C. J. Jacinto
Um dia desses, alguma alma simples pegará o Livro de Deus, o lerá e acreditará nele. Então, o resto de nós ficará envergonhado. (Leonard Ravenhill)
Talvez alguém abra na parte das Escrituras
abordada neste estudo: Hebreus 11 – Os Heróis da Fé, e acreditará no que está
escrito ali.
Alguns dias atrás, tive que ouvir
uma confissão com relação a um irmão na fé, do qual estava falando acerca de um
pastor de uma igreja cristã contemporânea, do qual estava passando por um
processo de provação, tendo o seu filho acometido de uma doença séria, no qual
a expectativa seria uma grande probabilidade de levá-lo à morte. Diante dessa
situação, ouvi então desse meu irmão na fé que esse pastor, ele estava lutando
de uma forma a demonstrar que a sua fé poderia simplesmente alcançar um grande
milagre, pelo qual a expectativa seria absoluta em um único quesito: a cura do
seu filho. De modo que esse meu irmão na fé disse que esse pastor tinha uma
grande, uma fé tão grande que parecia “impossivel” a perda de seu filho, ele
então acreditava, de certa forma, que o milagre teria que acontecer. Embora eu
creia em milagres e acredite que Deus possa intervir e responder a seus santos,
de modo que pode responder ao nosso clamor e curar uma pessoa, se assim for do
seu desejo ou do seu plano, precisamos entender um quesito principal a respeito
da fé.
Nós temos uma definição da fé no primeiro
versículo do capítulo 11 do livro de Hebreus, onde lemos: "Ora, a fé é o
firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não
vêem". A seqüência segue como um princípio de vida espiritual e autentica
um dos fundamentos do cristianismo bíblico, sem fé é impossível agradar a Deus.
Assim, a fé — ela, no grego o substantivo feminino pístis — nos remete para a
compreensão de que a fé é uma confiança, é uma confiança sólida e não abstrata,
em uma pessoa: a pessoa de Deus, sua soberania e sua providência, e acima de
tudo na sua sabedoria administrativa com relação à existência e à manutenção de
todas as coisas.
Essa seria uma definição bíblica do que significa fé.
O que a fé não significa? A fé não significa uma energia, uma evocação de um
poder espiritual do qual faz a vontade de Deus se dobrar à nossa vontade. Em
hipótese alguma, isso é fé. A fé não é uma energia, não é um poder psíquico não
é um pensamento positivo. A fé é uma confiança, uma confiança plena em Deus. Seria mais ou menos assim,
Deus está organizando um quebra cabeça com milhões de peças soltas e espalhadas
(A queda produziu esse caos), nos estamos vendo e até experimentamos o caos,
ele sabe o encaixe de cada uma das peças e por fim encaixará cada uma em seu
lugar, Ele já vê todo o conjunto organizado, estamos vendo as peças caóticas
sendo movidas, mas sabemos que tudo esta sendo encaixado perfeitamente para o
propósito final (Efésios 1:10) É
necessário que se tenha uma compreensão exata da fé. A fé significa
simplesmente confiar em Deus, reconhecendo que Ele está no controle de todos os
acontecimentos, independentemente de, do ponto de vista humano, a expectativa
ser certa ou errada.
Muitas vezes, temos que levar isso em conta, pois criamos noções e expectativas
a respeito da fé, mas elas podem estar equivocadas, como vou explicar mais
adiante.
Antes de tudo, desejo reiterar aqui
aquilo que Paulo definiu em Romanos, capítulo 8, versículo 28, pois isso se
encaixa perfeitamente à questão que estamos abordando: a fé. Paulo escreveu: “E
sabemos que todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus,
daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” Deus está administrando
circunstâncias e situações. Ainda que, aos olhos humanos, elas pareçam
completamente complexas e dolorosas, envolvendo sofrimentos que não entendemos
a partir da nossa visão terrena e limitada, Deus está no controle da situação.
Podemos observar isso no capítulo 11 do livro de Hebreus, que apresenta aqueles
que testemunham a respeito da fé — ou seja, os heróis da fé.
