O Culto da Natureza e a Perversão do Sagrado no Mundo Contemporâneo

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O Culto da Natureza e a Perversão do Sagrado no Mundo Contemporâneo

Introdução

Uma das marcas mais evidentes da decadência espiritual humana não é a ausência de religiosidade, mas a sua deslocação. O ser humano continua profundamente religioso; o que muda é o objeto de sua devoção. Quando a adoração ao Deus vivo e verdadeiro é rejeitada, o senso do sagrado não desaparece — ele é pervertido. O que deveria conduzir ao Criador passa a se fixar na criatura. O apóstolo Paulo descreve esse fenômeno com clareza contundente ao afirmar que os homens “trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram às coisas criadas em lugar do Criador” (Rm 1:25).

O culto moderno à natureza é uma das expressões mais sofisticadas e perigosas dessa inversão teológica.


A Rejeição Progressiva da Verdade Revelada

A Escritura ensina que Deus se dá a conhecer de maneira suficiente e objetiva por três grandes testemunhos: a criação, a consciência moral e a revelação escrita. Em Romanos 1:18–32, Paulo afirma que a criação manifesta claramente o poder eterno e a divindade de Deus, tornando os homens indesculpáveis. Em Romanos 2:14–16, a consciência humana atua como testemunha interna da lei moral divina. Finalmente, as Escrituras fornecem a revelação verbal, proposicional e redentiva da vontade de Deus.

O problema não é a ausência de luz, mas a supressão da verdade. A humanidade caída não ignora Deus por falta de evidência, mas por resistência moral. Quando essas três fontes de revelação são rejeitadas ou reinterpretadas, o coração humano precisa encontrar outro lugar para depositar seu senso de transcendência. Surge, então, um sagrado alternativo — imanente, impessoal e manipulável.


A Natureza como Substituto de Deus

Na modernidade tardia, esse sagrado deslocado assume frequentemente a forma da natureza divinizada. Expressões comuns no discurso científico e midiático, como “a natureza fez tudo perfeitamente” ou “a natureza é sábia”, revelam mais do que metáforas poéticas; refletem uma cosmovisão que substitui o Deus pessoal por um princípio impessoal. Trata-se de uma estratégia conceitual conveniente: elimina-se a necessidade de um Criador soberano, moralmente exigente e pessoal, substituindo-o por forças cegas, neutras e sem vontade.

Essa linguagem não é teologicamente inocente. Ela mascara a ação providencial de Deus e obscurece a verdade de que a criação não é autônoma, mas dependente, contingente e governada. A natureza não cria, não planeja, não governa — ela obedece.


Catástrofes, Mídia e a Exclusão do Soberano

Esse deslocamento teológico torna-se ainda mais evidente na forma como desastres naturais são interpretados. Tempestades, terremotos e outros eventos são apresentados como provas da fragilidade humana diante de forças naturais descontroladas. O discurso enfatiza o caos, a impotência e a imprevisibilidade — mas silencia completamente sobre Aquele a quem os ventos e os mares obedecem.

Não se menciona o Senhor que “faz dos ventos seus mensageiros” (Sl 104:4), nem o Cristo que repreendeu o mar e fez cessar a tempestade (Mc 4:39). O resultado é uma narrativa onde a natureza assume um papel quase soberano, enquanto Deus é excluído do horizonte interpretativo. O mundo continua religioso, mas agora sem teologia.


A Sacralização da Criação e o Esvaziamento da Majestade Divina

Historicamente, a contemplação da natureza conduzia o homem à adoração. O céu estrelado não era um fim em si mesmo, mas um convite à reverência: “Os céus proclamam a glória de Deus” (Sl 19:1). O esplendor da criação apontava para a majestade do Criador. Hoje, paradoxalmente, quanto mais se fala da grandeza do universo, menos se tolera a ideia de um Deus majestoso.

A transcendência divina tornou-se “anacrônica”, considerada retrógrada ou incompatível com a sensibilidade moderna. Em seu lugar, a própria criação é sacralizada. A natureza deixa de ser sinal e passa a ser destino; deixa de ser testemunha e passa a ser deusa.


Ambientalismo, Reverência e Idolatria

É necessário fazer uma distinção cuidadosa. O cuidado com a criação é biblicamente legítimo e moralmente necessário. O homem foi chamado a cultivar e guardar a terra (Gn 2:15), não a explorá-la de forma predatória. Contudo, há uma diferença essencial entre mordomia e adoração.

Em muitos discursos ambientalistas contemporâneos, a natureza não é apenas protegida — ela é reverenciada. Sua integridade assume um valor absoluto, enquanto o Criador é completamente ausente. A linguagem utilizada frequentemente ultrapassa o respeito e entra no campo da devoção. A criação é tratada como um organismo consciente, dotado de direitos quase sagrados, enquanto o homem é visto como intrinsecamente culpado e profano.

Esse deslocamento não é apenas ético, mas profundamente teológico. Trata-se de uma reedição do paganismo antigo, agora revestido de linguagem científica e sensibilidade ecológica.


Conclusão: A Criatura no Lugar do Criador

O culto da natureza é, em essência, uma forma refinada de idolatria. Não nega explicitamente Deus; simplesmente o torna desnecessário. Substitui o Deus vivo por uma divindade silenciosa, impessoal e domesticável. Ao fazer isso, o homem não se liberta — ele apenas troca de ídolos.

A verdadeira reverência à criação só é possível quando ela é vista à luz do Criador. Fora disso, toda sacralização da natureza é uma traição ao propósito para o qual ela foi feita: glorificar a Deus. Quando a criatura ocupa o lugar do Criador, o resultado inevitável é a confusão moral, espiritual e intelectual descrita por Paulo em Romanos 1.

