando pregamos sobre o Reino de Deus
mas o nosso coração está ajustado a desejar com ímpeto as coisas que
pertencem aos reinos desse mundo. Outro exemplo digno de nota é quando tentamos
espiritualizar o materialismo, assim acreditamos que o espiritual é de tal
maneira alheio a esse mundo, que torna-se impossível viver uma fé sem se
desprender dos tesouros deste mundo e das vaidades dele. Mas aqui temos o
escandalo coletivo, pois a tendência da igreja moderna descamba sempre para o
materialismo como foi com a igreja de Laodicéia. Queremos de fato evitar os
escandalos? temos que abandonar as ideias que permeiam a teologia fraca de
nossos dias que tenta misturar Nova Jerusalém con a Babilonia. Aqui temos o cerne da apostasia que estará
presente nos ultimos dias, esse abandono da fé no Reino de Deus pela fé nos
valores e riquezas dos reinos desse mundo. Esse humanismo que se instaurou de
forma definitiva no seio das assembleias cristãs, a enfase dada ao mundo, a
influencia que ele vem tendo de forma predominante sobre os cristãos é um
escândalo aos olhos do Espírito Santo, mas sobretudo torna-se em empecilho para
os incrédulos experimentarem uma verdadeira conversão e assimilarem as
evidencias de que a cruz de Cristo e a obra consumada que foi realizado por Ele
na cruz, constitui-se na resposta definitiva contra o pecado e o inferno. Assim
o escândalo será tudo o que serve de empecilho para que a mensagem da cruz seja
exaurida e desacreditada em nossos dias. Esses que promovem esses escandalos, são
inimigos da cruz de Cristo (Filipenses 3:18) eles são religiosos, professam uma
fé cristã superficial de modo que não são como lâmpadas que apontam para o
evangelho mas apenas sombras que confundem o caminho da salvação.
CLAVIO J. JACINTO
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