Note bem: o título “heróis da fé” parece nos remeter a algo triunfalismo
imediatista, numa perspectiva puramente secular e mundana. Mas devemos entender
algo claramente; a Biblia não ensina isso. Paulo exerceu a sua fé, mas veja quantas
perseguições, problemas e decepções enfrentou. Por fim, teve a vida ceifada por
meio do martírio, na época de Nero. Portanto, a fé o levou a isso, mas isso, em
hipótese alguma, representa um fracasso. Paulo pode ser considerado um herói da
fé.
Quando abrimos este grandioso capítulo do livro de Hebreus e lemos o versículo
4, percebemos que toda essa tão grande nuvem de testemunhas — que são os heróis
da fé apresentados neste grandioso capítulo — nos mostra, logo na abertura,
Abel.
Abel, filho de Adão e Eva, é conhecido pelo seu martírio. Ele ergue um altar
e coloca sua oferta sobre ele, e o Senhor Deus Todo-Poderoso aceita a oferta de
Abel, mas rejeita a de Caim, a fé deve levada dentro dessa perspectiva, uma
noção clara e aceita acerca de doutrinas saudáveis, ou melhor, a fé verdadeira
é sustentada pela ortodoxia pura, ela é uma fé associada ao conjunto de
verdades cristãos fundamentais (Judas 3). O versículo 4 de Hebreus 11 nos diz
que Abel alcançou testemunho e, mesmo depois de morto, ainda fala. (Sua oferta,
sua percepção de sacrifício vicário, sua piedade voluntaria etc.)
Aqui vemos um homem considerado um dos
baluartes e fundamentos da fé no que tange ao testemunho e à confiança em Deus.
Mas olhe para a sua vida: Abel foi ceifado prematuramente; ele foi a primeira
vítima de um homicídio. Caim se levantou contra o seu irmão e o matou. Desse
modo, podemos observar, dentro deste contexto e desta realidade, que a fé de
Abel não o conduziu a um livramento, a uma vida próspera ou a uma vida
duradoura. Pelo contrário, ele morreu cedo, foi ceifado e levado à primeira
sepultura, ao primeiro cemitério, inaugurando o primeiro choro e o primeiro pranto
pela perda de um filho morto de maneira injusta e violenta.
Na perspectiva humana e segundo muitos supostos doutores da fé de nosso tempo,
Abel, em nosso contexto, seria um completo fracasso. A visão pós-moderna e
contemporânea teceu uma espécie de fé que não aceita esse tipo de fato. Se Abel
vivesse em nossos tempos e sofresse essa morte prematura por causa de seu culto
verdadeiro, ele não seria considerado um herói, mas sim um fracasso. Isso
acontece justamente porque a maioria das pessoas tem um entendimento
absolutamente equivocado do que significa fé.
Fé não significa segurança; fé não significa
que Deus responderá a todas as nossas orações; fé não significa que você estará
isento de todos os problemas, de conflitos, de tribulações e de sofrimentos
intensos nesta vida. A fé vai muito além disso. A fé nos leva a crer que, mesmo
que tudo pareça dar errado aqui neste mundo, Deus está no controle da situação,
tem uma resposta e possui um propósito naquilo que, aos nossos olhos, parece
incompreensível. (João 16:33) Quando chegamos no versículo 5 do capítulo 11 do
livro de Hebreus, nos é apresentado Enoque. O antigo patriarca, antediluviano,
foi resgatado ou melhor, transladado por Deus. Ele foi arrebatado para não ver
a morte e nunca mais foi encontrado. Embora tenhamos visto aqui um grande
milagre, pelo qual é apresentado Enoque como aquele que deu testemunho, pois
viveu diante de uma sociedade corrompida; no entanto, ele viveu sob os
princípios da justiça divina, de modo que ele alcançou testemunho por sua fé em
Deus.
Embora tenhamos aqui um grande milagre – o milagre de um arrebatamento, do
qual Deus tira um dos seus filhos da terra de maneira milagrosa, sem passar
pelo processo da morte –, temos que entender o impacto social que isso causou.