A solução não está em negar a beleza do mundo, mas em restaurar a ordem correta da adoração: o Criador acima de tudo, e a criação como testemunha de Sua glória.

 

Texto desenvolvido com IA com base num esboço aprimorado enviado por mim seguindo as regras de uma cosmovisão cristã conservadora.

C. J. Jacinto

 

 

Discursos Duros ou Convicções Superficiais?

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Discursos Duros ou Convicções Superficiais?

 

C. J. Jacinto

 

 

Uma das passagens mais notáveis e significativas do Evangelho de João encontra-se no capítulo 6, onde Jesus profere um discurso que o compara ao maná e o “comer a sua carne e beber o seu sangue”. Ele se apresenta como o pão que desceu do céu, utilizando essa metáfora para elucidar sua própria natureza. Alguns de seus discípulos, ao ouvirem o discurso, mostraram-se perturbados. Em João, capítulo 6, versículo 60, lemos: "Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?". No versículo 66, acrescenta-se: "Por isso, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com ele".


Essa passagem do Evangelho de João evoca uma reflexão sobre a advertência de Paulo em 2 Timóteo, capítulo 4, versículos 3 e 4, onde ele adverte: "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos, se rodearão de mestres e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas."

 Assim, tanto na passagem de João quanto na de Paulo, evidencia-se um princípio comum: a dificuldade de alguns em aceitar a mensagem de Jesus, especialmente quando esta se apresenta de forma direta e confronta as expectativas individuais. Observa-se a resistência em suportar ensinamentos considerados "duros" e a preferência por interpretações que se alinham com os próprios anseios, em detrimento da verdade revelada nas Escrituras.
 Diante da declaração de Cristo, "Dura é esta palavra; quem pode ouvi-la?", os ouvintes demonstravam resistência. Essa reação evidenciava uma superficialidade espiritual, incapaz de aceitar verdades profundas e desafiadoras. A mensagem de Jesus confrontava as tradições e as ideias religiosas estabelecidas sobre o Messias, causando escândalo por sua aparente ousadia e a fragilidade das convicções dos ouvintes.


 Analisemos mais detidamente o contexto do discurso de Jesus, a fim de identificar os elementos de sua mensagem que podem ter levado à apostasia de seus discípulos.

 Em primeiro lugar, notamos que Jesus empregou uma linguagem impactante, sugerindo, em certos trechos, uma analogia com a prática de canibalismo. Este é o primeiro indício observado em seu discurso.

 Em seguida, Jesus se autoproclamou o "pão da vida", comparando-se ao maná do Antigo Testamento.

 Adicionalmente, um outro elemento merece atenção: a apresentação de uma exclusividade radical. Jesus declarou ser o único caminho e salvador, afirmando uma verdade absoluta. Este exclusivismo, de certo modo, pode ter sido interpretado como uma afronta por seus ouvintes.

 Por fim, consideremos as expectativas messiânicas enraizadas na tradição judaica. O povo esperava um messias político e libertador; contudo, Jesus, em diversos aspectos, apresentava-se de maneira dissonante em relação a essas expectativas sobre o Messias.
 A postura de apostasia, observada em certos indivíduos, frequentemente emerge de uma fé superficial e carente de profundidade. Diante das palavras de Jesus, esses indivíduos reagem com repulsa, declarando a inaceitabilidade de seus ensinamentos. Incapazes de tolerar um discurso que consideram rigoroso, optam por abandonar a fé.

 Essa dinâmica ressoa nos tempos atuais. Apesar de milhões professarem a fé cristã e aderirem aos ensinamentos evangélicos, muitos se sentem ofendidos quando confrontados com a pregação de doutrinas e ensinamentos de Jesus, conforme revelados nas Sagradas Escrituras. Ao ouvirem tais pregações, expressam o desejo de abandonar a comunidade religiosa, rejeitando o que percebem como uma mensagem severa.

 A consequência é a busca por pregadores que ofereçam mensagens mais amenas. Em vez de procurar aqueles que, a exemplo de Jesus, proclamam a verdade de forma clara e direta, mesmo que isso desagrade alguns ouvintes, preferem se afastar de tais ensinamentos.

 Não pretendo sugerir que todos os ensinamentos evangélicos sejam árduos. Reconheço a existência de passagens e temas de grande deleite, que merecem ser explorados. Contudo, é fundamental considerarmos também a outra face da questão. Certos trechos das Escrituras apresentam desafios, confrontam-nos e, em determinadas circunstâncias, dependendo de nossa predisposição e maturidade espiritual, podem até mesmo ofender-nos. A ausência de preparação para tais momentos nos assemelha àqueles que, ao ouvirem Jesus Cristo declarar-se o pão da vida e afirmar que Sua carne é verdadeira comida e Seu sangue, verdadeira bebida, sentiram-se ultrajados. Estes não compreenderam a essência espiritual por trás das palavras do Senhor Jesus Cristo. É imperativo estarmos dispostos a receber os ensinamentos que nos fortalecem na fé. Frequentemente, certos temas nas Escrituras nos desafiam, e é essencial estarmos preparados, pois isso faz parte do nosso progresso espiritual.
 Em tempos marcados por um notável afastamento dos valores tradicionais, um declínio moral e espiritual generalizado, o relativismo moral se estabeleceu como uma força dominante, tanto na sociedade quanto em algumas esferas religiosas. Observa-se um enfraquecimento de conceitos fundamentais, como a gravidade do pecado, a compreensão bíblica da rebelião, a natureza do inferno, o respeito a Deus e, por outro lado, o temor reverencial a Ele. Esses valores tradicionais têm sido consideravelmente afetados pela influência do relativismo moral e pelo relaxamento dos padrões morais e espirituais característicos da sociedade pós-moderna.