Pois ali está um homem pelo qual tinha família e, simplesmente, as pessoas do
seu convívio social, perceberam e sentiram a falta daquele grande homem de
Deus, do qual dava testemunho e era uma luz espiritual em meio a uma grande
escuridão. Portanto, a trasladação de Enoque tem também as suas implicações
sociais. É, um grande privilégio, sem dúvida nenhuma, ter sido levado pelo
Senhor, quando o próprio Deus tomou para si aquilo que lhe pertencia. De modo
que, dentro desse contexto, temos que entender que, de acordo com a longevidade
de todos os patriarcas, antediluvianos, vamos notar que com 365 anos, Enoque
foi levado por Deus, de maneira que, comparado com a idade de outros como, por
exemplo, Matusalém, Enoque foi tomado prematuramente dessa vida. Até aqui vimos
que uma vida longa não significa exatamente ser abençoado por Deus, mas uma
vida justa e piedosa sim! Quantas pessoas já viveram mais de 100 anos e estão
totalmente esquecidas na memória profunda da civilização? todavia, Enoque e
Abel, viveram pouco na expectativa do contexto em que viveram, mas deixaram um
legado extraordianario! O Novo Testamento da testemunho deles! De modo que uma
vida longa não significa, muitas vezes, a bênção de Deus; às vezes é o oposto,
e Enoque é uma prova incontestável desse fato, levando em conta todos os outros
à sua volta: ele teve uma vida breve aqui sobre este mundo. Faz-me lembrar de
João Batista, que também viveu sua fé em fidelidade e uma posição de honra por
ser o precursor do Messias, mas foi ceifado de forma violenta e injusta pelos
inimigos da verdade.
No versículo 7, é-nos apresentado, então, Noé.
Noé — em outra parte do Novo Testamento —, é chamado de "o pregoeiro da
justiça". Ele é um escolhido pela graça de Deus. O mundo estava
corrompido. Então, o Senhor o mandou fazer uma arca para salvar a sua família. Vemos,
então, na vida de Noé, como um daqueles que são apresentados no capítulo 11 do
livro de Hebreus como exemplos de fé: uma confiança total na providência e na
justiça de Deus em um mundo corrompido. Poderíamos imaginar todo o seu contexto
espiritual onde Noé estava inserido, sendo provavelmente — suponho eu —
ridicularizado por causa da sua fé, por causa da sua paciência e por causa da
sua posição doutrinária. Seria chamado, naquela época, de intolerante e
fanático, e talvez até mesmo um visionário louco. Havia uma improbabilidade em
questões geográficas, atmosféricas e meteorológicas, pois nunca havia havido um
dilúvio universal antes, mas ali estava o pregoeiro da justiça, falando acerca
de algo que seria sobrenatural.
Noé pregou com relação a isso, de modo que o mundo antigo não o creu, mas ele
creu. E, mesmo diante do ridículo, ele permaneceu firme na sua fé. Essa é a
questão principal: a fé é sabedoria para os que crêem, mas, para os que não crêem,
é uma verdadeira loucura. O que temos, portanto, no livro de Hebreus é uma
evolução da fé no seu sentido mais amplo e consagrado. Pois, de certo modo, ao
fazer essa exposição, o autor aos Hebreus, falando acerca de Abraão, ele diz
respeito ao patriarca, no versículo 10: “Porque esperava a cidade que tem
fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus.”
Ora, temos também a menção de Sara, no versículo 11: “Pela fé também a mesma
Sara recebeu o poder de conceber e deu à luz já fora da idade, porquanto teve
por fiel aquele que a tinha prometido.”
Dentro dessa perspectiva, vamos notar que a fé, tanto ela é a dinâmica da
nossa confiança em crer que Deus pode cumprir suas promessas em nós, como
também podemos superar todas as crises, inclusive aquelas que nos trazem
profundas aflições, ainda que não entendamos, e sabemos que o plano de Deus
está em execução e que todo o seu projeto envolvendo a nossa vida talvez tenha
o cumprimento do seu propósito ainda em outra geração. Deus nunca perdeu o
controle das coisas e em longo prazo, a própria Bíblia testemunha acerca disso!
A historia mostra isso, a cruz é uma prova irrefutável, ela foi inventada por
homens caídos como um instrumento de penalidade, tortura e morte, e Deus toma a
cruz para efetuar através de Seu Filho uma eterna redenção. Oh! Isso é
tremendo!
Olhamos para a vida de José do Egito e notemos
o seu processo, onde ele vai passar por uma enorme contingência de problemas,
aflições, assim como também vamos olhar para a história de outros grandes
vultos do passado que viveram suas vidas, muitas vezes passando por grandes
aflições, sem entender, mas que, de maneira processual e dinâmica, Deus estava
trabalhando através daquelas circunstâncias para que o seu projeto pudesse ser
cumprido. Portanto, essas pessoas estavam inabaláveis, ainda que aos olhos dos
outros fossem completamente derrotadas.
«Como exemplo de uma fé inabalável, eu quero citar aqui, talvez, um dos
melhores exemplos acerca de uma mulher que não perde a sua fé, mesmo diante
daquilo que, aparentemente, vai ser uma grande e devastadora derrota.
Olhamos para a vida de Noemi. Noemi, junto com
o seu marido e seus filhos, deixa Belém e vai para Moabe. Mas, lá em Moabe,
primeiramente ela perde o seu marido: fica viúva. Depois morrem seus dois
filhos. Em seguida, ela vai então ter uma perda de segurança, identidade e
identidade social. Ela retorna para Belém. As aflições emocionais devido à
perda que ela sofreu deixou-a em uma situação de profunda dificuldade e crises
emocionais.
Mas, olhamos agora para a vida dela: se ela fosse uma cristã, estivesse
vivendo em nosso meio e fôssemos testemunha ocular do que ocorreu com a vida de
Noemi, poderíamos acusá-la de que ela é uma mulher sem fé? Ela poderia ter fé
para orar pelo seu marido que, provavelmente, suponho eu, morreu de uma doença
ou de um acidente, assim também como seus filhos?
Mas ela sofreu as perdas sem perder a fé, de modo que quando ela retorna para
Belém, ainda ali está uma mulher sofrendo aflições, todavia não está negando ao
Senhor. O mesmo ocorreu com Jó: a perda dos seus filhos, a perda da sua saúde,
os, ou o induziram a dobrar o seu joelho e ainda continuar adorando a Deus.
Essa é a questão: a fé tanto pode nos proporcionar o milagre, como também nos
proporciona a possibilidade de superar a crise, a dor e o sofrimento quando o
milagre não vem, porque sabemos que, com ou sem o milagre, Deus está no
controle de todas as coisas. Quando lemos Hebreus capítulo 11, versículo 13,
uma janela de luz se abre diante de nossos olhos, pois ali lemos:
"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas,
vendo-as de longe, e crendo-as, e abraçando-as, confessaram que eram
estrangeiros e peregrinos na terra."
Veja bem que a fé não nos leva para, muitas vezes, para resultados imediatos e
nem mesmo nos garante uma conquista imediata, totalmente ideologizada por
conceitos seculares, imediatistas e triunfalistas. Mas a fé leva a nossa
confiança para dentro do processo da soberania de Deus, e Ele trabalha conforme
o Seu tempo, e não de acordo com as nossas expectativas e perspectivas.
Assim, quando o autor aos
Hebreus diz "todos estes morreram na fé, sem terem recebido as
promessas", isso não significa que eles sofreram uma decepção ou que eles
simplesmente foram derrotados porque as suas expectativas não foram alcançadas
na vida presente, mas que eles estavam descansando nas promessas e na convicção
de que Deus está trabalhando e, por fim, também eles irão receber a recompensa.