 Paralelamente, surge um novo conceito, o "politicamente correto", que dita o que é aceitável, buscando evitar qualquer forma de ofensa, seja ela direcionada a não crentes ou a cristãos, mesmo que estes últimos possam aderir a uma fé superficial. Discursos que outrora eram considerados firmes e desafiadores, agora são vistos com ressalvas, associados a pregadores impopulares. Existe a preocupação de que tais discursos possam levar ao esvaziamento das igrejas e ao isolamento dos púlpitos, uma vez que muitos fiéis atuais buscam apenas mensagens que lhes agradem.

 Considerando as palavras de Paulo na Epístola aos Romanos, capítulo 16, versículos 17 e 18, somos exortados a prestar atenção. Ele nos adverte, e essa advertência merece nossa consideração: "Rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a Cristo, nosso Senhor, mas ao seu próprio ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam o coração dos incautos."

 Não causa surpresa que indivíduos descrentes se sintam ofendidos e, por vezes, critiquem as posições de um pregador ortodoxo que valoriza e professa fielmente a doutrina, expondo tanto os aspectos consoladores quanto os ensinamentos mais exigentes do Evangelho. Recentemente, ouvi o relato de uma pessoa não cristã que, após participar de um culto em determinada igreja, manifestou críticas ao pregador, em virtude de sua abordagem franca sobre o divórcio e o novo casamento. A mensagem, embora incisiva, refletia a verdade.

 Independentemente disso, quando Deus designa um pregador para proclamar a verdade e defender princípios absolutos, inevitavelmente haverá reações diversas por parte da audiência. Alguns acolherão a mensagem, assemelhando-se aos discípulos que aceitaram os ensinamentos de Jesus, enquanto outros a rejeitarão, como aqueles que, confrontados com a severidade de suas palavras, optaram por não segui-lo.

 Observamos, todavia, passagens relevantes que abordam a vida fundamentada no Evangelho, uma espiritualidade estável e resiliente. Tais reflexões emergem quando Jesus, no Sermão da Montanha, compara o homem prudente e o homem imprudente. A narrativa do homem prudente, que edifica sua casa sobre a rocha, ressalta a importância da solidez. A rocha, por sua natureza resistente e duradoura, simboliza a firmeza. Dessa forma, compreendemos que as palavras que nos confortam e aquelas que nos confrontam cumprem funções distintas, porém complementares. Ambas são essenciais. Aquele que busca apenas o consolo, mas evita as verdades que desafiam, demonstra fragilidade. Ilustra-se essa dualidade com a metáfora do trigo e do joio.

Considerando a reflexão sobre os ensinamentos, observemos a seguinte passagem: Paulo, referindo-se aos tempos vindouros, declara que haverá um período em que as pessoas não tolerarão a doutrina que conduz à saúde espiritual. Em vez disso, impulsionadas por seus próprios desejos e anseios, buscarão mestres que se ajustem às suas inclinações pessoais. Desviarão, então, os ouvidos da verdade, voltando-se para narrativas fantasiosas.

É crucial notar que a incapacidade de aceitar a sã doutrina conduzirá inevitavelmente à busca por ensinamentos que agradem à própria consciência e, subsequentemente, ao afastamento da verdade.

Amado(a) irmão(ã), não desvie seu coração da verdade. Esteja sempre receptivo(a) a ela. Que sua resposta seja de plena concordância. Se a mensagem for desafiadora, reconheça que o Senhor está falando ao seu coração. É imperativo que identifiquemos áreas em nossas vidas que necessitam de transformação. Muitas vezes, precisamos enfrentar situações que nos confrontem, pois isso é essencial para o nosso crescimento e amadurecimento espiritual.

 Consideremos agora passagens igualmente notáveis àquela que Paulo escreveu em 2 Coríntios, capítulo 13, versículo 5, onde ele nos admoesta a examinar nossa fé e a nos provarmos. É imperativo que façamos isso. Frequentemente, a pregação serve como um espelho, revelando nossa condição espiritual. De certa forma, quem se sentirá ofendido, senão o hipócrita? Contudo, o indivíduo sincero se sentirá tocado. Ele fará as necessárias correções em sua vida, pois essa é a motivação do Espírito Santo ao inspirar um pregador a abordar aspectos que necessitam ser aprimorados em nós. O essencial é que, diante de tal discurso, respondamos com a palavra "amém", pois, acima de tudo, o Senhor deve ser louvado. O Deus vivo e verdadeiro nos falou através de um pregador que é seu servo.

 Essa é uma verdade que desejo reiterar: o crente que edifica sua fé sobre a rocha encontra fundamento inabalável e firmeza. Dessa forma, o verdadeiro crente busca apenas o que agrada a Deus, e não a si mesmo.

 O oposto  em questão demonstra superficialidade. O falso cristao busca apenas coisas superficiais Seus desejos se restringem ao que lhe proporciona prazer imediato, visando apenas satisfazer e nutrir os impulsos egoístas, embora disfarçados por uma fachada religiosa.
 O que me atrai a atenção é a afirmação de Paulo sobre a futura aversão à sã doutrina. Ele previu tempos em que as pessoas não mais suportariam a doutrina, e, de fato, observamos atualmente um cristianismo que, em certa medida, se tornou relativizado e genérico. Como exemplo, a palavra "evangélico" pode, hoje, abranger uma vasta gama de crenças e práticas religiosas.
 Ao confrontar o cenário contemporâneo com a Palavra de Deus e pregar certas doutrinas consideradas "difíceis" para o tempo presente, como, por exemplo, a condenação eterna e o lago de fogo, podemos questionar: como reagiriam a maioria dos cristãos atuais, em igrejas pós-modernas, diante de uma pregação temática e profunda sobre tais assuntos? Como seria a resposta à exposição contínua e autoritária, conduzida por um pregador inspirado, dessas doutrinas, incluindo a doutrina da danação eterna e a doutrina do inferno?