Pois as próprias Sagradas Escrituras nos
apontam para isso: nos Evangelhos e no Novo Testamento há a promessa de
prémios, coroas e galardões; ainda temos o Tribunal de Cristo; ainda temos a
superior ressurreição. Temos algo, temos coisas maravilhosas que nos aguardam
no futuro, inclusive as respostas para as nossas indagações mais profundas
quando passamos por crises, tristezas e profundas aflições nessa vida. Assim,
os versículos posteriores, a partir do versículo 14, o autor aos Hebreus diz:
“Porque os que, porque os que isto dizem claramente mostram que buscam a
pátria”. E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam
oportunidade de retornar. Mas agora desejam uma melhor, isto é, a celestial.
Por isso, também Deus não se envergonha deles de se chamar seu Deus, porque já
lhes preparou uma cidade. Assim vemos que as expectativas desses heróis da fé,
eles estavam além do tempo presente, transcediam completamente o material,
estava muito além do que é passageiro e transitório. A fé deles fazia com que
eles entendessem que as aflições do tempo presente não há como ser comparada
com as glórias da eternidade. Eles sabiam que, muitas vezes, o processo de Deus
de lustrar o nosso coração, de polir o nosso coração, a nossa alma e a nossa fé
para coisas grandiosas, de maneira que uma das principais motivações de Deus
permitir as aflições e as dificuldades é para fazer com que a gente se
desprenda completamente da auto-suficiência, da confiança em nós mesmos e da
confiança do mundo, e colocar a sua confiança totalmente no Senhor. Ele sabe o
que está fazendo. Deus sabe o que estava fazendo quando concedeu permissão para
que o diabo tocasse nos filhos de Jó e na sua própria, e na saúde de Jó. Deus
sabia o que estava fazendo quando João Batista, quando permitiu que João
Batista fosse decapitado.
Deus sabia o que estava fazendo quando permitiu que Tiago fosse transpassado
pela espada. Deus sabia o que estava fazendo quando permitiu que Estêvão fosse
apedrejado e morto.
Deus sabia o que estava fazendo quando coisas ruins estavam acontecendo com os
seus filhos aqui nesta vida.
O capítulo 11 continua com a sua exposição, falando acerca de Isaque, e de
Jacó. Falou a respeito de Moisés, no versículo 24, e nos diz: "Pela fé
Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó,
escolhendo antes ser maltratado com o povo de Deus, do que por um pouco de
tempo ter gozo do pecado."
Notemos aqui que Moisés, simplesmente, ele inverte aquilo que podemos entender
como fé nos dias atuais, pois, para muitos hoje, fé significa você sair de uma
pobreza para se tornar uma pessoa rica, significa sair do anonimato para se
tornar uma pessoa importante dentro de um palácio. Mas, todavia, notamos que
Moisés, ele inverteu a situação: recusou ser chamado de filho da filha de
Faraó. Ou seja, ele vai abrir mão de status, de fama, de posição, de conforto,
de dinheiro, de riquezas, e ele vai escolher ser maltratado com o povo de Deus.
Qual era a motivação? A fé o levou a isso.
Vemos no versículo 26: "Tendo por maiores riquezas o vitupério de Cristo
do que os tesouros do Egito, porque tinha em vista a recompensa."
Agora faço a pergunta: qual recompensa que Moisés alcançou aqui na sua terra?
Podemos dizer que ele se tornou um grande líder, que o seu memorial ficou no
Pentateuco. Todavia, do ponto de vista secular, Moisés não herdou nada, nem
mesmo conseguiu entrar na terra da promessa. Todavia, não podemos simplesmente
concluir que o seu ministério foi um fracasso, mas foi um êxito total. O
impacto de Moisés sobre toda a sua posteridade é simplesmente impossível de ser
descrito. Sua vida, seu exemplo nos serve como um modelo de como um homem
simplesmente deixa as riquezas, o conforto e tudo mais para seguir a... para
seguir a vontade do Senhor, de modo que na expectativa terrena ele pode até ser
considerado como um derrotado, mas Moisés, mesmo diante de todas as
dificuldades e até mesmo perdas, ele sobressaiu como um herói da fé.