 Não seria essa uma doutrina especialmente incômoda em nossa época, a ponto de ser evitada, assim como outras? Observa-se, em diversos contextos, uma atenuação do conceito de pecado, muitas vezes influenciada pela psicologia, visando minimizar a sua gravidade. A palavra "pecado" tem sido, em alguns casos, substituída por termos menos impactantes, como, por exemplo, "problemas".
Conforme Paulo previu, vivenciamos atualmente um período que confirma suas palavras. Chegará um tempo, e esse tempo se manifestou de maneira clara, resultando em uma reavaliação do cristianismo, uma reformulação do que é pregado publicamente. Diante das pressões do mundo, que em certa medida tem criminalizado algumas doutrinas cristãs, como as expostas por Jesus no capítulo 6 de João, a pregação se vê desafiada. Jesus enfatizou o acesso exclusivo à salvação através dele, uma mensagem presente em todo o Novo Testamento. Os apóstolos seguiram esse ensino, e hoje, a afirmação da exclusividade de Jesus, a menção ao inferno, a condenação da idolatria e a crítica à homossexualidade são frequentemente vistas como ofensivas, não apenas pela sociedade secular, mas também por alguns grupos cristãos. Essas doutrinas, antes centrais, são agora categorizadas como fundamentalistas, num contexto de rejeição a essas posturas e à defesa apologética dos princípios fundamentais do cristianismo, especialmente em uma sociedade pós-cristã.



Consequentemente, não é surpreendente que a postura da maioria dos professores cristãos contemporâneos favoreça igrejas com características pós-modernas marcantes, com destaque para a incorporação de elementos da psicologia, da filosofia e de aspectos seculares ao cristianismo. O objetivo, aparentemente, é atenuar a mensagem cristã, transformando-a em algo mais palatável, que promova a aceitação passiva em detrimento da reflexão crítica.

 Adicionalmente, observa-se a ascensão de um culto contemporâneo, caracterizado pela música e por uma teologia de adoração que enfatiza as emoções. Esta teologia se desenvolveu a partir do movimento carismático, que utiliza a música como um meio para experimentar a presença divina. É notável que, atualmente, muitos cristãos e professores frequentem igrejas que priorizam a música, com longos períodos de cânticos. A música, nesse contexto, serve como um veículo para experiências transcendentais e místicas, frequentemente interpretadas como a manifestação da presença de Deus. Em consequência, a ênfase da fé cristã parece residir primordialmente na satisfação dessas experiências. O culto e a reunião cristã são, assim, reduzidos a essa dimensão. Em tais ambientes, raramente se observa a pregação expositiva, versículo por versículo, de livros como Romanos, pois isso seria considerado inadequado em um contexto que prioriza a experiência sensorial em detrimento do aprendizado. Essa tendência é preocupante e pode ter sérias consequências espirituais.

 

 

O CRISTÃO E O DILEMA DE SEUS CONFLITOS INTERNOS

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O CRISTÃO E O DILEMA DE SEUS CONFLITOS INTERNOS

Porque sou assaltado com pensamentos ruins?

 


C. J. Jacinto

 

 

No Novo Testamento, em 1 Pedro, capítulo 4, versículos 12 e 13, encontra-se um trecho de grande importância que aborda as provações e aflições enfrentadas pelos cristãos. Mesmo aqueles que foram santificados e renascidos em Cristo experimentam desafios. A vida cristã, mesmo após a salvação, envolve processos que visam testar a fé e levar a batalhas interiores. Os crentes sofrem ataques tanto espirituais quanto da sua própria natureza humana, resultando em aflições e, por vezes, sentimentos de culpa e dúvida. A tentação e o sofrimento podem provocar questionamentos: "É possível que isso ocorra com um cristão redimido?". A resposta bíblica, conforme expressa em 1 Pedro 4:12-13, é afirmativa. Essa realidade constitui uma experiência desafiadora na vida cristã. Cristãos sofrem tentações inclusive por meios de pensamentos! Na passagem de Pedro que acabamos de ler, desejo ressaltar, tanto aos irmãos quanto aos leitores, que a voz que ouvimos é a do Espírito Santo. Pedro escreve com a autoridade, o poder e a unção do Espírito Santo. É, portanto, a voz do Espírito falando diretamente aos nossos corações. Pedro inicia esta passagem com as seguintes palavras: "Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e vos alegreis."

Atentemos com cuidado a esta passagem. Primeiramente, percebemos que não devemos estranhar as provações que surgem em nossas vidas, como se fossem eventos inesperados. Ademais, podemos entender, dentro deste contexto, que o apóstolo Pedro nos exorta a nos alegrarmos por sermos participantes das aflições de Cristo. Deste modo, a ardente prova que nos sobrevém, com o propósito de nos testar, está diretamente relacionada às aflições de Cristo, as quais o cristão também experimenta durante sua jornada terrena.
É preciso que estejamos vigilantes a uma questão fundamental, embora pouco discutida na atualidade. Muitas pessoas enfrentam crises, e muitos cristãos vivenciam aflições por causa de tentações  profundas, chegando a sentir angústia desesperada em seu íntimo. Isso ocorre, em grande medida, porque são alvos de intensos ataques e tentações, que podem atingir a mente e o coração. Pensamentos negativos e sugestões malignas são lançados ao interior do ser, gerando sofrimentos e conflitos internos. Essa batalha, por vezes, nos leva ao desespero, semeando a dúvida sobre a nossa fé.
Essa realidade, contudo, faz parte da experiência cristã. Mesmo os mais dedicados à fé não estão livres de tentações. Compreendemos, ainda que de forma misteriosa, que Deus, após a regeneração, não nos isenta completamente desses ataques. As provações podem surgir e as experiências dolorosas são comuns a todos. Em muitos casos, embora seja difícil de entender, essas situações podem estar dentro da vontade divina. Deus permite que tais desafios se manifestem em nossas vidas.   Não há uma blindagem permanente do nosso homem interior enquanto estivermos peregrinando na terra.