«Outras Bíblias também falam sobre Raabe, a meretriz, que não pereceu com os
incrédulos, acolhendo em paz os espias; mas ele faz uma conclusão: "O meu artigo
não se trata de um artigo de uma exposição do capítulo 11 do livro de Hebreus.
A minha abordagem é simplesmente usar esse texto como base para fazer uma
explicação didática a respeito da fé.
Mas olhamos a partir do versículo 32 como a
conclusão:
"E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, de Baraque, e
de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e Samuel, e dos profetas; os quais pela fé
venceram reinos, praticaram justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas
dos leões, apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada; da fraqueza
tiraram forças, na batalha esforçaram, puseram em fuga os exércitos dos
estranhos. As mulheres receberam pela ressurreição os seus mortos; uns foram
torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor
ressurreição; e outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e
prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada;
andavam vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e
maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e
montes, e pelas covas e cavernas da terra. E todos estes, tendo tido testemunho
pela fé, não alcançaram a promessa, provendo Deus alguma coisa melhor a nosso
respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados". Isso não
maravilhoso? Podemos então observar, de forma tão clara, a maneira como Hebreus
11 nos revela o que é a fé. A fé é simplesmente uma confiança, do qual nos
conduz por caminhos que, muitas vezes, aos olhos humanos pode ser considerado como
um grande sucesso e, muitas vezes, como um grande fracasso. Homens serrados ao
meio, apedrejados, perseguidos, sendo simplesmente eremitas peregrinos, longe
da civilização, longe dos holofotes da religião, simplesmente caminhando
errantes pelos desertos, vivendo de modo grosseiro e inóspito, passando por
grandes dificuldades, de modo que parece uma verdadeira loucura para a mente
moderna, principalmente a mente ocidental, triunfalista, materialista, do qual
sempre associa a fé com o sucesso, assim como associa bênção com prosperidade.
Ou seja, simplesmente tem uma um conceito errôneo, equívocado, limitado a
respeito de termos bíblicos como bênção e fé. De maneira que a fé bíblica, ela,
repito, pode ser um caminho para nos levar para experiências profundas de um
milagre, como também pode nos levar para grandes crises, e assim confiamos e
esperamos com paciência no Senhor mesmo diante dessas crises. A fé,
portanto, não é uma energia, não é uma força psíquica, não é uma força
emocional. É uma condição espiritual. É, simplesmente, o fruto de um
relacionamento com Deus; a percepção de que Deus é soberano, grande, poderoso e
do qual Ele está exercendo controle e domínio sobre uma circunstância que,
embora nós possamos não entender no momento, as coisas e os acontecimentos
estão dentro de um projeto eterno, do qual nós precisamos estar condicionados.
Quando olhamos nas Escrituras, podemos observar que realmente a fé pode ter
levado pessoas à experiência de um milagre, de um livramento, de uma cura, de
uma libertação. Mas isso não é tudo, isso é só um lado da fé.
A fé também pode nos levar para momentos de grandes dificuldades, pode nos
conduzir, inclusive, para o martírio. Isso não deve ser considerado como uma
decepção.
A fé não significa que Deus responderá todas
as nossas orações, significa que Deus estará respondendo nossas orações quando
não responde aos nossos anseios. De maneira que, quando Ele diz um
"não", ainda que seja tão doloroso para nós, Deus está tomando a
melhor escolha, está fazendo a melhor coisa, porque Deus sempre trata com seus
filhos do ponto de vista da eternidade e não do imediatismo do qual nós estamos
escravizados.