 Ao abrirmos o Evangelho, observamos que o homem mais santo que já habitou este mundo, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus encarnado, o Verbo feito carne, o Filho unigênito de Deus, também enfrentou esses processos e conflitos devastadores em sua vida e existência. Os Evangelhos, especialmente o de Lucas, que oferece detalhes, e o de Mateus, ambos no capítulo 4, relatam que Jesus foi impulsionado e conduzido pelo Espírito Santo. É importante notar que o Espírito Santo levou Jesus ao deserto para ser tentado. Compreender este princípio espiritual é crucial: Jesus foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto para ser tentado pelo diabo. Embora Jesus Cristo fosse perfeito, sem pecado, e Deus encarnado, ele vivenciou esse processo intenso, essa batalha terrível em seu coração e mente. Sua vida foi marcada por uma luta devastadora. Freqüentemente, a leitura das passagens sobre a tentação de Jesus é superficial, de modo que não apreendemos a magnitude do conflito que ameaçava durante aquele período. Assim como Jesus suportou as tentações, também participamos das aflições do Senhor.
 Com base nos ensinamentos dos evangelhos, depreende-se que a tentação e o ser que a instiga são elementos presentes na realidade humana. A epístola de Paulo aos Efésios, no capítulo 6, versículos 10 a 18, evidencia que a luta espiritual é uma experiência concreta para cada cristão. A condição humana não nos isenta dessa batalha. Não habitamos o paraíso, mas um campo de combate, e, portanto, não devemos nos surpreender com as provações. Deus, permitindo a tentação, busca demonstrar que estamos inseridos nesse cenário de conflito. Essa compreensão é fundamental para que possamos entender a natureza da tentação e as aflições que enfrentamos. Não seremos coroados se não militarmos legitimamente (II Timóteo 2:5) Estamos numa guerra e às vezes ela se trava na nossa mente!

 Considerando que as Escrituras Sagradas afirmam que o mundo está sob o domínio do Maligno, embora o cristão permaneça nele, a experiência se assemelha a um intenso conflito. Observa-se, com base em diversos trechos bíblicos, que essa batalha se manifesta primordialmente na esfera interior do ser humano. A exposição ao mundo espiritual, permeado por influências espirituais adversas, intensifica essa luta. A consciência dessa realidade é fundamental para o crescimento espiritual e a completa dependência de Deus.

 É complexo compreender o paradoxo da coexistência entre a santidade e as tentações, a provação de um indivíduo dedicado à fé é um grande mistério. A aparente contradição entre a pureza espiritual e as tentações terrenas e pensamentos malignos, conforme descrita nas Escrituras, exige uma reflexão profunda. Devemos abordar essa questão, pois sua compreensão pode fomentar o crescimento espiritual e oferecer perspectivas valiosas. A tentação, em si, não representa pecado, mesmo quando pensamentos adversos se manifestam. A luta contra esses pensamentos, a resistência a eles, demonstra uma postura de oposição e não de concordância. É precisamente nesse conflito que reside a oportunidade de crescimento.
"Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam." (Tiago 1:12)
A questão central na experiência daqueles que enfrentam esse tipo de conflito é a seguinte: "A tentação reside em meu coração. Estou pecando?" A resposta é: na realidade, não. O objetivo do adversário é persuadir a pessoa a acreditar que a mera presença de um pensamento tentador ou blasfemo em sua mente já constitui pecado. Isso não é correto. Observemos que, no livro de Gênesis, capítulo 3, a presença do adversário no paraíso não profanou o Éden. A tentação, por si só, também não foi a causa da queda. Foi a desobediência, e não a tentação, que revelou a potencialidade destrutiva do pecado. É fundamental compreender isso. Quando o adversário tentou o Senhor Jesus, verificamos que todas as suas propostas chegaram aos ouvidos e à mente de Jesus, mas a sugestão maligna não contaminou a mente do Senhor. A tentação não corrompe; o que realmente corrompe é a aceitação do pecado, permitindo que ele se estabeleça em nosso coração, influencie nossas vidas e se fortaleça. Somente nesse caso pode ocorrer a queda, o processo pecaminoso e as devastadoras conseqüências em nossa existência. No entanto, se você luta contra o pecado, reage com repulsa, confronta e se esforça para que os pensamentos pecaminosos não permaneçam, e se você almeja vencer as tentações, isso demonstra que você foi regenerado. É um sinal da ação do Espírito Santo em sua vida, um indicativo de santidade. Ceder às tentações é um ato de profanação; resistir a elas, por mais que insistam, e por mais que o adversário utilize artifícios para inflamar seu coração com pensamentos malignos, demonstra que você está em combate. Significa que você está se opondo. É preciso entender que você está em uma batalha. Contudo, nessa batalha, a vitória é certa, pois Aquele que está em nós é maior do que aquele que está no mundo. (I João 4:4)

"Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." Tiago 1:14 e 15)


Pensamentos pecaminosos induzidos por agentes exteriores não são pecados consumados porem tornam-se impulsos que fortalecem a nossa concupiscência. Só o pecado consumado gera morte espiritual e eterna.



A experiência da regeneração não isenta o crente da possibilidade de ser tentado. Ao contrário, o indivíduo regenerado vivencia o que Paulo descreve em Romanos 7:14-25, uma batalha interior. Na mente e no coração, a lei de Deus se confronta com a lei do pecado. De certa forma, o diabo empregará a lei do pecado para tentar o homem. Portanto, em Romanos 7, observa-se a experiência de uma luta, enquanto em Romanos 8, vislumbra-se a experiência de uma vitória.
Anteriormente, na nossa incredulidade, desconhecíamos a profundidade e a natureza nociva de certos pensamentos. Hoje, regenerados, com a mente renovada e um coração transformado, somos novas criaturas em Cristo Jesus. A partir desse novo estado, a intrusão de pensamentos pecaminosos e tentações, como agentes externos, revela sua malignidade e nos assusta.

Essa percepção é fruto da nossa natureza regenerada. Adquirimos discernimento espiritual, uma sensibilidade aguçada para as coisas espirituais. Assustamo-nos com a invasão de pensamentos blasfemos, que adentram a mente de forma involuntária, como sementes malignas plantadas pelo adversário.

 Reagimos a essa intrusão, buscando expelir essas "ervas daninhas" do coração. Essa reação, inerente à regeneração, freqüentemente nos leva a momentos de intensa reflexão e questionamento. O diabo, com sua persistência, não cessa em seus intentos. Como Paulo nos adverte, não podemos ignorar suas artimanhas.

 Conseqüentemente, cada cristão, em sua jornada de fé, experimenta crises profundas e recorrentes, em meio à peregrinação neste mundo.

 Voltamos nossa atenção para o versículo 12 do capítulo 4 da primeira epístola de Pedro. O que Pedro nos diz? Ele declara: "Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós, destinado a provar-vos, como se alguma coisa extraordinária vos estivesse acontecendo." Observamos que "não estranheis o fogo ardente". As provações, representadas pelo fogo da tentação e pelas investidas do mal, não devem nos causar estranheza. Freqüentemente, somos tomados pelo espanto, questionando nossa fé. "Como cristão, como crente, posso ter pensamentos tão perturbadores e inadequados?" Essa experiência pode parecer incomum, mas a Bíblia a aborda diretamente. Pedro discorre sobre essa vivência, presumivelmente, e com certeza, porque também a experimentou.
 Ainda que isso possa parecer inusitado, a permissão de Deus, nessas provações, tem um propósito: fortalecer nossa mente, prepará-la para desafios maiores. É uma concessão divina que visa o nosso aprimoramento, tornando nossa mente mais valiosa. Assim, o objetivo de Deus ao permitir as provações e os pensamentos malignos e aflitivos é o aperfeiçoamento, a purificação do nosso coração.

 Isso me remete a uma passagem em 2 Coríntios, capítulo 4, versículo 17, onde Paulo assevera: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação." Notemos a direção que a provação nos aponta: a um eterno peso de glória, extraordinário. Se os pensamentos horríveis que nos assaltam produzem profundas aflições em nós, é evidente que somos regenerados.
 No livro de Gênesis, capítulo 39, dos versículos 6 a 12, a narrativa da tentação de José pela esposa de Potifar revela estratégias empregadas pelo adversário para lançar seus ataques. Observamos, inicialmente, a condição de privacidade. A investida da esposa de Potifar contra José ocorreu em um ambiente resguardado, e intensificou-se no íntimo de José, em seus pensamentos e sentimentos. Podemos vislumbrar a batalha travada, pois outro padrão se manifesta em Gênesis 39: a constância. Diariamente, a mulher insistia, apresentando um assédio contínuo, demandando que José resistisse repetidamente, até que alcançasse uma vitória definitiva.

Outro aspecto relevante é o enfraquecimento emocional. José, distante de sua família e traído por seus irmãos, experimentava saudade e vivenciava um contexto emocional adverso, possivelmente impactando sua força espiritual e integridade moral. O adversário, percebendo essa fragilidade, buscou envolver José em uma armadilha, contudo, José triunfou. Temos também o ócio de Davi que possibilitou uma queda e pouca resistência a tentação. A superação das tentações não reside na sua ausência, mas na submissão a Deus e na resistência ao mal. A resistência, em um sentido espiritual e bíblico, implica em permanecer firme diante de múltiplos e sucessivos ataques desferidos contra os cristãos. A vitória é alcançada quando buscamos força em Deus, submetendo-nos a Ele. Por meio dessa força, somos capazes de resistir, persistir e, assim, superar as pressões e os conflitos, emergindo vitoriosos e aperfeiçoados.

Considerando a natureza desse conflito, é fundamental reconhecer que se trata de uma luta interior, de caráter sutil. A percepção do indivíduo religioso, diante dessa realidade, muitas vezes o leva a interpretar tais pensamentos como pecado, impulsionado pelo temor reverencial a Deus. Ele pode, então, ser tentado pelo mal, que o induz a acreditar que a simples presença de pensamentos tentadores ou até mesmo blasfemos o torna culpado. Contudo, é preciso reiterar que essa conclusão não se sustenta.
 A reação contra esses pensamentos, a resistência a eles, demonstra de maneira clara que o cristão que vivencia tais aflições não os deseja; ao contrário, ele os combate. Essa luta, motivada pelo desejo de não ofender a Deus, é, em si mesma, um ato de fé e obediência. Ao perseverar nessa batalha, glorifica-se a Deus e o cristão é aperfeiçoado. Tal como profetizado por Joel, essa experiência contribui para o crescimento espiritual. Conforme o profeta Joel declara no capítulo 3, versículo 10, "Diga o fraco: Eu sou forte." Essa afirmação, inserida no contexto da discussão que apresentamos, evidencia a nossa condição de fragilidade diante das realidades espirituais malignas e operante no presente século maligno. Deus deseja que reconheçamos que estamos inseridos em um cenário de conflito, uma verdadeira batalha. Militamos por nossa fé, imersos em um embate que teve início no Jardim do Éden e perdura até os dias atuais. Passagens como Efésios, capítulo 2, versículos 1 a 3, e Efésios, capítulo 6, versículos 10 a 18, ilustram essa realidade de forma clara. No contexto de um mundo invisível no qual o cristão está inserido, trava-se uma intensa batalha. Deus almeja que tenhamos consciência dessa luta e que estejamos preparados para enfrentá-la e obter a vitória.