Uma vez mais, preciso dizer e afirmar de forma clara, de acordo com o que
entendo na leitura de Hebreus capítulo 11: quando vimos toda essa riqueza de
detalhes concernentes aos heróis da fé, muitos deles passaram por grandes
tribulações e dificuldades, de modo que a fé não é uma mera crença em Deus — e
torno a repetir: não é uma energia que manipula poderes divinos, não é um
diálogo onde o homem conversa com Deus e o convence de mudar de ideia, mas tão
somente é chegar ao Senhor e pedir para que ele faça a sua vontade e não a
nossa, de maneira que a resposta seja sempre não para a nossa satisfação, mas
para a glória de Deus. A partir do momento que tivermos uma perspectiva da vida
espiritual, da nossa própria existência, colocando em perspectiva a eternidade,
o poder, o projeto e os propósitos de Deus, podemos ter uma compreensão mais
profunda do porquê coisas ruins podem acontecer. Agora, veja bem, eu não
desejo, através desse artigo, simplesmente dizer que Deus não pode realizar o
milagre, de que uma cura não pode acontecer, de que um livramento, ou que Deus
não tenha, não possa dar uma grande resposta para as questões mais difíceis com
relação às nossas dificuldades, aflições e tribulações.
O que eu estou tentando dizer é que, se você pensa em um tipo de fé na qual
pode mudar o pensamento de Deus, ou simplesmente a fé como uma energia ou como
um poder psíquico, como se fosse um pensamento positivo do qual você pudesse
fazer declarações e isso pudesse ocorrer de um toque de mágica, como se suas
palavras tivessem poder, então esse tipo de fé não é o tipo de fé apresentado
no livro de Hebreus capítulo 11, em hipótese alguma.
Fé, mais uma vez, eu reitero, é uma confiança plena, profunda e segura em
Deus, não importa a situação. Um exemplo disso são os três amigos de Daniel.
Quando eles estão confrontados diante da situação em escolher se prostrar ou
não, a resposta deles foi que não importava o resultado: eles não se
prostrariam diante da estátua. Se Deus quisesse livrá-los da fornalha ardente,
eles seriam livrados; se não, ainda que morressem, eles simplesmente não se
dobrariam à estátua de Nabucodonosor.
Portanto, aqui está uma fé: não importa o resultado, Deus está no controle e
ele vai ser glorificado na nossa vida. Essa era a resposta de homens de fé.
Essa deve ser a compreensão do valor e da essência da verdadeira fé, da fé
bíblica. Escrevo este estudo bíblico justamente para responder a essa
questão, porque muitas pessoas acham que, a partir do momento — e isso já
ocorreu na minha própria vida espiritual —, quantas vezes tivemos que lidar com
um problema de enfermidade, de enfermidade grave. A pessoa do qual foi
acometida, ela também estava diante da expectativa: "Irei morrer ou irei
viver?". Mesmo num diagnóstico médico do qual não dava qualquer
perspectiva de esperança, a fé nos conduz à esperança, a que Deus possa
responder aos nossos clamores e nossas orações, e então possa trazer a cura. Mas
isso não ocorreu. Em vários momentos, como, como muitas vezes eu tive que lidar
como líder espiritual, muitas vezes eu tive que chegar diante de uma pessoa
acometida de uma doença terminal e simplesmente dizer para ela: Olha, a vida
física, ela é importante; é Deus que nos dá e também é Ele que nos tira, de
modo que nós devemos estar preparados para estar com o Senhor. Viver é para
Cristo, aqui ou na outra vida, de modo que nós precisamos estar preparados
tanto para viver, se Ele conceder mais algum tempo para nós aqui neste mundo,
ou nós devemos estar preparados para partir e estar com o Senhor, porque é
ainda muito melhor. Portanto, a nossa fé transcende expectativas terrenas e
egoístas. Ela deve se encaixar perfeitamente nos planos de Deus. O que nós
temos que dizer é um "amém". E muitas vezes eu ouvi um
"amém" dessas pessoas que estavam diante dessa situação: a fé nos
conduz a isso, de modo que muitas vezes eu vi e testemunhei pessoas sendo,
sofrendo uma grande decepção e até mesmo ficando amarguradas com Deus porque
uma oração não foi respondida.
Ora, Deus não é obrigado a responder às nossas
orações. Nós temos a obrigação de orar. Isso não é um paradoxo. Deus responde,
não conforme os nossos desejos; Deus responde conforme os Seus planos.
Portanto, devemos sempre viver a nossa vida cristã e espiritual na perspectiva
de Deus, e não na perspectiva do mundo.
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