Desejo, agora, aprofundar a discussão em um tema ainda  mais complexo. Alguns poderão questionar, e creio que muitos irmãos se interessarão em analisar a questão dos sonhos. Acredito que muitos cristãos se indagarão sobre a ocorrência de sonhos que podem ser considerados perturbadores e até mesmo inadequados para um filho de Deus.

 Todavia, neste contexto, pode-se afirmar que a maior parte dos pesadelos, sonhos blasfemos e abomináveis que um cristão vivencia durante o sono decorre, em grande medida, de uma falha em nossa consagração. Isso pode ser resultado da falta de oração noturna ou da ausência de um pedido de proteção divina.

Em certa medida, a não prática da mortificação da carne permite que nossa natureza carnal se manifeste e produza tais experiências. O próprio diabo pode, aproveitando-se da natureza carnal, acessar nossa mente e inserir pensamentos aterrorizantes.

 Gostaria também de ressaltar que, em certas ocasiões, Deus permite que sonhos inquietantes sejam gerados em nossa mente, possivelmente influenciados por entidades espirituais, com o propósito de nos alertar sobre falhas e fragilidades em nossa vida espiritual que necessitam ser corrigidas. Embora a ocorrência de sonhos perturbadores e aterrorizantes não seja comum em cristãos consagrados ou regenerados, Deus, por vezes, permite tais experiências, visando despertar no indivíduo a consciência da necessidade de identificar e sanar aspectos de sua vida espiritual que demandam atenção e aprimoramento.

Considero essa uma explicação bastante razoável para a ocorrência de experiências oníricas desagradáveis. Acredito que, em certas situações, Deus permite a manifestação de sonhos perturbadores como um alerta. Esses sonhos podem indicar áreas em nossas vidas que necessitam de atenção e reparo. (Estou abordando a questão no âmbito espiritual, pois acredito que um pesadelo pode ser um mecanismo natural do cérebro para induzir o corpo a reagir sob circunstancias desconfortáveis) Diante disso, Deus pode permitir que algo negativo se manifeste, a fim de nos conscientizar e impulsionar à correção dessas falhas. Através da oração, da reflexão e da busca por aprimoramento espiritual, podemos identificar e sanar as vulnerabilidades, evitando, assim, conseqüências mais graves.

 Desejo ressaltar que não há nas Escrituras qualquer passagem que afirme que um cristão, ao sonhar com algo que se assemelha a pecado, esteja de fato pecando. Não encontramos suporte bíblico para tal afirmação. Sonhar com a prática de um pecado não equivale à prática desse pecado. O que se manifesta, nesse caso, é uma fragilidade que exige atenção e cuidado, para que não se concretize na vida do cristão, visto que tal ocorrência não é condizente com a natureza de uma vida cristã, que é marcada pela santidade. O cristão desfruta de uma vida equilibrada, fruto da presença do Espírito Santo. Desequilíbrios na vida espiritual e a ausência de harmonia são fatores que podem conduzir a esse tipo de experiência. Contudo, é importante salientar que, mesmo em sonhos, a representação de atos como homicídio ou roubo não pode ser interpretada como a prática desses atos. Na legislação do Antigo Testamento, por exemplo, ninguém era punido por sonhar em cometer tais crimes. Portanto, o ato de sonhar com pecado não implicam na efetivação desse pecado.

 Ademais, cumpre ressaltar que a vivência de sonhos dessa natureza deve nos conduzir a um estado de vigilância e nos aproximar da presença divina. É imperativo que nos humilhemos, reconhecendo nossa fragilidade e fraqueza, buscando refúgio na presença de Deus. Tais experiências servem como um alerta constante, indicando a existência de áreas vulneráveis em nossa vida espiritual que demandam atenção e cuidado.


A experiência cotidiana da vida espiritual de um cristão genuíno reflete-se em Romanos, capítulo 15, versículo 13. Nesse trecho, Paulo descreve a vida espiritual que emana de uma existência em conformidade com a vontade divina.

 Paulo declara, nesta passagem da epístola aos Romanos: Que o Deus da esperança vos encha de toda a alegria e paz na fé, para que transbordeis de esperança pela força do Espírito Santo.

 Sem dúvida, este é o curso natural de uma vida espiritual genuína. Se formos conduzidos pelo Espírito Santo, se nutrimos nossa vida com valores celestiais, se lemos e meditamos na Palavra de Deus, se cultivamos comunhão com Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo, nossa experiência refletirá uma vida espiritual autêntica e estará em consonância com o que é descrito em Romanos, capítulo 15, versículo 13. A esperança, a paz e, em suma, a harmonia com a vontade divina atuarão como antídotos às dificuldades que possam surgir em nossas vidas. Com a permissão de Deus, essas provações visam a aprimorar nossos pontos fracos e fortalecer nossa fé. Ao abordar este tema complexo com honestidade, reconheço que não o esgotei em sua totalidade. Contudo, espero que minhas reflexões, guiadas pela fé e inspiradas nas escrituras, possam oferecer auxílio e esclarecimento. Minha intenção é que minhas palavras contribuam para o entendimento e o bem-estar dos leitores.

 De certa forma aprendemos de maneira concisa e esse ė o núcleo central da questão que explorei aqui; que, só depois de sermos peneirados teremos possibilidade de fortalecer os outros (Lucas 22:32)



C.J. Jacinto

A NATUREZA BIBLICA DA IDOLATRIA

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 O PERFIL BÍBLICO DE UM ÍDOLO

 

C. J. Jacinto

 


A ordem: Não farás imagem de escultura. A ampliação da ordem: Nem alguma semelhança do que há encima nos céus... (Deus, os santos redimidos, os anjos etc.) A característica bíblica contextual ao Antigo e Novo Testamento ao que pode ser considerado um ídolo é seu caráter litúrgico: cultuar, venerar, se prostrar, orar, pedir proteção, dirigir louvores, se ajoelhar. (Êxodo 20:4)

A acusação divina: “Fizestes imagens de homens” e a finalidade dessa imagem: cultuar  “E te prostituíste com elas” (Ezequiel 16:17)

Deuteronômio 4:16 faz advertências contra fazer alguma imagem esculpida na forma de qualquer figura, semelhança de homens ou de mulher.

Acusação divina: “Ajoelha-se diante dela, e se inclina,  e roga-lhe” (Isaías 44:17) A ordem desobedecida: “Não te encurvarás a elas” (Êxodo 20:5)

Acusação divina: “Diante delas se prostram e se inclinam” (Isaías 46:6)

A Origem e as características de um ídolo: “Assalariam ourives, e ele faz uma divindade, e diante dele se prostram e se inclinam sobre seus ombros o tomam, o levam, e o põem no seu lugar. do seu lugar não se move, e se alguém clama a ele, resposta nenhuma dá” (Isaías 46:3) Podem também ser pinturas em paredes (Ezequiel 8:12)

Descrição de um ídolo: Estatuas e imagem de escultura (Levítico 26:1)

Obra das mãos dos homens (Salmo 115:4)

É objeto de veneração (Atos 19:27) miniaturas e replicas são fabricadas para uso cultual (Atos 19:24) os nichos descritos em Atos 19 eram miniaturas do templo de uma deusa chamada Diana (Estatua de uma mulher) servia para o uso de devoções pessoais e outras funções religiosas praticadas pelos devotos e era muito popular, Eféso era o centro desse culto, centenas de milhares de devotos iam peregrinar nesse centro religioso e o acumulo de pessoas era uma oportunidade para explorar o turismo religioso e muitos tiravam proveito disso para ganhar dinheiro. Essas miniaturas do templo da deusa continha geralmente uma imagem dela, e eram feitos de material nobre (prata) ou de materiais inferiores como terracota ou madeira para oferecer preços mais acessíveis aos devotos pobres.

A historia bíblica narra que em tempos de escuridão espiritual a idolatria se mistura com crenças verdadeiras (Êxodo 32:4 a 6 com Salmos 106:19 a 20) Isso rendeu aos praticantes, celebração com procissões, danças, alegrias e festa (Atos 7:41) Na época de acabe, a religião bíblica sofreu uma mistura espiritual, o povo Cultuava ao Deus do profeta Elias, mas também cultuavam a divindades falsas, esse sincretismo religioso foi promovido por Jezabel, o profeta Elias acusou o povo de coxear em dois pensamentos (I Reis 18:21) eles criam e não negavam o verdadeiro Deus, mas também não criam na suficiência e poder dEle,  os baalins se tornaram os deuses mediadores e assessores. Um pouco de fermento levedou toda a massa (Gálatas 5:9)

Muitas vezes essa idolatria estava associada à evocação de mortos (Salmos 106:28 e I Samuel 28:14 e 15) O culto idolatra seguido de sacrifícios era considerado por Paulo como oferenda aos demônios (I Coríntios 10:20)

Considerações centrais sobre o praticante:

Criam que as estatuas, figuras representavam a divindade e incorporavam o espírito da divindade (Explica a pratica da invocação seguida de mediunidade, ou receber uma mensagem da divindade”

A idolatria recorre a crença falsa de que uma criatura possui onipresença: “A majestade daquela que toda a Ásia (Naquela época era uma província romana) e o mundo veneram” (Atos 19:27) a crença implícita nessa declaração é : primeiro; que a deusa venerada podia ouvir as petições e preces de todos na Ásia e no mundo inteiro, isso significa onipresença. Se respondia a todos, isso significa onipotência e se podia guardar as petições e conhecer todos o que a invocavam significa que eles criam que, suponho eu, ela era onisciente.

Até certo ponto, pelo que pode ser descrito de Atos 19 e o contexto cultural, parece que era crida como uma deusa de causas impossíveis.

 

Idolatria refinada

Em Mateus 6:24 e Lucas 16:13 Jesus fala acerca de Mamom, essa é uma palavra aramaica (mamonas) que significa “riqueza” e “bens materiais”, todas as vezes que as riquezas e os bens materiais exercem senhorio na vida de uma pessoa, isso também passa a ser idolatria funcional. “A avareza que é idolatria” (Colossenses 3:5)

Conclusão: A idolatria é pragmática, sempre será exercido por meio do pragmatismo. Seus praticantes  e defensores usam o argumento dos benefícios e vantagens, seja de ordem catequética ou querigmatica que ela pode oferecer.  Esse é o núcleo do argumento da pratica da idolatria, auxilia na fé, promove emoções e o exercício da fé. Por esse motivo, a pratica da idolatria é tão sedutora, não se usa a autoridade das Escrituras para justificá-las, mas o pragmatismo.

A prova bíblica: Jeremias 44:15 a 19. As mulheres judias no Egito defendiam abertamente a adoração á “rainha dos céus”, argumentando que quando faziam isso tinham prosperidade, mas quando paravam, por ordem do profeta Jeremias, sofriam calamidades. Elas defendiam a devoção a rainha dos céus (provavelmente era a deusa caananita Astarote por causa da associação dela com o planeta Venus) porque esse culto funcionava e trazia benefícios. Nesse contexto não importava o que Deus disse acerca da idolatria, o que importava é que ela funciona, traz benefícios e ajuda os praticantes devotos na sustentação da esperança e vida religiosa. O profeta Jeremias defendia que era errado pois as Escrituras condenam, mas as devotas da “rainha dos céus” rebatiam e argumentavam que a devoção funcionava pois concedia “bênçãos”